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27 Mar 2005

O Significado Real da Páscoa

Escrito por 

A Ética Cristã, assim posta em ação concreta, ensinada e treinada desde a tenra idade infantil, rompeu os barreiras dogmáticas que separavam a cultura filosófica e científica da consecução da Verdade, e a cultura moral e artística do Bem e da Beleza.

"Quando um povo sabe para onde vai, o mundo inteiro afasta-se para deixá-lo passar"
(Tadanobu Tsunoda, historiador japonês)

 

Não fosse a Internet, não teríamos a oportunidade de interagir com tamanha velocidade e ubiqüidade. Como os desígnios divinos nos movem em direções providenciais, não podíamos deixar de enviar palavras relativas à celebração cristã da Páscoa - pois, ela sempre nos tocou mais fundo do que qualquer outro evento judáico-cristão. Para o povo judeo, trata-se do Pessach, a festa comemorativa da sua libertação do cativeiro faraônico.

O significado da Ressurreição é mais prontamente captado pelos povos acima do Equador, coincidindo com a estação da Primavera. No Hemisfério Meridional, a idéia costuma exigir uma percepção mais sutilmente filosófica, que nos permita entender que os ciclos temporais da Natureza correspondem às etapas espirituais do pecado, da sobrevivência, da morte e  da derradeira passagem para outra dimensão. Tal entendimento descortina, a quem cultive o hábito salutar de amar a Deus sobre todas as coisas, um cenário grandioso de respostas aos problemas políticos e sociais da heróica vivência humana, em suas dimensões materiais e espirituais.

A Reforma soube sistematizar o significado cristão da Páscoa, resultando em benefícios de ordem prática, para os povos que a adotaram em suas profundas reformulações éticas-religiosas. Poderemos citar, assim por exemplo, na área econômica, o lucro abençoado - se advindo do capital, fruto da iniciativa honesta ou do labor dignamente recompensados. O empenho responsável e a educação cristã familiar continuada,transformaram povos muito limitados a territórios desfavorecidos em poderosos empórios de progresso, de realizações plenas, em todos os níveis da capacidade e do engenho humanos.

A Ética Cristã, assim posta em ação concreta, ensinada e treinada desde a tenra idade infantil, rompeu os barreiras dogmáticas que separavam a cultura filosófica e científica da consecução da Verdade, e a cultura moral e artística do Bem e da Beleza. Em contra-partida, a ausência de educação religiosa, em país como o dos Brasis, tem sido uma das razões para o declínio da moralidade ética -  o mais forte pilar da Democracia. Ao país  não foram dispensadas as  atenções espirituais devidas, em seu período de formação histórica e, em conseqüência, foi  seu povo dramaticamente prejudicado em todos os sentidos.

A mitologia positivista da ditadura republicana,  bloqueou e deformou , na educação programada pelo Estado, a inteligência infantil. Isolou-se a vida escolar de toda uma base familiar cristã - ou seja, eliminou-se, na formação das almas,  a influência de valores espirituais e  foi promovida a difusão cultural de uma mitologia provinda de implante sinistro, o da Ordem e Progresso, a qualquer preço e a qualquer custo, mediante considerações  sociocráticas e  preconceituosas contra as liberdades políticas e econômicas, frustrando o civismo e as auto-estimas, sem expectativas de valorização autonômica  do  Indivíduo, como mola-mestre de uma sociedade aberta e políticamente contratada.

Eis a principal razão do país não estar dando certo, agravada pelas diferenças sociais e regionais profundas e tão conflituosamente administradas pelo centralismo político  exacerbado. A gradativa degenerescência, resultou em líderes e liderados sem princípios, de fibras morais amolecidas, disassociadas do espírito cristão. A decadência galopante interpenetrou na comunicação social,  progressivamente desvinculada dos valores permanentes da civilização ocidental  democrática, capitalista e cristã.

O predomínio materialista pode ser observado, diariamente, no amplo noticiário dos escândalos públicos,envolvendo políticos,servidores do Estado, até mesmo missionários, juízes,empresários, profissionais liberais, líderes de obras sociais e a própria massa de deserdados espirituais das religiões ausentes.   Nas universidades,  as ironias mal disfarçadas envolvem qualquer alusão às igrejas em geral. A dialética materialista ocupa indevidamente o espaço na formação dos homens e das mulheres dirigentes do futuro.

O belo Catolicismo, com seus universais exemplos de fé e de dignidade humana, com suas benemerências, é relegado ao plano inferior dos esquecimentos, sob análises meramente casuísticas de seus eventuais erros históricos, normais por haverem sido provocados pela própria imperfeição humana, nas ligações eclesiásticas  espúrias com as coisas de estado, tem sido vítima constante dos ataques e das críticas mal-intencionadas. E, mesmo dentro de seu construtivo e universal conteúdo pastoral, o Catolicismo tem sido tomado de assalto pelos que se pretendem adonar de sua força e de seu merecido prestígio, direcionando-o para objetivos distorcidos pelas crenças ideológicas, vocacionadas ao materialismo histórico e à escravidão do Indivíduo ao Estado onipotente.

O resultado da ausência da prática diária de religiosidade está estampado, no amplo desvirtuamento democrático em direção à desordem organizada; e, no vácuo ético correspondente, a imposição perversa ao dever jurídico, sem qualquer expectativa de Justiça.

Se desejamos a autodeterminação democrática e valorizadora do Indivíduo, como promessa republicana já iniciada, devemos nos voltar ao exercício permanente das virtudes humanas, na ressurreição diária do espírito pascal, mas que nada edificará se não representar, também, a eliminação ou contenção pragmática de nossos demônios interiores  e de nosso desamor ao próximo.

Se for nossa intenção sincera, a de criar e desenvolver uma sociedade  de confiança, moralmente sadia e politicamente estável, devemos nos orientar espiritualmente. Sem o  valor e precioso auxílio de nossas centelhas divinas interiores, não haverá a procura da real felicidade - simplesmente, como indivíduos e como nação, não saberíamos para onde ir, desmoronando em catástrofe moral irremediável.

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Revisto para a Páscoa de 2005

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 20:13
Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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