Ter11122019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

19 Jun 2019

A UNILA: UM EXEMPLO DE ALICIAMENTO IDEOLÓGICO E CORROMPIMENTO PEDAGÓGICO

Escrito por 

O PT sempre acreditou que dinheiro público dá que nem capim.

 

No último mês de abril, fui conhecer Foz do Iguaçu e suas famosas atrações, entre elas a usina da Itaipu Binacional, uma obra portentosa de engenharia cuja grandeza causa admiração. Felizmente, essa valorização natural do trabalho dos engenheiros que a construíram não é afetada pela decepção de saber que a empresa foi usada pelas criaturas das trevas que povoaram o poder de 2003 a 2016 para oferecer benefícios completamente alheios à geração de energia. [Ver, neste link e neste que, em apenas cem dias, a administração do novo governo federal já economizou R$ 163 milhões]. Entretanto, não é sobre esse desvio de objetivos que pretendo escrever, mas sobre outro, um subproduto dessa apropriação que nos leva às raias da estupefação e da indignação.

Quando o furgão da empresa de turismo estava nos primeiros quilômetros da comprida Avenida Tancredo Neves, que conduz à entrada da usina propriamente dita, notei um enorme esqueleto de concreto à esquerda, com aparência de que havia sofrido um bombardeio. Antes que alguém lhe perguntasse, o motorista foi logo dizendo a todos que se tratava, literalmente, “de uma universidade que a Dilma ia construir para alunos brasileiros, paraguaios e argentinos, mas que faltou dinheiro e que por isso a obra teve que parar”. Perguntei-lhe, então, em minha absoluta ignorância, o que tinha acontecido e se havia alunos e ele me respondeu, também ao pé da letra, que aquele “edifício não chegou a ser inaugurado, mas que a universidade (ele não sabia ao certo o nome) estava funcionando em alguns prédios no centro da cidade de Foz do Iguaçu”.

Movido pela curiosidade, resolvi fazer rápida pesquisa nas ruas populosas e tortuosas da internet e comecei aprendendo que a ideia de sua criação data de 2007, primeiro ano do segundo mandato petista e foi efetivada, já sob a sombra “daquela que estoca ventos”, pela Lei nº 12.189/2010. Localizada na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, a Universidade tem como missão “formar recursos humanos aptos a contribuírem com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina, especialmente no Mercosul”, sendo a primeira universidade pública no Brasil com uma cota de 50% das vagas destinadas a estrangeiros. 

O PT sempre acreditou que dinheiro público dá que nem capim.

Aprendi também que a UNILA (este é o nome da instituição, sigla para Universidade Internacional da Integração Latino-Americana) foi a décima terceira universidade estatal criada pelo PT, que para a construção de sua sede contou com um investimento de R$ 550 milhões, com projeto de Oscar Niemeyer. O terreno de 45,7 hectares, localizado no da hidrelétrica, foi doado pela empresa e o projeto previa a construção de nove prédios com salas de aulas, diretórios, restaurantes, bibliotecas, um teatro com  12.000 metros quadrados, laboratórios, recepção, edifício central de 22 andares, galeria de utilidades, etc. O Ministério da Educação alocou uma verba de R$ 284,6 milhões para a execução do projeto e as obras tiveram início em 6 de julho de 2011, com previsão de término para junho de 2013.

Mas eram tempos de PT e, sendo assim, por um misto de possibilidades de enriquecimento pessoal com ideologia tosca, ali onde imaginaram um prédio de 22 andares com 22.000 metros quadrados, o que se vê hoje é um monumento vergonhoso à inépcia administrativa, à corrupção destrutiva e à ideologização obsessiva: um esqueleto de 13 andares, com espetos de ferro em seu topo, que seriam os alicerces dos 9 andares restantes a serem construídos, ladeado por uma estrutura em forma de arco no chão, com 33.000 m2, imaginada para ser a base de um prédio com 96 salas de aulas que cruzaria o campus e que hoje mais se parece com uma ponte ligando o aliciamento ideológico ao corrompimento pedagógico.

Segundo matéria publicada em outubro de 2017 pela revista Época, “no projeto montado pelo governo, um campus projetado por Niemeyer custaria R$ 450 milhões. Sem a assinatura do arquiteto, o orçamento cairia para R$ 400 milhões. Avaliou-se que o impacto positivo de ter um campus com a assinatura de Niemeyer justificaria a diferença – ele poderia funcionar como um centro cultural e mais um ponto turístico na região”.

