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04 Ago 2018

TRUMP E BOLSONARO: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS*

Escrito por 

 

 

 

Apareceu na Internet um vídeo em que Trump, com seu netinho no colo, fez uma pergunta a ele: “Who will be the next President of Brazil? ”, e criancinha, com voz muito fininha, respondeu: “Bolsonaro”.Apareceu na Internet um vídeo em que Trump, com seu netinho no colo, fez uma pergunta a ele: “Who will be the next President of Brazil? ”, e criancinha, com voz muito fininha, respondeu: “Bolsonaro”.

 

Apesar de não falar sobre nosso País, Trump não ignora nossa conjuntura política e manifestou claramente sua preferência por um pré-candidato à presidência. Evidentemente, ele não a manifestaria por nenhum candidato de esquerda e/ou ligado ao establishment. E neste caso, sobravam para ele duas opções: manter-se de bico fechado ou apoiar Bolsonaro.

Um candidato que muitos eleitores brasileiros acham semelhantes a ele, Trump.  Sob determinados aspectos sim, mas sob outros não. Comecemos pelas diferenças: Bolsonaro é um capitão do Exército Brasileiro, que se voltou para a vida pública e há mais de vinte anos e tem sido o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro.

Por isto mesmo, é inteiramente descabido chamá-lo de outsider (i.e. homem de fora da política), aventureiro, neófito inexperiente, etc.

Por sua vez, Trump é um verdadeiro outsider, um estranho no ninho dos políticos. Na realidade, ele é um megaempresário muito bem sucedido atuando principalmente no ramo imobiliário. Seu emblema são as famosas Trump Towers.

Bolsonaro, apesar de já ter pertencido a alguns partidos, nunca se identificou com nenhum deles e ainda está à procura de um, para lançar sua candidatura a Presidente. Trump, embora seja membro do GOP (Grand Old Party, o Partido Republicano de Lincoln, Reagan, etc.) tem uma maioria apertada no próprio partido, apesar de seu partido ter uma maioria mais folgada no Congresso.

Trump poderia mesmo ter se lançado como candidato avulso, i.e. sem partido, uma vez que isto que a legislação proíbe no Brasil não proíbe nos Estados Unidos. Obviamente, Bolsonaro, por força de lei, não poderia fazer o mesmo. Mas, para ser coerente com seu perfil político, ele o faria, se assim pudesse.

E a razão é muito simples: apesar do desmesurado número de legendas políticas no Brasil, os partidos são todos de esquerda, sendo alguns de esquerda carnívora (PT, PSOL, PSTU, PCdo B, PCO, etc) e outros de esquerda vegetariana (MDB, PTB, DEM, PSDB). Estas classificações são de Montaner, Apuleyo e outros: O Retorno do Idiota latino-Americano.

O fato é que não há nenhum partido liberal e nenhum conservador no Brasil. Só encontramos um Partido Liberal e um Partido Conservador nos vetustos tempos de nosso grande imperador: D. Pedro II! Pode ter existido um na Velha República – que durou do Presidente Deodoro da Fonseca ao Presidente Washington Luís – mas não deve ter gozado de grande popularidade como a que tinha no sistema bipartidário do Segundo Império.

É verdade que recentemente foi criado o Partido Novo com um programa autenticamente liberal, mas ao que eu saiba, nenhum dos seus membros já foi eleito, de tal modo que nada podemos dizer sobre sua atuação política. E ponho minhas velhas barbas de molho; como dizia Cervantes:

Entre el  dicho y el hecho hay  grand trecho…

Assim sendo, como conservador assumido, Bolsonaro tem sido um estranho no ninho parlamentar esquerdizado da Bruzundanga (i.e. o Brasil visto por Lima Barreto), como tem sido também um homem honesto convivendo com uma maioria de corruptos quase todos na lista da Lava Jato tão comprida como uma sucuri.

Lembro apenas que, na vida pública, a honestidade é uma condição necessária, embora não suficiente. Mas Bolsonaro já deu uma prova de competência na escolha de assessores, ao escolher o renomado economista liberal Paulo Guedes, provavelmente seu Ministro da Fazenda, caso ele, Bolsonaro, seja eleito.

