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30 Mar 2005

Presidência Vacilante

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Precisamos de um Presidente que saiba exercer uma liderança política firme, decidida e estável dentro do governo. É hora de liderar ou se retirar.

O presidente Lula, antes de assumir sua cadeira no Palácio do Planalto era considerado um bom articulador. Responsável por costurar difíceis e intrincadas alianças políticas. Porém, tudo indica que esta qualidade se perdeu no momento em que se tornou um homem de situação, ou seja, no dia em que assumiu a Presidência da República. Na arena política, sua administração tem sido marcada por erros primários de avaliação, ausência de estratégia e articulação, brigas de egos, discussões internas intermináveis e o mais importante: falta de uma liderança segura, capaz de pacificar sua base e assumir o ônus que o cargo traz consigo.

Os casos que evidenciam a falta de articulação política do governo são os mais variados e não cabe aqui relatá-los, uma vez que a opinião pública está ciente pelos jornais de todas as intempéries políticas sofridas pelo governo Lula. Falta ao Planalto um direcionamento claro de suas políticas e uma definição cristalina quanto as atribuições de cada membro do grupo palaciano e de seu gabinete na Esplanada dos Ministérios. Entendam o que digo, discordando ou concordando com as posições do Planalto, é preciso dar rumo ao governo, que atualmente, com todo respeito, mais parece uma nau à deriva sem comando definido.

Primeiro o Presidente precisa assumir o ônus do cargo que ocupa. É sua função demitir ministros, além de nomeá-los. Infelizmente para realizar as correções de rumo é necessário cortar na própria carne, dispensando membros de sua equipe e extinguindo pastas que servem somente para a alocação de companheiros. É preciso diagnosticar quais Ministérios estão com funções sobrepostas e fundi-los, assim como é imperativo mapear os ministros que não conseguiram investir os recursos disponíveis em sua pasta e dispensá-los. A administração pública precisa de eficiência no trato com o dinheiro que é arrecadado do povo por intermédio dos impostos. É preciso verificar também os ministérios que possuem políticas opostas, pois um obsta o trabalho do outro, gerando uma paralisa na administração federal. Todos os casos listados acima existem na Esplanada de Lula, portanto, uma reforma na equipe e também nas pastas deve ser feita de forma urgente. Para esta avaliação é preciso de um gerente na Esplanada, nome que não deve ser o mesmo da articulação política, mas que devem trabalhar afinados, ao invés de disputar poder.

O Presidente precisa cuidar da sua base de apoio no Congresso Nacional por intermédio do seu articulador político. Reuniões periódicas entre líderes dos partidos da base e liderança do Governo sempre ajudam na composição de uma agenda de prioridades da coalizão. Desta forma, os líderes podem cobrar uma posição coerente de suas bancadas. A simples nomeação de nomes indicados pelos partidos da base não tem garantido apoio dos partidos, pois tem sido realizada de forma pouco eficaz. Falta coesão no governo e comando na articulação política. Este conflito precisa cessar e somente pode ser resolvido pelo Presidente, que precisa atuar de forma rápida e eficaz.

Por fim, mas não menos importante, resta a pacificação do PT. O erro mais grave do Planalto até o momento foi a tentativa de imposição de um nome de sua preferência, contrariando a base, para concorrer a Presidência da Câmara dos Deputados. A falta de sensibilidade política rachou o principal partido do governo e entregou a escolha do novo Presidente da Câmara nas mãos da oposição. Um erro primário que ainda custará muito caro ao Planalto.

Portanto, se o Presidente Lula busca simplesmente a reeleição, o rumo está correto. A economia vai bem, a política vai mal, os programas do governo não deslancham, os ministérios têm sobreposição de competências e os gastos aumentaram, contudo, a popularidade de Lula continua alta suficiente para garantir sua vitória. Somente um caso muito grave pode abalar sua candidatura para um segundo termo, e apesar do amadorismo político mostrado até agora, esta possibilidade ainda é remota. Entretanto, se o Presidente almeja mais do que poder, ou seja, se vislumbra um projeto de País, sua equipe precisa ser reformada, sua Esplanada precisa ser enxugada e mais do que qualquer um destes fatos, precisamos de um Presidente que saiba exercer uma liderança política firme, decidida e estável dentro do governo. Presidente, não há mais espaço para movimentos vacilantes, é hora de liderar ou se retirar.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 20:10
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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