Lula da Silva tentou, em 2007, obter aval para o projeto ideológico megalomaníaco de seu partido, apresentando proposta formal aos presidentes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. Meses depois, em reunião dos ministros da Educação dos quatro países, concluiu-se (com exceção do voto do Brasil), que era prematura a criação de uma universidade em conjunto. Fernando Haddad, o ministro na época, declarou posteriormente (segundo a Época, na mesma matéria), que “Lula sabia que criar uma universidade em conjunto demoraria muitos anos, e ele queria que isso acontecesse na sua gestão. Por isso, fizemos sozinhos”. Ora, como bem sabemos, eles não fizeram “sozinhos”, porque foram bancados pelos pagadores de impostos residentes no Brasil.

O projeto de Niemeyer – melhor dizendo, do seu escritório, já que ele tinha mais de 100 anos na época -, que Itaipu apresentou saiu bem caro e, mesmo com os técnicos da empresa fazendo muitas adaptações antes do início das obras, já se podia prever que o custo seria mais elevado do que o previsto inicialmente. Projetos do famoso arquiteto comunista, por mais bonitos e atrativos que possam parecer, sempre foram desprovidos de praticidade, de preocupação ambiental e, principalmente, de cuidados com o conforto dos usuários.

É curioso o relato de Jorge Samek, ex-presidente da hidrelétrica, sobre a visita que fez a Niemeyer no Rio de Janeiro, para convidá-lo a desenhar o portal de entrada da universidade: “Niemeyer ficou empolgadíssimo. Tirou da gaveta desenhos que fizera para JK e me contou das conversas que tivera com o antigo presidente e com Darcy Ribeiro sobre a importância de uma universidade como a UNILA para a geração de conhecimento latino-americano”. Diz ainda que voltou para Foz do Iguaçu com uma oferta do bondoso arquiteto: desenhar todo o campus como um presente para o país. Porém, o que aconteceu é que o país, por meio da Itaipu Binacional, teve que pagar cerca de R$ 2 milhões pelo “presente recebido”, apenas para remunerar o escritório do mui valoroso, caridoso e patriota pop star da arquitetura.

A primeira etapa da obra contemplaria a construção de três prédios: o administrativo, o de aulas e o restaurante. Com investimento de R$ 240 milhões e prazo de conclusão de dois anos, isso seria suficiente para que a UNILA passasse a funcionar no local. As obras da segunda fase incluiriam o teatro, os laboratórios e a biblioteca. Até o final de 2017 já tinham sido consumidos mais de R$ 120 milhões na construção, mas não havia dinheiro para concluí-la. De acordo com o MEC, naquela altura seriam necessários mais de R$ 800 milhões para tal.

Ocorreram diversos conflitos jurídicos entre o consórcio construtor (Mendes Junior e Schahin) e os contratantes (UNILA), que podem ser assim resumidos: nove meses depois do início das obras, o consórcio pediu um aditivo financeiro ao edital “por aumento do número de pilares e blocos de fundação da obra” e por uma “descoberta geológica inesperada”. Pedidos subsequentes de aumento de orçamento levaram a uma auditoria do Tribunal de Contas da União na obra em 2012, que detectou duas anormalidades: sobrepreço e planilhas orçamentárias incompletas. O reajuste solicitado pelas construtoras foi recusado e seguiram-se sucessivos atrasos nas obras e, como os pagamentos estavam condicionados às entregas das mesmas, a relação do consórcio com o governo federal transformou-se em uma guerra, em que o consórcio se recusava a pagar as multas aplicadas por atraso nas entregas, alegando que os atrasos eram motivados por gastos não cobertos pelo governo.

Em junho de 2014, já em meio ao estouro da Lava Jato, a Mendes Junior e a Schahin comunicaram que finalizariam partes críticas que estavam sendo erguidas até o fim do ano, mas não tocariam mais a obra. Nova auditoria, feita no segundo semestre de 2014 pelo Tribunal de Contas da União, identificou quatro irregularidades: atrasos injustificáveis nas obras, pedido de aditivo de pagamentos fora das hipóteses legais, execução de serviços com qualidade deficiente e acréscimos em percentual superior ao legalmente permitido. Novas multas foram aplicadas. Nenhuma delas foi paga.

