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15 Out 2018

IN FLUMINIBUS UBI CARNIVORI PISCES ABUNDANT CROCODILI NATANT SUPINI* - OU: É BOLSONARO!

Escrito por 

 

 

 

Não devemos esperar de Bolsonaro que seja um messias (apesar de seu nome ser Jair Messias), nem que seja perfeito.  Não devemos criar a expectativa de que ele vai nos levar para o céu, mas precisamos votar com a convicção de que ele é o único com capacidade de impedir que transformem o Brasil em um inferno vermelho.

 

* A tradução literal é Em rio repleto de peixes carnívoros, o jacaré nada de costas,  dito popular comumente enunciado como Em rio de piranhas, o jacaré nada de costas. Convida-nos à prudência em situações perigosas, tal como em Depois não digas que a cigana te enganou,O seguro morreu de velho e Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Em 8 de agosto deste ano postei na seção Blog um artigo em que expus por que ainda estava por decidir entre os dois que sobraram – Jair Bolsonaro e João Amoêdo - da multidão de candidatos a presidente. Lá, expliquei que a escolha final não se basearia somente no exame das propostas econômicas de cada um e que, além de considerar as visões da economia e os projetos políticos, seria muito mais importante, face ao período conturbado do país, olhar para a questão ética-moral-cultural, a meu ver a mais relevante.

A escolha não foi difícil e em alguns dias tomei minha decisão com plena convicção. O elemento determinante da opção por Jair Bolsonaro não foi seu programa econômico (o que mais me agradou), nem seu compromisso com a liberal-democracia política, mas sua atitude - tão solitária quanto firme - a respeito do que fazer para enfrentar a escravidão cultural e a exaltação à imoralidade, resultantes de mais de trinta anos de socialdemocracia, sob a batuta do PT e do PSDB, sempre com a ajuda interesseira do MDB.

Refiro-me à verdadeira peste vermelha do politicamente correto, essa multifacetada linguagem de bordel - marxiana, gramsciana, fabiana, frankfurtiana, sartreana, marcusiana e outras “anas” -, sistemática e habilmente disfarçada para parecer-se com a mais pura e escorreita das poesias escritas em mosteiros, mas cujo objetivo é implantar em doses homeopáticas o socialismo em todos os cantos do Ocidente.

Sim, decidi votar no Jair, mas devo esclarecer que isso não faz de mim um bolsonarista nem um bolsominion, primeiro porque a escolha foi puramente racional e segundo porque jamais me comportei como torcedor fanático de qualquer político, pois todos têm defeitos e principalmente porque guardo na garagem um grande baú repleto de desconfianças em relação a tudo que se relaciona ao poder, o braço político da ação humana. É evidente que vou torcer para que meu candidato seja o próximo presidente, mas de maneira muito diferente da que faço nos jogos do Fluminense, em que sempre me deixo levar por meu amor de 5.000 anos ao Tricolor.

É ululantemente óbvio que Bolsonaro e todos os outros candidatos têm defeitos. Para começar, a visão de seu principal conselheiro econômico está muito mais próxima à minha do que a do candidato: por exemplo, Paulo Guedes e eu sustentamos que todas as estatais devem ser privatizadas, enquanto Jair mantém alguns laivos nacionalistas, comuns em militares, como o de que empresas “estratégicas” (ele tem citado como tais o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal) devem permanecer nas mãos do Estado. Entretanto, face à gravíssima ameaça de que o PT possa vir a vencer as eleições e aqui implantar as aberrações bolivarianas que seus membros adotam como fetiches, a prudência sugere que a hora é muito mais de multiplicar semelhanças do que dividir diferenças entre minha visão de mundo e a do capitão.

Sim, meus amigos, minha opção foi conduzida predominantemente por critérios morais, éticos e culturais, porque considero um grande equívoco acreditar que tudo o que o país precisa possa ser reduzido a cortar gastos públicos, diminuir impostos, abolir controles de preços, privatizar, manter a moeda estável, estimular o empreendedorismo, desregulamentar, desburocratizar e outras necessidades – que obviamente são urgentes - que venho defendendo desde que me entendo como economista, muitas vezes pagando altos preços pela coragem de expor francamente pontos de vista tão estranhos em nosso país. (O mínimo que sofri foi ser taxado de ultrarradical de direita. Certa vez, um leitor de um jornal em que escrevia semanalmente acusou-me até de estar na folha de pagamento da CIA, acreditem).

Uma escolha consciente e abrangente exige mais: é muito importante saber o que pensam os candidatos sobre temas como combate ao crime, maioridade penal, endurecimento da lei de execução penal, progressões de penas, tirania do MEC, doutrinação comunista em escolas, colégios e universidades, incentivos ao racismo e à disputa entre mulheres e homens, ideologia de gênero, casamento gay, adoção de crianças por pares do mesmo sexo, homeschooling, família, aborto, censura na internet, exposições em que crianças tocam em adultos nus, pedofilia e muitas outras pautas relativistas que a esquerda vem solerte e crescentemente nos impondo - com muita competência, reconheça-se - para instaurar o caos e dele tirar proveito.

