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30 Mar 2005

Uma Nova Mentalidade

Escrito por 

A essência da receita de sucesso do Chile está no respeito às leis de mercado, a uma economia aberta ao mercado internacional, o que vem gerando através do comércio 55% do PIB.

É impressionante o conformismo cultural existente no seio do povo brasileiro. Impressionante e preocupante. Há claros sinais neste povo de que “as coisas” no Brasil são imutáveis. Um simples conversar de rua e as corriqueiras assertivas: “o Brasil não tem jeito”; “político é tudo safado”; “esse governo não presta”; “o país não tem futuro”.

Imperioso, pois que se muda essa forma de pensar, com a criação de uma nova mentalidade. E o passo fundamental e decisivo para se criar e desenvolver esse renovar do pensamento popular é a desmistificação do Estado. Desde o tempo do Brasil-colônia há a errada compreensão de que devemos esperar que o Estado provenha nossas necessidades. E a cultura política brasileira, desde os primeiros dias de nossa colonização, reforça essa idéia. Afinal, herdamos do sistema de capitanias hereditárias, do governo-geral e do período monárquico a centralização administrativa e a noção de Estado Providencial. O fato conclusivo é que nossa história cultural cultivou no senso comum do brasileiro, a idéia de ver no Estado a possível solução de suas necessidades cotidianas.

Assim é que o Brasil deve ser considerado como Estado do Bem-Estar Social, com uma forte visão keynesiana, na qual há uma ampla e diversificada intervenção social e econômica do Estado. O Estado brasileiro, de caráter keynesiano, interfere mais diretamente na economia tendo seus efeitos sentidos na área política e na sociedade, por meio dos gastos públicos, dos planos de desenvolvimento regional, da criação de um número significativo de empregos no setor público e do atendimento às garantias reivindicadas pelos trabalhadores, a exemplo da garantia de emprego. E o Estado do bem-estar social desenvolve políticas destinadas a reduzir as desigualdades sociais, como as de transportes urbanos, habitação, saneamento, urbanização, educação e saúde. Neste momento me ocorre o governo Allende, no Chile. Endeusado em nosso país, pelos órfãos de Gramsci e tutti quanti, o fato é que nosso vizinho continental experimentou um mergulho nas profundezas do obscurantismo econômico com o populismo socialista de Allende. Assim cabe a pergunta: o Brasil é bem sucedido econômica e socialmente com esta postura política?

A nova mentalidade que poderia ser cultivada pelos brasileiros, inclusive e principalmente por nossas classes dirigentes, é a de que o Estado deve existir para buscar atender os seguintes princípios:

1. Garantia do direito à propriedade e à poupança;
2. Respeito e fiel observância dos contratos e dos direitos individuais;
3. Obediência às leis, a ética e a moral;
4. Formação e manutenção de forças internas e externas de segurança;
5. Administração pública isenta.

Tais princípios soam estranhos. Se isso ocorre é o infalível sinal de que precisamos urgentemente mudar nossa mentalidade de colônia e assumirmos novas idéias. E se há dúvidas da viabilidade desta nova mentalidade, tomamos novamente o <A href="/http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=3461">Chile como exemplo</A>. Saindo do atraso político, social e, principalmente, econômico, o Chile é hoje o mais avançado e moderno país da América Latina, a ponto de ser o único povo abaixo da linha do Equador a ter um acordo bilateral de comércio com os Estados Unidos. Sim, isso sinaliza que os americanos confiam nos chilenos. Ou seriam os norte-americanos loucos e insanos em ameaçar sua estabilidade econômica através de um acordo com um país sem as mínimas condições?

 O Chile consegue prosperar socialmente sem a necessidade de Fome Zero, Bolsa-Família, Cotas ou Estatutos.

Por favor, apenas peço que não venham me dizer outra frase comum da <A href="/http://www.rplib.com.br/artigos_detalhes.asp?cod_texto=126">descultura</A> brasileira: ah, mas o Chile é o Chile! Assim como se faz com todos as referencias a países de primeiro mundo. O que houve no Chile e no primeiro mundo foi a sistemática aplicação da mentalidade de estar no Homem, e não no Estado, todas as forças para progredir.

Mas isto fica para o próximo artigo. Obrigado.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 20:10
Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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