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28 Mar 2005

Pedofilia Intelectual

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O idealismo ingênuo, tão ardente nos jovens, faz parte da idade e não pode ser aproveitado por doutrinadores para inculcar suas propagandas político-partidárias, cometendo uma covarde pedofilia intelectual.

A formação é o que faz a diferença entre o politizado honesto é o imbecil doutrinado. Antes de posicionar-se ao lado de qualquer corrente, a pessoa deve conhecê-la com profundidade e deve conhecer também os principais argumentos dos opositores dessa corrente. A partir desses elementos, a pessoa pode pelo menos ter uma idéia mais sólida acerca daquilo em que quer se meter.

Considerar-se um admirador do Nazismo devido aos seus (questionáveis) resultados econômicos, fazendo a ressalva de não concordar com a matança de judeus, é um completo absurdo. Não se pode "comprar" apenas parte de uma ideologia.

Da mesma forma, quem se posiciona ao lado de um partido político de orientação esquerdista não pode desconsiderar elementos como a luta de classes, a violência revolucionária e a eliminação de dissidentes, por mais que o discurso político envolva palavras emocionalmente apelativas como amor, justiça social e fraternidade. Não há nenhuma surpresa, portanto, em ver partidos de esquerda caminhando lado a lado com organizações terroristas e narcoterroristas como as FARC colombianas, o MIR chileno, o MR-8 brasileiro, o Tupac Amaru peruano et caterva. São todos farinha do mesmo saco. Quem dá o seu voto a um partido de esquerda, portanto, está sendo anuente com o narcotráfico que financia movimentos revolucionários, com o encarceramento de dissidentes em Cuba, com a transformação de campos produtivos em campos de treinamento de guerrilheiros, com os gulags soviéticos e com todas as torturas, os seqüestros e os assassinatos que têm sido perpetrados em nome das transformações defendidas pelo pensamento de esquerda. Quem dá seu apoio a qualquer partido ou movimento de orientação esquerdista está assumindo, de forma consciente ou não, parte da responsabilidade pelo derramamento do sangue de mais de cem milhões de pessoas durante o século XX.

Existe uma verdadeira multidão de adolescentes politicamente corretos que se dizem marxistas sem nunca terem lido uma linha sequer de Marx. Devidamente doutrinados por professores que acreditam distorcidamente que ensinar é um ato político (a distorção está no "político"), repetem com paixão doentia o que receberam já selecionado e mastigado pelos seus educadores que, perversos, defendem-se hipocritamente afirmando que tudo o que fazem é orientar a formação crítica dos jovens. Só que não estão formando mentes críticas, estão na realidade formatando e determinando o que pode e o que não pode ser criticado. É claro que os elementos doutrinais da ideologia hegemônica não são, nem de longe, questionáveis.

Não se pode ser de esquerda apenas por desejar romanticamente um mundo justo, fraterno e solidário, desconsiderando explicitamente que o ódio entre as classes é um elemento fundamental de todo o pensamento marxista e derivados. O idealismo romântico, inerente a quase todo adolescente entusiasmado, bate de frente com a Undécima Tese Sobre Feuerbach, texto fundamental que separa as crianças inocentes dos homens barbudos.

O idealismo ingênuo, tão ardente nos jovens que desejam transformar o mundo e fazer a diferença na sociedade, faz parte da idade. É uma etapa da vida. Doutrinadores que se aproveitam dessa fase para inculcar suas propagandas político-partidárias, arrebanhando assim adeptos para a sua causa, estão cometendo uma covarde pedofilia intelectual.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 20:10
Claudio A. Téllez

Claudio Andrés Téllez é cidadão chileno, mas mora no Brasil desde 1979. Cursou o Bacharelado em Matemática Aplicada na PUC-Rio e atualmente está cursando Relações Internacionais no Centro Universitário da Cidade (Rio de Janeiro). Escreve no Mídia Sem Máscara desde setembro de 2003.

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