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26 Nov 2018

REAÇÃO INDECENTE

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Depois de serem varridos da política pelas urnas, os derrotados do último pleito, representantes do velho establishment, resolveram dar o troco. Reunidos em Brasília, buscaram uma forma de mostrar força usando a democracia como escudo para justificar sua atitude nitidamente antirrepublicana.

 

Depois de serem varridos da política pelas urnas, os derrotados do último pleito, representantes do velho establishment, resolveram dar o troco. Reunidos em Brasília, buscaram uma forma de mostrar força usando a democracia como escudo para justificar sua atitude nitidamente antirrepublicana.

A estratégia de mandar um recado para o novo governo foi organizada nos salões de tapetes azuis do Congresso Nacional. Houve ali um choque entre a vontade do povo, expressa nas urnas, e as velhas práticas que a população quer despejar dos gabinetes de Brasília. Os métodos usados mostram que os parlamentares não entenderam o recado das eleições e seguem vivendo em uma realidade paralela sem qualquer conexão com a realidade.

A arma usada para mandar um recado para o novo governo foi o aumento do Poder Judiciário, que, ao elevar o salário dos ministros do STF, gera um efeito cascata devastador para as contas públicas. Estima-se que o impacto gere custos adicionais de mais de R$ 6 bilhões nas contas do próximo ano. Para um país que já vive uma previsão de déficit de R$ 139 bilhões em 2019 é certamente uma péssima notícia.

Ao aprovar essa medida, os parlamentares estavam enviando um recado para o novo governo, em especial para Paulo Guedes, que visitou o Congresso Nacional e em conversa com os parlamentares teria atingido os brios de caciques que resolveram dar o troco. A maior parte deles terá seus mandatos encerrados em poucos meses, pois perderam a reeleição e estão se despedindo da política.

O recado foi mostrar que em uma democracia tudo deve ser negociado. O grande problema é que a atual democracia brasileira entende como negociação uma relação pouco republicana entre os Poderes. Uma permuta de favores e loteamento de cargos, onde os parlamentares trocam seu apoio por posições no governo. Exatamente o modelo espúrio de presidencialismo de coalizão que a população quer aposentar.

Aqueles que declaram isso ser democracia na verdade desconhecem uma relação republicana baseada em valores democráticos, pois preferem a política de compadrio, a defesa de interesses corporativistas e classistas em detrimento do embate de ideias sadio e responsabilidade real diante dos desafios do país. Esta visão torta da política, que se diz democrática, é o resultado da falta de valores éticos e morais que se abateu sobre o país nos últimos anos.

O recado dado pelo povo nas ruas foi muito claro. Deseja mudança. A população clama por uma política limpa, que enfrente os problemas nacionais debatendo ideias. A velha política, que caiu em desgraça e busca apenas o poder pelo poder, não tem mais espaço nesta nova configuração. O que vimos na última semana pode ter sido apenas um dos gritos finais de uma classe política apodrecida que encontrou o seu ocaso.

 

Fonte: “O Tempo”

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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