Logo depois de ter abandonado o consórcio, a Schahin foi acusada na Operação Lava Jato de ter pagado propina a dirigentes do PT e em 2016 a Mendes Junior foi punida pela Controladoria Geral da República, também acusada de conluio e propina pela Operação Lava Jato.

Para completar o engodo, a auditoria final concluiu, após diversas perícias, que as obras foram abandonadas sem as medidas de proteção obrigatórias. Entre as infrações mais graves estavam dutos e canos do sistema de água e esgoto deixados a céu aberto e o muro de arrimo usado no aterro da obra sem conclusão. O prédio de aulas foi interrompido com apenas 40% da estrutura erguida. O edifício administrativo, que deveria ter 22 andares, foi deixado com 13 andares de concreto erguidos e os túneis subterrâneos, assim como o restaurante, inacabados. A falta das medidas de proteção das obras inacabadas deixava os alicerces da obra sujeitos a alagamentos e desgaste pela exposição ao sol, à chuva e ao vento.

O processo do governo contra o consórcio cobrou R$ 57 milhões (sem correção) e os valores gastos, desde 2015, com aluguéis dos prédios de aulas e, em contrapartida, o consórcio processou o governo por serviços executados e não pagos em mais de R$ 51 milhões e solicitou a suspensão das multas.

Com os permanentes conflitos entre as partes, o projeto parou e foi abandonado, mas só depois de ter recebido verba suplementar, em 2016, de R$ 1,5 milhão em medidas de proteção do canteiro, para que não se deteriorasse de vez, finalizadas no fim de 2017. Hoje, sabe-se que isso de nada adiantou. É triste, porém verdadeiro, o que a repórter da Época escreve na mesma matéria:

“Onde a esta altura deveria haver uma pequena multidão de jovens estudantes, o que há hoje são poças d’água (mesmo em uma semana sem chuvas) salpicando grandes extensões de terra vermelha. Nessa faculdade fantasma, as botas são parte obrigatória do uniforme: é fácil afundar os pés em montes fofos de terra a caminho do núcleo principal das obras. Não há rua pavimentada até lá. Uma estrada de terra vermelha batida, aberta para a passagem de caminhões e tratores, segue da Avenida Tancredo Neves ao canteiro de obras.”

Uma universidade a serviço de uma ideologia

Cabe lembrar que, naqueles tristes tempos, a política externa brasileira era caracterizada pelo amorinismo, a crença de que quando uma região é pobre isso necessariamente acontece porque é explorada por alguma outra região rica e que a maneira de quebrar essa terrível maldade é adotar o lema segundo o qual o somatório das pobrezas produz riquezas. Nas cabeças da diplomacia petista o caminho para o Brasil era fazer birra com os Estados Unidos e a Europa e abraçar alegremente qualquer país pobre, dando preferência, naturalmente, aos socialistas. Eram tempos em que a esquerda alimentava e tentava realizar seus velhos sonhos – pesadelos, a bem dizer – internacionalistas, com a UNASUL e a URSAL. 

A primeira pretendia ir muito além do Mercosul (que objetivava apenas criar uma zona de livre comércio entre seus membros), ao almejar tornar-se um espaço de ações conjuntas de integração social, cultural, política, econômica, ambiental e científica. E a URSAL – União das Repúblicas Socialistas da América Latina, que alguns críticos do PT acreditavam ser um perigo iminente, mas que, obviamente, nunca foi confirmado explicitamente pelos esquerdistas (embora se encontre referências a uma misteriosa Pátria Grande), aspirava à criação de uma cópia da antiga URSS em que se falasse espanhol e português. A propósito de tal maluquice, esse vídeo de uma entrevista do ex-presidente Lula da Silva dá pano para mangas, pois deixa claro que por trás do discurso verborrágico oficial havia um projeto bolivariano. (Outro vídeo sobre o tema pode ser visto aqui).  Quanto à Pátria Grande, que simplificando as coisas é outro nome para a URSAL, um projeto político de constituição de um só país abrangendo os estados da América do Sul hispânica, depois ampliado para abranger toda a América espanhola e o Brasil, ver aqui outro vídeo bem sugestivo, com um discurso em que o ex-presidente exibia sua habitual logorreia.

