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01 Mar 2019

A ECONOMIA BRASILEIRA EM 2019 EM SEIS PERGUNTAS E UMA ENTREVISTA

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Por sugestão do Professor Luiz Alberto Machado, velho amigo,  colega e parceiro de muitas liças em arenas liberais, concordei em dar uma entrevista - por escrito, pois minha experiência com essas interlocuções ensinou-me que palavras voam, mas escritos ficam.

 

Por sugestão do Professor Luiz Alberto Machado, velho amigo,  colega e parceiro de muitas liças em arenas liberais, concordei em dar uma entrevista - por escrito, pois minha experiência com essas interlocuções ensinou-me que palavras voam, mas escritos ficam (verba volant, scripta manent), brocardo, aliás, que o ex-presidente Temer tentou ensinar, assim mesmo, desse jeito, em latim, à sua antecessora no final de 2015, quando trocou de time. Será publicada – parcialmente, acredito - na revista do Conselho Federal de Economia (Cofecon), sediado em Brasília e de que se pode dizer, em respeito à polidez, que está longe de ser um reduto de ideias liberais, o que me recomenda certa prudência. É curta, mas a reproduzo nesta seção de artigos mensais, primeiro em 'homenagem' a este fevereiro, o menor dos meses, que se encerra  e, segundo, por resumir minha visão atual da economia brasileira. São apenas seis perguntas, todas voltadas para o presente momento econômico e político. Provavelmente, será publicada em contraposição às de outros economistas, quase certamente de opiniões diferentes, o que sempre é bom. Transcrevo-a abaixo, ipsis litteris.

1. Previsão de crescimento para 2019: o Brasil começa uma recuperação mais robusta ou continua patinando?

Neste final de fevereiro, ainda é cedo para que qualquer previsão numérica possa ter o mínimo de precisão. Embora o caminho apontado pela equipe econômica do governo seja o melhor possível, é forte a  sua dependência de decisões que escapam ao controle técnico, porque sujeitas essencialmente a decisões do sistema político, do Congresso. O que é possível afirmar é que, se esse caminho se concretizar, a recuperação da nossa economia será líquida e certa e, além disso, sustentável. Em outras palavras, o maior perigo é o risco de recairmos na mesmice social democrata que vinha caracterizando nossa política econômica há três décadas, responsável pela monotonia do sobe e desce, sobe de novo e desce de novo...

2. Que fatores podem afetar negativamente o crescimento da economia brasileira em 2019? 

Abstraindo-nos de choques externos, não há dúvida de que o grande perigo é uma eventual rejeição por parte do Congresso às reformas propostas por Paulo Guedes e sua equipe e, dentre essas, a reforma da previdência que ora vem sendo discutida pelos parlamentares.

3. Qual setor da economia deverá ser mais importante para puxar o crescimento brasileiro?

Não devemos a priori tentar adivinhar ou estabelecer este ou aquele setor para ser o "motor" planejado. É a economia de mercado  que deve responder a essa pergunta e não o governo. O que importa é que tenham seguimento as reformas liberalizantes, no sentido de fortalecimento do empreendedorismo, da produtividade, da redução da intromissão do Estado nas liberdades individuais, do enxugamento do setor público, da redução da carga tributária, da desburocratização, etc... Se essa agenda liberal for cumprida, é certo que depois de muitos anos patinando e olhando para trás, o Brasil passará finalmente a olhar à frente e a economia a crescer como um todo, desde as atividades agrícolas mais simples até a prestação de serviços mais sofisticados.

4. O presidente Jair Bolsonaro pode ser um risco para o crescimento econômico?

Longe disso. A não ser que fatores “extraterrestres” ou “sobrenaturais” – eventos praticamente impossíveis - venham a ocorrer, esse risco é praticamente zero. Uma economia que resistiu a Lula e, especialmente, à extraordinária incompetência das equipes econômicas de Dilma Rouseff, que quase a conduziram ao colapso, não tem como ser prejudicada por um governo cuja política econômica siga as linhas delineadas pelo Ministério da Economia do presidente Bolsonaro. Pelo contrário, a guinada em favor da liberdade econômica que o governo vem iniciando só poderá beneficiar quem deve ser de fato beneficiado - os consumidores, os empreendedores, os indivíduos, enfim - e não a servir a meia dúzia de grandes "empresários" escolhidos, sabe-se lá por que critérios, mas sempre à custa dos pagadores de impostos, como vinha ocorrendo há bastante tempo.

5. O fato de o Brasil estar com um crescimento baixo faz com que inflação e juros deixem de ser uma preocupação para 2019?

A inflação sempre é uma preocupação, porque é a grande inimiga do crescimento de longo prazo, autossustentado. A boa teoria econômica sempre ensinou que o controle da inflação é uma condição necessária, mas não suficiente, para o crescimento de longo prazo da economia. Porém, caso a política econômica proposta pelo governo tenha sequência e o Congresso lhe dê a sustentação fiscal necessária, inflação e juros certamente não estarão entre as preocupações maiores neste ano.

6. Em que medida o sucesso da economia brasileira em 2019 depende da reforma da previdência?

Muitas reformas precisam ser feitas, mas a da previdência é de fato a mais importante, não por ideologia, mas pela Matemática. Negar sua necessidade é uma agressão rupestre à Aritmética mais simples. Manter as regras previdenciárias atuais implicará  deterioração ainda maior das contas públicas, elevação da taxa de juros e forte redução do crescimento da economia, resultando em acréscimo adicional dos gastos previdenciários de aproximadamente R$ 1,1 trilhão nos próximos 10 anos. Isso significa uma brutal ampliação do déficit público, que terá que ser financiada por elevação da dívida pública e/ou aumentos de impostos e/ou simples emissão de moeda. A manutenção das regras atuais coloca em risco a aposentadoria dos brasileiros, principalmente das gerações futuras. Isso é absolutamente injustificável sob o ponto de vista moral.

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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