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01 Mar 2019

PROCURAM-SE VÍTIMAS

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Vivemos na época mais próspera e livre da história, mas a turma “progressista” precisa fingir que está sob uma terrível opressão.

 

Há hoje um excesso de demanda por vítimas em relação à oferta. A narrativa “progressista”, que pinta a América como uma terrível trajetória de opressão dos homens brancos às minorias, fez o valor de mercado dos supostos sofredores aumentar consideravelmente. Hoje tem gente que chega ao Congresso direto de um balcão de bar só por se vender como pobre coitado.

Não é preciso ser nenhum gênio para saber que, nesse cenário, a quantidade de “vítimas” vai explodir. O sujeito se depara com a seguinte alternativa: estudar duro, ralar muito e disputar no mercado de trabalho um espaço com base no mérito ou vestir algum figurino de coitadinho e, com base na política de identidade, galgar degraus na carreira só por pertencer ao grupo “certo”. É tentador demais.

O partido que surfa nessa onda é o Democrata. Basta ver os pré-candidatos de 2020 para perceber claramente a tendência. Todos se esforçam para ver quem consegue mais credenciais de vítima. Kamala Harris vem se destacando por ser mulher e afrodescendente. É um pacote irresistível para quem exige “a primeira presidente negra da América”, uma vez que já houve o primeiro presidente negro. O legado medíocre de Barack Obama não vem ao caso, claro.

Harris quer medidas de reparação para a escravidão. Tudo bem que não há escravos na América há 150 anos. Tudo bem que seria impossível saber quem exatamente é descendente de donos de escravos ou de escravos. Tudo bem que punir alguém hoje pelo fato de seu tataravô ter possuído escravos não é exatamente um bom conceito de justiça. E tudo bem que as desigualdades entre negros e brancos não tenham nada a ver com racismo.

Nada disso importa quando a meta é a demagogia. Quem realmente se incomoda com a condição dos negros americanos deveria falar dos efeitos perversos do estado de bem-estar social, que estimula filhos fora do casamento. Em 1960, 25% dos negros nasciam fora do casamento. Hoje o índice passa de 70%. Não ter um pai em casa é uma das principais causas do aumento na tendência de pobreza. Um fator cultural sem qualquer elo com racismo.

A péssima qualidade das escolas públicas deveria ser outra obsessão para quem se preocupa com as minorias. Mas o sindicato dos professores, um dos maiores doadores de campanha do país, é 100% democrata e tem total interesse em manter o sistema atual, em vez de adotar vouchers para permitir que pais pobres coloquem seus filhos em escolas melhores.

Quem liga? Hollywood estende seu tapete vermelho para os ricaços da elite “progressista”, que só sabe bancar a vítima. Vivemos na época mais próspera e livre de toda a história, mas a turma precisa fingir que está sob uma terrível opressão, culpa de Trump. Como faltam agressores reais, às vezes é preciso simular um ataque. Merecem o Oscar mesmo.

 

 

Fonte: ISTO É

 

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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