Ao juntar a fome com a vontade de comer e o apetite, isto é, o lulopetismo com o castrismo e o bolivarianismo, não é nada difícil enxergar até onde as “esquerdas” queriam chegar. E a UNILA foi um dos numerosos instrumentos de que se utilizaram na guerra cultural.  Os sítios petistas vangloriam-se de dizer que, entre 2003 e 2016, o governo deles criou 18 novas universidades federais, 173 campus universitários e “mais de 360” (estranho, não?) institutos federais, praticamente duplicando o número de alunos. (confira) Como se isso fosse de fato uma prova incontestável do acerto de seu projeto batizado em 2011 de pátria educadora... 

Na verdade – e é preciso ser um fanático de esquerda para negar -, o que aconteceu foi a massificação do ensino superior, sem qualquer preocupação com a qualidade e, muito pior, a ampliação do uso das universidades públicas como instrumentos de propagação das ideias socialistas e comunistas.

O cientista político Wilson Ferreira Cunha, professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), em entrevista de setembro de 2016, faz duras críticas à educação brasileira e diz que os 13 anos da era PT à frente do governo federal levaram a educação brasileira ao atraso. Afirmou ainda, categoricamente, que o lulopetismo institucionalizou um patrulhamento na educação brasileira comparável ao que presenciou quando estudou na União Soviética durante o período de Leonid Brejnev, o último ditador soviético. E emenda:

“Começa pelos reitores das instituições federais de ensino e até das universidades particulares, que são atrelados aos programas obsoletos do Ministério da Educação. Há um “puxa-saquismo” geral nos meios da Educação. É preciso tirar isso, o que será muito difícil, porque é um sistema orgânico inserido na Educação brasileira, que vai levar uns 50 anos”.

Com efeito, o MEC do PT criou alguns arquétipos que precisam ser destruídos a fim de restaurar a qualidade da educação e que servem para nos ajudar a entender o caso da UNILA e muitos outros.

O primeiro é o de que as avaliações de alunos devem ser realizadas por trabalhos em grupos, o que representou a consagração oficial daquele mote de meus tempos de estudante, segundo o qual na universidade nada se cria e tudo se copia, porque a regra geral é que um aluno faça o trabalho e os outros do grupo apenas assinem. 

O segundo é a colocação da formação do conhecimento em plano inferior ao que os esquerdistas chamam de “pensamento crítico”, um eufemismo vulgar para marxismo e em que a crítica só é aplicável a quem pensa fora dos padrões “progressistas”.

Outro ponto é a desvalorização da ordem, da disciplina e da cobrança e a valorização da moleza, da indisciplina e da transigência nas salas de aula, o que torna os alunos meros frequentadores diletantes de aulas, sem obrigações e responsabilidades. Cada vez foram se tornando mais raros os alunos que buscavam de fato adquirir conhecimento, ao mesmo tempo em que aumentava o número de universitários semianalfabetos, que não sabem fazer simples contas, nem expressar-se verbalmente ou por escrito. 

Em quarto lugar, a valorização exagerada das atividades ditas “sociais”, ou seja, de trabalhos alheios ao estudo, a pretexto de promover a “inclusão”, a “diversidade”, as agendas LGBT e feminista, a “igualdade”, a “justiça social” e outros mantras.

Quinto, a ideia de que a metodologia resolve todos os problemas, mesmo se for desprovida de conteúdo.

Sexto, a valorização de uma infinidade de pesquisas sobre temas fúteis, banais ou voltadas para a pura militância e a pouquíssima atenção à excelência acadêmica. Tornou-se comum aquele aluno que entra no mestrado e doutorado por entrar, como se entra em um boteco, sem qualidade, sem utilidade. A título de exemplo, vejamos os títulos de alguns trabalhos mais recentes de conclusão (TCCs) em alguns cursos de graduação escolhidos aleatoriamente (um TCC por curso):

Economia: Crítica a la teoría y la práctica neoliberal (y keynesiana) a partir del marxismo, vinculado al caso peruano

Antropologia: “Eu quero dizer quem sou eu!”. Subjetividade, identidade e reconhecimento de mulheres transexuais moradoras de Foz do Iguaçu-PR

Arquitetura: Ligadonas na tomada do cool da madrugada: Drag Queens e a violência de gênero em sanitários de bares e casas noturnas de Foz do Iguaçu 

Ciência Política e Sociologia: Cuerpas Gordas: Gordofobia, Feminismo y Activismo de la Gordura en Brasil 

História: História das mulheres negras: empoderamento na organização da marcha das mulheres negras 2015

Letras: Paradoxo da Vida Nua: ensaio para a desconstrução do corpo feminino na fotoperformance  

Relações Internacionais: Hegemonia, Imperialismo e a Guerra na Síria: Elementos para a análise do Sistema Internacional Contemporâneo

Música: Vozes LGBTI+ na música popular brasileira: um estudo sobre o comportamento vocal de cantoras LGBTI+ a partir do lançamento dos ep’s de Pabllo Vittar, Liniker e Gloria Groove.