Passemos agora às semelhanças. Na campanha de Trump, fora a Fox News, a National Review, o Wall Street Journal e poucos outros meios de comunicação, todos se alinharam contra Trump, sendo acompanhados pelas esquerdas festivas de Nova Iorque e Los Angeles, assim como pelos macaquitos brasileños da nossa fake news tupiniquim.

Na pré-campanha de Bolsonaro, até o esquerdista americano, Michael Moore, autor de Stupid White Men, já destilou seu veneno fazendo a defesa de Lula e, com isto, se posicionando à esquerda contra Bolsonaro.  Recentemente, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também assumiu uma posição contra Bolsonaro, o que já era de esperar dessa chusma esquerdista.

Isto para não falar na grande mídia e nas ONGs mantidas por grupos e partidos de esquerda. Isto para não falar no metacapitalista internacional George Soros, um dos grandes líderes da Nova Ordem Mundial e/ou do globalismo. Não confundir com a globalização, fenômeno distinto.

Na campanha de Trump todos os institutos de pesquisa eleitoral, do princípio ao fim, colocavam a Hilária Clinton – chamada por Trump de crooked Hilary – na liderança, mas a vitória de Trump nos Colégios Eleitorais dos Estados revelou que não se tratava de um erro de pesquisa, mas sim de sórdida manipulação da mesma. Mesmo assim, los macaquitos não se convenceram, como se ele fosse um fanfarrão populista eleito pelos votos dos caipiras e dos WASPs (White American Saxonic Protestants).

Na pré-campanha de Bolsonaro, todos os institutos de pesquisa colocam Lula na liderança, mas não acredito nisto porque disponho de uma pesquisa por amostragem. Por um lado, vídeos na Internet mostram as manifestações da pré-campanha de Lula: todas com meia dúzia de gatos pingados e de camisa vermelha, membros do PT, da CUT, do MST et caterva. Trata-se do núcleo duro petista e seus militantes profissionais, a patota da mortadela.

Mas por outro lado, outros vídeos mostram a pré-campanha de Bolsonaro.

Aonde quer que ele vá, multidões o ovacionam nos aeroportos e onde quer que ele faça discursos podemos ver auditórios apinhados. Como dizia Nelson Rodrigues: “com gente até pendurada nos lustres”.

Tanto Trump como Bolsonaro, além de conservadores, são patriotas e nacionalistas. Defendem a soberania nacional contra o governo mundial propugnado pela Comunidade Européia, social democracia, pela ONU, pela Open Society de George Soros, pela Fundação Ford, pela Fundação Rockfeller e outras entidades metacapitalistas, que se servem do sistema de livre mercado para transformá-lo em capitalismo monopolista. Sua aspiração é fazer parte de uma Nova Nomenklatura.

O Brexit e a eleição de Trump foram duas grandes reações ao globalismo representado por uma aliança ideológica de políticos de esquerda (comunistas e social democratas), grandes corporações e a grande mídia chamada de Fake News por Trump.

No Reino Unido, a esquerda é representada pelo Labour Party (Partido Trabalhista) cuja maioria, como já era esperado, votou contra o Brexit. E Nos Estados Unidos, a esquerda é representada pelo DEM (Partido Democrata) de Obama e Hilary, ambos discípulos do maior comunista americano, Saul Alinsky, autor de Rules for Radicals (Regras para Radicais).

No Brasil a esquerda é representada pelos partidos políticos – seja por ideologia ou por oportunismo demagógico – pela grande mídia, pelas universidades, pelos meios artísticos e pela Esquerdigreja [termo criado por J.O. de Meira Penna, para denominar boa parte da Igreja Católica ligada à famigerada Teologia da Libertação de Genésio Darcy (ex-Frei Boff) e Frei Betto], amigo íntimo de Fidel Castro e ex-conselheiro de Luladrão]. Vide a este respeito J.O. de Meira Penna: Opção Preferencial pela Riqueza.