Em resumo, é imprescindível, nas atuais circunstâncias, conhecer a visão de cada concorrente a respeito do sistema ético-moral-cultural e não tenho nenhuma dúvida de que Bolsonaro é o único, dentre os que têm alguma chance de eleição, que pensa em conformidade com minha interpretação dos fenômenos sociais. Todos os outros – literalmente, todos – ou são candidatos da esquerda e, portanto, a favor (e até estimuladores) da desordem moral e da guerra cultural ora vigentes, ou, não sendo esquerdistas, mostram-se indiferentes, seja por desconhecimento, por covardia, para “marcarem posição”, por incapacidade de perceber sua importância, ou por subestimarem seu peso em relação a questões econômicas e políticas.

Creio firmemente que uma sociedade virtuosa e de homens livres deve necessariamente pautar-se em quatro princípios, três valores e três instituições, a saber, os princípios da dignidade da pessoa humana, do bem comum, da solidariedade e da subsidiariedade; os valores da verdade, da liberdade e da justiça e as instituições do Estado de Direito, da economia de mercado e da democracia verdadeiramente representativa dos indivíduos. (1)

Por coerência, portanto, não posso votar em candidatos, sejam ou não de esquerda, que estimulem ou que sejam indiferentes a tais princípios, valores e instituições ou que consideram que a moral é relativa. Não, a tradição, os usos e os costumes, em um processo evolutivo espontâneo de muitos séculos e não finito ensinam perfeitamente que o certo e o errado são atributos absolutos e o que é certo é certo e o que é errado é errado.

Não posso aceitar, sob qualquer pretexto, escolas enfiando na cabeça de crianças que “ninguém nasce menino ou menina”, distribuindo kits gays e quebrando precocemente sua inocência com aulas de sexualidade. Igualmente, não posso compactuar com as incitações, muito comuns hoje em dia, em colégios, universidades, espetáculos culturais e passeatas, à pedofilia e depravação dos costumes, assim como com a exortação ao ódio entre mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais, brancos, índios e negros e nordestinos e sulistas. Possivelmente, há candidatos contra essas incitações à divisão, mas sua omissão é injustificável. Somente Bolsonaro colocou a cara a tapa, sendo por isso mesmo taxado de tudo o que ele nunca foi. O momento exige testosterona e não salamaleques, rapapés, mesuras e respeitos humanos diante do mal.

Também não posso me omitir e votar em quem aceita passivamente as enormes distorções que são feitas em nossa formação histórica pelos professores socialistas e comunistas, inacreditáveis defensores de um sistema que assassinou muito mais de 120 milhões de seres humanos ao longo do século XX; em quem estimula ou ignora a desconstrução de nossas raízes europeias, em quem endossa narrativas aclamatórias de falsos heróis (como Tiradentes, Antônio Conselheiro, Deodoro, Floriano e tantos outros) e o achincalhamento da família imperial, seja ignorando os feitos louváveis de Dª Leopoldina, D. Pedro I, D. Pedro II e a Princesa Isabel, menosprezando seu papel em todo o processo que culminou com a Abolição, seja apresentando, em livros e filmes, por exemplo, D. João VI como um completo idiota que passava o dia a comer frangos com as mãos, quando na verdade ele foi o único dentre reis e imperadores europeus (em 1808, era ainda Príncipe Regente, pois sua mãe ainda vivia) que passou recibo de otário para Napoleão.

Do mesmo modo, não quero um presidente que confunda Estado laico com Estado anticlerical ou Estado ateu, que não se manifeste contra agressões a símbolos de qualquer religião, que lute para retirar crucifixos e imagens de santos de todos os prédios e logradouros públicos (rompendo unilateralmente com toda a tradição do Brasil), nem contra campanhas sistemáticas contra o Cristianismo. Identicamente, não posso votar em quem poderá nomear um ministro da educação que não faça nada para terminar com a doutrinação socialista de que os estudantes são vítimas - desde crianças até as universidades -, nem que aceite impassivelmente o diabólico método Paulo Freire de ensino e a escandalosa ocupação de universidades e colégios públicos por representantes de partidos de esquerda.

E, tampouco, em um presidente que poderá escolher um ministro da justiça que compactue com a “turma dos direitos humanos”, com desrespeito aos direitos de propriedade, com invasores de terras e moradias, que seja contra a redução da maioridade penal, que se mostre complacente com o crime, favorável ao atual sistema penal com suas progressões de penas e indultos em diversas datas, com a transformação de presídios em motéis para “visitas íntimas”, que engrosse a lenga-lenga de tratar criminosos como vítimas e policiais como algozes, que seja contrário ao acesso dos cidadãos de bem a armas com que possam defender suas vidas e suas propriedades e se conforme com o conhecido aforismo “a polícia prende, mas a justiça solta”.