 

Pois é, como se diz por aí, é mole ou quer mais? 

Por favor, releia este último, o da Faculdade de Música e veja se não é o fim da picada. De música mesmo, só o nome das “cantoras”, porque o texto inteiro é aquele nhe-nhe-nhem esquerdista de sempre. Confesso que a prudência me leva a parar a lista por aqui, dado que, diante da enorme “relevância” dos temas abordados, receio que venha a cometer o crime de screen break, o que atingiria meu próprio bolso.

Você empregaria um economista com essa formação?

Ao examinar as estruturas curriculares dos cursos de graduação oferecidos na UNILA, meu queixo, que àquela altura já estava no nível do chão, desceu incontinenti ao subsolo. Tomando a minha área - Economia - como exemplo, vi coisas inacreditáveis e muito preocupantes. A bem dizer, apocalípticas.

Para começo de conversa, das 44 disciplinas necessárias para concluir o curso (sem contar o TCC), há apenas seis de teoria econômica que constam como obrigatórias, ou seja, 13,6%! São elas Microeconomia, Macroeconomia, Economia Monetária, Economia Internacional, Teorias do Crescimento Econômico e Teorias do Desenvolvimento, cada uma com carga de 68 horas e ministrada em apenas um semestre letivo. Simplesmente ridículo!

Ao observar a bibliografia básica, nenhum espanto: do começo ao fim, autores de esquerda, desde alguns keynesianos toleráveis até vários marxistas raivosos. Pluralidade? Ora, para quê, se eles são os donos da verdade? Nenhuma menção a qualquer autor liberal, nem mesmo algum monetarista ou novo clássico e muito menos – confesso que isso já seria pretensão demais da minha parte! – um solitário austríaco. Talvez a exceção seja Microeconomia, porém qualquer economista sabe que nessa disciplina não há muito espaço para divergências e invencionices. O livro básico de Teorias do Crescimento Econômico, por exemplo, é uma crítica sraffiana às teorias de crescimento neoclássicas e os três de Teorias do Desenvolvimento, como o título do primeiro deles sugere, estão para o verdadeiro desenvolvimento assim como o rei Herodes está para os bebês nos Evangelhos (Economia do Subdesenvolvimento, de Agarwala e Sing, Teoria e Politica do Desenvolvimento Econômico, de Celso Furtado - uma espécie de paulofreire econômico na seita dos progressistas tupiniquins - e O Estruturalismo Latino-Americano, de Rodriguez, um resumo do besteirol démodé da Cepal).

Resumindo, é quase certo que se esteja lidando com um caso de produção em série de Bressers, Mantegas, Barbosas,Tavares, Lessas, Belluzzos, Mercadantes, Coutinhos e seus fiéis devotos que são docentes em nossas universidades públicas e em não poucas privadas. 

Só mesmo exclamando como São Bento. Crux sacra sit mihi lux, ou, em linguagem mais popular, pé de pato mangalô três vezes... Entretanto, na última avaliação do MEC, em 2015, o curso de Ciências Econômicas - Economia, Integração e Desenvolvimento da UNILA, obteve nota 5, ou seja, a máxima.

Você empregaria em sua empresa um economista com formação semelhante? Deixo a resposta a seu cargo.