Embora de caráter escancaradamente apologético das guerrilhas, o filme Batismo de Sangue, mostra a estreita ligação de monges católicos, como Frei Betto,  com o grupo guerrilheiro ALN, liderado pelo maior terrorista urbano brasileiro: Carlos  Marighella. Valha-nos São Benedito!

Após cerca de 50 anos de domínio do marxismo cultural de A. Gramsci e da Escola de Frankfurt, cujos agentes sociais já estavam atuando em pleno regime militar, todos esses setores da cultura brasileira foram cooptados e massificados sob o lema do politicamente correto. Uma das melhores definições dessa porcaria ideológica é  de Rick Bayan, em The Cynic’s Dictionary (Quill William Morrow, Nova Iorque,1994): Terminologia Politicamente Correta _ Eufemismos inadvertidamente hilariantes criados e impostos por comitês de acadêmicos sem senso de humor, tendo como propósito não ofender nenhum grupo social, a não ser o dos que acreditam em liberdade de expressão.  (R. Bayan, op.cit., p.133).

Como podemos inferir, o processo de esquerdização da sociedade brasileira difere apenas em grau do da sociedade americana, sendo o da nossa muito mais profundo, abrangente e sinistro. Lá há conservadores e liberais (libertarians) e a maioria deles vota no Grand Old Party de Lincoln e de Reagan. Aqui conservador é sinônimo de “antiquado”, “avesso às  mudanças”, “quadrado”, etc. E liberal é sinônimo de “libertino”, “adepto do liberô geral”, “devasso”, “permissivo”, etc.

Geralmente, a grande mídia e os políticos de esquerda colaram em Bolsonaro os mesmos rótulos depreciativos antes pespegados em Trump: racista, homofóbico, de extrema direita, fascista, populista, ignorante etc. A grande mídia brasileira, em particular, passou a chamar todos os candidatos de todo mundo, que não rezavam por sua cartilha, de “extrema direita”, quando estes mesmos eram candidatos de direita.

E assim passou a fazer para identificá-los com partidos fascistas e nazistas, quando eles eram conservadores como o  AFD – Alternative für Deutschland / Alternativa para a Alemanha, que ameaçou a maioria de Angela Merkel no Parlamento Alemão e que, assim como o Frente Nacional de Marine Le Pen, é contra o Novo Império Franco-Germânico, i.e. A União Européia, contra a Nova Ordem Mundial e contra as portas escancaradas para imigrantes, principalmente muçulmanos. Allah os tenha e com eles fique per omnia secula seculorum.

[É escusado acrescentar, mas, mesmo assim. acrescento: Todo país goza do direito de aceitar ou rejeitar imigrantes e, caso os aceite, goza igualmente do direito de selecioná-los, de acordo com o critério adotado. Nem a ONU, nem o Papa devem dar pitacos nisso, mas estão dando a todo tempo!]

Contra tudo e contra todos, Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos. Contra tudo e contra todos, Bolsonaro será eleito Presidente do Brasil? As semelhanças dos perfis e das conjunturas políticas de ambos é muito forte, mas daí não se pode inferir qualquer certeza.

Como Francis Bacon, desconfiamos da indução positiva e colocamos mais segurança na indução negativa. Majus est vis instantiae negativae / Maior é a força da instância negativa. Tal como argumentos indutivos positivos, argumentos por analogia são muito fracos.* ____________________________

* Chama-se argumento por analogia o seguinte tipo de argumento: O político DT tem as características j, l, s, k, p, e  a sua conjuntura é h. O político JMB tem as características j, l, s, k, p, e a sua conjuntura é h. O político DT venceu a eleição para Presidente. Logo: o Político JMB também vencerá.

Esta conclusão não expressa certeza, quando muito probabilidade. Mas qual a probabilidade de Bolsonaro ser eleito? No momento, maior do que 0,1 e menor do que 0,9. Aguardemos, pois, o inicio oficial da campanha eleitoral trazendo um novo cenário político.


* Obs. Este artigo foi escrito logo após a eleição de Trump

Fonte: A VOZ DO CIDADÃO

 

 

 

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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