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03 Jan 2019

COLETES AMARELOS E SUAS MÁSCARAS

Escrito por 

 

 

 

Caros liberais, onde eu espero que venha um mínimo de sanidade nisto tudo, que há de racional em protestar contra um aumento de imposto quebrando e vandalizando patrimônio público e privado? Não sejam tolos. Isto é fomentado por partidários da Direita de Marie Le Pen e os clássicos sabotadores da Esquerda que temem o governo reformista de Macron, que sim, tem sido correto na medida do possível e pretendia tirar privilégios da casta sindical, mas que infelizmente já parece ter capitulado.

 

O que vocês leram e ouviram sobre a revolta dos “coletes amarelos” na França? Eu li um amontoado de asneiras, de todas as estirpes políticas. O texto abaixo, com uma série de exigências (ou “demandas”) do movimento só prova o que eu já havia intuído lá atrás, de que a revolta e caos generalizado no país não tinha nada a ver com “indignação contra a social-democracia”, como alguns tontos liberais divulgaram em suas redes sociais e canais de YouTube (especialmente estes com dezenas de milhares de seguidores afoitos por interpretações que corroboram seus preconceitos). Logo vi que toda aquela destruição não era por nenhum imposto ecológico, basta uma leitura rápida para entender que estatização de empresas e oposição à Otan não tem absolutamente nada a ver com o custo do combustível. Isso, nada mais foi do que o aproveitamento de uma situação para inflamar o país com os eternos descontentes e vândalos profissionais. Lixos, escória, sem deixar de mencionar os burros brasileiros da Nova Direita que repetem bovinamente um argumento anti-establishment tão fora da realidade quanto o discurso revolucionário ultrapassado da velha Esquerda. Dois grupos estúpidos que se merecem.

De um lado, a carcomida Esquerda falando em “Nova Revolução Francesa”, de outro, a alucinada Direita que deve se basear em alucinógenos de primeira falando que “os globalistas”, “George Soros” é que estão por trás e, não esqueçamos deles, os limitados liberais que só enxergam tudo pelo viés econômico de questões que são mais complexas dizendo que é “o desgaste da social-democracia”. Lembram-se da “Primavera Árabe” em 2010? Dependendo do “solo” onde foi lançada a semente da insurreição, o resultado pode ter sido totalmente diferente: na Tunísia, com a derrubada de um ditador e restabelecimento da democracia, no Egito, idem, mas que levou um grupo fundamentalista ao poder, a Irmandade Muçulmana, para depois também ser derrubada, na Líbia e na Síria, guerras civis. Ou seja, não há fórmula para o sucesso e o que se entende por “sucesso” depende dos atores em questão. Aqui no Brasil, como sabemos, o processo ainda está em curso e a integração entre movimentos sociais e processos institucionais, como a Lava-Jato ainda renderão frutos, promissores espero. Mas, o que dizer da França? Tal e qual ocorreu em 2013, com as manifestações contra o aumento das passagens do ônibus em 20 centavos, elas capitalizaram vários outros grupos com ideários distintos (pena de morte, intervenção militar etc.) e que fugiram completamente ao script original de seus formuladores. Se me entenderam, as manifestações na França não foram contra imposto ecológico, ao menos não em sua expressão final e calamitosa.

Caros liberais, onde eu espero que venha um mínimo de sanidade nisto tudo, que há de racional em protestar contra um aumento de imposto quebrando e vandalizando patrimônio público e privado? Não sejam tolos. Isto é fomentado por partidários da Direita de Marie Le Pen e os clássicos sabotadores da Esquerda que temem o governo reformista de Macron, que sim, tem sido correto na medida do possível e pretendia tirar privilégios da casta sindical, mas que infelizmente já parece ter capitulado.

 

 

 

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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