Se você está achando tudo isso muito “conservador”, parabéns, você acertou!  Vivemos uma época em que, pela influência nefanda de todas aquelas “anas” mencionadas anteriormente, chamar alguém de conservador soa como um grave insulto, daqueles piores do que referir-se à mãe como uma senhora que vive da mais antiga das profissões e que fariam corar de vergonha Costinha e Dercy Gonçalves, caso ainda estivessem entre nós. Roger Scruton (1944), talvez o maior dos conservadores dos dias atuais, explica essa aversão estúpida ao conservadorismo como sendo consequência da apropriação pela esquerda de todo o estoque de uma pretensa virtude humana, criando uma assimetria moral em que o certo e o errado são relativos. (2)

Mas a verdade é que ser conservador não é defeito, é virtude. Contrariamente ao que se costuma pensar, um conservador não é alguém contrário a qualquer mudança, mas alguém consciente de que essas mudanças devem ser prudentes e precisam respeitar princípios morais consagrados pela tradição. Nesse sentido, sou um conservador, assim como, com a mesma veemência, sou um liberal na economia e um cético na política.

Em A Política da Prudência, por exemplo, Russell Kirk (1918-1994), um dos maiores conservadores do século XX, resume o conservadorismo em dez princípios: a existência de ordem, moral duradoura e transcendente; a importância do costume, da convenção e da continuidade; o principio da prescrição; (3) o principio de prudência; o principio da diversidade; o princípio da imperfeição; a vinculação forte entre propriedade e liberdade; a aceitação da associação voluntária e a rejeição do coletivismo imposto; a necessidade de contenção prudente do poder e de limitação das paixões humanas; o reconhecimento de que permanência e mudança devem ser reconciliadas em uma sociedade virtuosa.

Outro conservador importante, Michael Oakeshott (1901-1990), escreveu em 1962:

“Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado,

o fato ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente

ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica.  Assim sendo,

as mudanças pequenas  e lentas serão, para ele, mais toleráveis que as  grandes e repentinas,

e valorizará consideravelmente  toda a aparência de continuidade”. (4)

Um conservador, portanto, não é um eterno conformado com o status quo e que assume sempre posturas passivas, mas um reformador prudente, ou seja, um conservador não é um revolucionário dado a utopias. Uma excelente explicação sobre esse aspecto do conservadorismo é o brevíssimo vídeo de Bruno Garshagen, que recomendo vivamente.

O Brasil está pegando fogo, mas os “isentos” continuam brincando com álcool; o Estado está totalmente embebedado por um partido político que nos (des) governou de 2003 a 2016, mas os “imparciais” agem como se isso não importasse; o risco de que o candidato-marionete daquele sujeito condenado e encarcerado venha a chegar ao segundo turno não é desprezível, mas os “sensatos” de meia tigela não veem nisso nada de aberrante; a guerra cultural está comendo solta e o risco de o PT, caso volte ao poder, levar avante, agora abertamente e movido pela vingança, seu projeto maligno de tornar o Brasil um país socialista existe, bem como o de uma ruptura da democracia ou mesmo uma guerra civil, mas os “neutros” não se importam com isso. A fronteira entre isenção e covardia é muito mais tênue do que se costuma acreditar.

Parece que esqueceram algumas das proezas que o PT realizou entre 2003 e 2016: a maior crise econômica da história do Brasil; a maior rede de corrupção de todos os tempos, com a criação de um sistema de roubo bilionário com o fim de se manter indefinidamente no poder; o apoio explícito a ditaduras como a venezuelana, cubana, angolana e iraniana; a posição sistemática contra Israel; as várias tentativas de controlar a imprensa; na semana passada, o criminoso Dirceu disse abertamente ser apenas uma “questão de tempo” até tomarem o poder, ou seja, transformarem o Brasil em uma ditadura comunista; o programa de seu candidato fantoche - mais um preposto de Lula -, é revanchista, fala em controlar a imprensa e em uma “nova constituinte”, bem nos moldes do que aconteceu na pobre Venezuela. O rio está repleto de piranhas, gente! E isso não é especulação nem alarmismo, está escrito na página desse partido que insiste em desrespeitar a lei e a ordem. 

Portanto, é muito mais prudente seguirmos o exemplo do jacaré que dá título a este artigo. É tempo de nadarmos de costas, o que significa votar em Bolsonaro, para não corrermos nenhum risco de que os tempos sombrios desse partido, que sempre colocou seu projeto criminoso de poder acima dos interesses do Brasil, possam voltar, trazendo dessa vez choro e ranger de dentes.

Não devemos esperar de Bolsonaro que seja um messias (apesar de seu nome ser Jair Messias), nem que seja perfeito.  Não devemos criar a expectativa de que ele vai nos levar para o céu, mas precisamos votar com a convicção de que ele é o único com capacidade de impedir que transformem o Brasil em um inferno vermelho.

Referências

(1) Ver IORIO, Ubiratan Jorge, Ação, Tempo e Conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2011, 2ª Ed., cap. 10, pp. 205-229.

(2) SCRUTON, Roger Thinkers of the New Left,  Londres: Longman, 1985, 1ª ed,  . p. 5.

(3) O princípio da prescrição considera improvável que os modernos façam descobertas novas e marcantes nos campos da moral, da política e dos gostos.

(4) OAKESHOTT, Michael Joseph. Ser Conservador. Lisboa: Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha. Lisboa, s/data.

 

 

 

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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