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24 Fev 2019

REFLEXÕES DE UM FILHO DA DITADURA

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 Sou cristão e acho que ainda há uma esperança para os adolesvelhos: basta que eles substituam a ideologia pela estrutura da realidade; que parem de acreditar no que é mero produto da mente (mentira) e passem a aceitar o que é criado por Deus (verdade). Menos Che, mais Chesterton.

Por PAULO BRIGUET, da FOLHA DE LONDRINA

Pertenço à geração nascida entre os anos 60 e 70, os filhos da ditadura. Há um denominador comum entre as pessoas que hoje têm mais ou menos a minha idade: todos nós, em alguma medida, passamos por um processo de esvaziamento espiritual, operado pela ideologia. Muitos conseguiram se salvar, não sem uma luta dramática; outros sucumbiram no meio do caminho; e uma terceira categoria, infelizmente numerosa, parou no tempo, integrando a imensa legião de adolesvelhos que hoje perambulam por aí, reféns das mentiras esquecidas em que ainda acreditam. Seus heróis não são santos nem mártires, mas terroristas e ditadores. Suas referências intelectuais não são escritores nem filósofos, mas ex-compositores de MPB.

Sou cristão e acho que ainda há uma esperança para os adolesvelhos: basta que eles substituam a ideologia pela estrutura da realidade; que parem de acreditar no que é mero produto da mente (mentira) e passem a aceitar o que é criado por Deus (verdade). Menos Che, mais Chesterton.

A propósito, Chesterton dizia que quem não acredita em Deus passa a acreditar em qualquer coisa. Os adolesvelhos abandonaram Deus e passaram a acreditar em ídolos modernos, tais como a "justiça social" e "estado laico". Essas expressões que coloquei entre aspas foram esvaziadas de sentido, assim como seus usuários. "Justiça social" passou a ser tudo aquilo que determinado partido ou grupo ideológico defende, mesmo que seja obtido à custa de roubo, traição e assassinato. "Estado laico", uma ideia originalmente útil para proteger a Igreja contra os ataques do governo e garantir a liberdade religiosa, tornou-se a senha para proibir qualquer manifestação espiritual de origem judaico-cristã. Na opinião dos adolesvelhos, rezar o Pai-Nosso em público é crime.

Os adolesvelhos defendem a luta de classes, o aborto, a liberação das drogas, o silenciamento do cristianismo, a destruição dos valores familiares, a doutrinação ideológica nas escolas e universidades, a divisão da sociedade em grupos antagônicos, a relativização de crimes, a impunidade de criminosos, a abolição das fronteiras e a onipresença do Estado. Fazem tudo isso, às vezes inconscientemente, como quem diz bom-dia. E não pensem que o autor desse texto se acha imune ao processo. Pelo contrário: às vezes eu me flagro defendendo ideias e causas adolesvelhas cuja motivação estava adormecida no fundo da minha alma. Como diz o ditado: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". No caso, autovigilância.

Sim, eu também sou um filho da ditadura. Essa ditadura que tomou conta das escolas, das universidades, da burocracia estatal e de grande parte da mídia. Uma ditadura que espalha seus tentáculos sobre as almas das pessoas. Não a ditadura militar, mas a ditadura militante.

Que Deus me proteja de virar um adolesvelho!

 

 

 

Última modificação em Segunda, 04 Março 2019 10:02

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