Anexo

MATRIZ CURRICULAR DO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÕMICAS – ECONOMIA,  INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

1º SEMESTRE

FUNDAMENTOS DE AMÉRICA LATINA I

PORTUGUÊS ADICIONAL BÁSICO / ESPANHOL ADICIONAL BÁSICO

HISTÓRIA ECONÔMICA GERAL I

PRÉ-CÁLCULO

HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO

 

2º SEMESTRE

FUNDAMENTOS DE AMÉRICA LATINA II

INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO CIENTÍFICO

MATEMÁTICA APLICADA À ECONOMIA I

FORMAÇÃO DOS ESTADOS MODERNOS E DO PODER

ECONOMIA POLÍTICA I

HISTÓRIA ECONÔMICA GERAL II

 

3º SEMESTRE

FUNDAMENTOS DE AMÉRICA LATINA III

ÉTICA E CIÊNCIA

ECONOMIA POLÍTICA II

SOCIEDADE, ESTADO E MERCADO

MATEMÁTICA APLICADA À ECONOMIA II

MICROECONOMIA

 

4º SEMESTRE

ESTATÍSTICA

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

ECONOMIA INDUSTRIAL

MACROECONOMIA

ANTROPOLOGIA ECONÔMICA 

 

5º SEMESTRE

FORMAÇÃO ECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA

ECONOMIA MONETÁRIA

ECONOMIA INTERNACIONAL

ESTATÍSTICA ECONÔMICA

ECONOMIA POLÍTICA INTERNACIONAL

OPTATIVA I

 

6º SEMESTRE

ECONOMIA DO SETOR PÚBLICO

ELABORAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS PÚBLICOS

ECONOMETRIA

ECONOMIA LATINO AMERICANA CONTEMPORÂNEA

PADRÕES MONETÁRIOS INTERNACIONAIS

TÉCNICAS DE PESQUISA EM ECONOMIA

OPTATIVA II

 

7º SEMESTRE

TEORIAS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO

TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO

MONOGRAFIA I

OPTATIVA III

OPTATIVA IV

 

8º SEMESTRE

INTEGRAÇÃO E BLOCOS ECONÔMICOS REGIONAIS

MONOGRAFIA II

OPTATIVA V

OPTATIVA VI

Nota: as disciplinas de teoria econômica obrigatórias estão em vermelho. (em negrito)*

 

DISCIPLINAS OPTATIVAS OFERECIDAS

A QUESTÃO AMAZÔNICA E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL /ANÁLISE DAS RELAÇÕES SUL-SUL /HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO E SOCIAL LATINO AMERICANO /ANÁLISE DE DADOS EM GEOGRAFIA /CONESUL: FORMAÇÃO ECONÔMICA E DESAFIOS ESTRUTURAIS /ECONOMIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA /ECONOMIA DO ESPAÇO RURAL /ECONOMIA E MEIO AMBIENTE /ECONOMIA ESPACIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL /ECONOMIA POLÍTICA III/ ECONOMIA, VALOR E MEIO AMBIENTE/ ELABORAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS/ ESTADO E POLÍTICAS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA/ESTRUTURA  AGRÁRIA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO /EXPERIÊNCIAS COMPARADAS DE DESENVOLVIMENTO/ FINANÇAS DAS ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS/ FINANCIAMENTO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL/ FORMAÇÃO ECONÕMICA DO BRASIL/ GEOGRAFIA POLÍTICA E GEOPOLÍTICA: TERRITÓRIO E PODER / GLOBALIZAÇÃO, REGIONALIZAÇÃO E  DESENVOLVIMENTO/ HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA/HISTÓRIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS /INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO LATINO AMERICANO/ INSTITUIÇÕES, INTEGRAÇÃO E DIREITO  INTERNACIONAL / MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS NA AMÉRICA LATINA/ MERCADO DE TRABALHO E INTEGRAÇÃO/ MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS/ POLÍTICA E PLANEJAMENTO ECONÕMICO/ POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AGRICULTURA E ESPAÇO RURAL /PROCESSOS E TEORIAS DA INTEGRAÇÃO/TÓPICOS ESPECIAIS DE CIÊNCIA POLÍTICA/ TÓPICOS ESPECIAIS DE DESENVOLVIMENTO/     TÓPICOS ESPECIAIS DE ECONOMETRIA/ TÓPICOS ESPECIAIS DE ECONOMIA BRASILEIRA/ TÓPICOS ESPECIAIS DE MICROECONOMIA /INTRODUÇÃO À LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS /DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA NA AMÉRICA LATINA/ TÓPICOS ESPECIAIS DE MACROECONOMIA: FINANÇAS NUMA ECONOMIA ABERTA

 

* em negrito pela editora RPLIB

Última modificação em Quarta, 19 Junho 2019 18:36
Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.