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02 Dez 2018

O PODER DAS IDEIAS

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No âmbito dos costumes temos um desejo de resgate dos valores conservadores. De onde vem isso? Justiça seja feita, Olavo de Carvalho vinha pregando nesse deserto há anos, e não por acaso hoje é o “guru” de Bolsonaro, e já indicou dois ministros. Agora jornalistas querem entender melhor quem ele é e o que pensa, mas uma legião de seguidores já o acompanha faz tempo.

 

“Mude as ideias, e você poderá mudar o curso da história”, disse Edmund Burke. “Nada nesse mundo é tão poderoso como uma ideia cuja hora é chegada”, constatou Victor Hugo. “Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão”, observou Ludwig von Mises. Esses são apenas alguns dos muitos pensadores que compreenderam a importância das ideias no rumo de uma sociedade.

Vivemos tempos interessantes e desafiadores no Brasil. Após 14 anos de desgraça petista, e décadas de hegemonia “progressista”, finalmente temos a chance de dar uma guinada à direita. Bolsonaro soube, como político, capturar e fomentar esse clima, mas ele também é mais sintoma do que causa. Por trás desse ambiente reformista há o esforço contínuo e coletivo de diversos defensores da liberdade.

Podemos começar com o próprio Paulo Guedes, que será o poderoso ministro da Fazenda. Guedes prega a receita liberal há décadas, apontando para o esgotamento do modelo socialdemocrata vigente. Pegou a tocha carregada antes por Roberto Campos, praticamente sozinho, e a manteve acesa. Agora terá a oportunidade de finalmente colocar em prática as ideias liberais.

Mas ele não estava sozinho, e isso fez toda a diferença. Os “think tanks” estavam disseminando os valores liberais há anos, e com o advento das redes sociais a mensagem alcançou milhões de brasileiros. Do Instituto Liberal fundado por Donald Stewart, e do qual tenho a honra de ser presidente, temos diversos nomes compondo o próximo governo. Não é por acaso.

A turma jovem do MBL merece todo respeito por colocar a mão na massa e saber mobilizar multidões, mas também eles são resultado do trabalho de pensadores liberais. Quando víamos nas ruas placas com os dizeres “Menos Marx, Mais Mises”, lá estava a impressão digital do esforço do IL e também do Instituto Mises, fundado por Helio Beltrão. Eduardo Bolsonaro foi aluno do curso por ele oferecido.

No âmbito dos costumes temos um desejo de resgate dos valores conservadores. De onde vem isso? Justiça seja feita, Olavo de Carvalho vinha pregando nesse deserto há anos, e não por acaso hoje é o “guru” de Bolsonaro, e já indicou dois ministros. Agora jornalistas querem entender melhor quem ele é e o que pensa, mas uma legião de seguidores já o acompanha faz tempo.

Não nego a relevância das circunstâncias. Sem o fracasso petista nada disso seria possível, ao menos não tão cedo. Mas foi a dedicação dessa militância intelectual que permitiu pavimentar o caminho para o que teremos agora. Empresários costumam ser muito práticos e menosprezar o campo das ideias. Não é o caso de Salim Mattar, da Localiza, que sempre apoiou essas iniciativas. Nada mais justo do que ele ter a oportunidade, agora, de liderar o processo de desestatização no País. A hora é essa!

 

 

 

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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