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31 Jul 2018

ALIADOS DE OCASIÃO

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Com Alckmin no papel, o centrão busca sua sobrevivência política. No momento que a perspectiva de poder mudar de lado, os novos aliados estarão prontos para desertar. Cabe ao tucano, reagir, sob pena de se tornar a mais nova versão de Cristiano Machado.

 

Ainda existe um enorme ceticismo nos meios políticos sobre o movimento de Geraldo Alckmin de se aliar aos principais partidos investigados nas recentes denúncias de corrupção. Preferiu um acordo com as velhas oligarquias políticas e suas estruturas tradicionais de poder. A dúvida é se este movimento vai se traduzir em votos ou em mais desgaste. A certeza é sobre o potencial traiçoeiro de seus novos sócios.

Alckmin não era a opção de muitos caciques do centrão. Estes preferiam Ciro Gomes, enquanto outros ainda sonham com a volta de Lula ao ringue. Mas diante de uma perspectiva de uma boa divisão do butim do futuro governo assegurado pelo candidato peessedebista, acabaram embarcando na nau tucana.

A fidelidade dos novos sócios, entretanto, não é tão forte quanto parece. Na saída da reunião que selou o apoio do centrão a Alckmin, Ciro Nogueira, aquele que dá as cartas no Progressistas, disse que se Lula entrar no páreo, votaria no petista. Como se não fosse o bastante, outro movimento começou a preocupar o presidenciável tucano. Valdemar Costa Neto, que já indicou o vice de Lula, namorou com Bolsonaro e Ciro Gomes e tentou emplacar o candidato a vice de Alckmin, voltou a conversar com o PDT.

Isto significa que o acordo do ex-governador de São Paulo com o centrão não está devidamente alinhado em todas as frentes. Os palanques estaduais seguem divididos com a tendência de apoio nacional para aquelas candidaturas que podem impulsionar a reeleição dos seus caciques e ajudar a formar uma boa bancada na Câmara. Nesta lógica, não importa a coligação nacional, mas a sobrevivência política regional.

Assim, se Alckmin não mostrar tração nas próximas pesquisas, o que ainda será difícil, corre o risco de cristianização. Na eleição presidencial de 1950, o PSD lançou o mineiro Cristiano Machado como candidato a presidente. Com dificuldade em se viabilizar, foi abandonado aos poucos pelos aliados. Vítima de traições dentro de sua aliança e especialmente no seu partido, terminou a corrida em terceiro lugar, atrás do PTB e UDN. O apoio formal não garantiu apoio na prática. A manobra ficou conhecida na política como “cristianização”, o esvaziamento de um candidato em favor do concorrente. Hoje, Alckmin corre o mesmo risco.

Outro desafio do tucano está na viabilidade de Álvaro Dias. O candidato do Podemos carrega um valioso ativo do PSDB nas últimas eleições – o voto do Sul do Brasil, hoje canalizado para o paranaense. Álvaro ainda negocia o apoio de um bloco de nove pequenos partidos que somados podem entregar-lhe mais de 2 minutos no horário eleitoral. Se conseguir, a candidatura de Alckmin sofre mais um abalo.

Com Alckmin no papel, o centrão busca sua sobrevivência política. No momento que a perspectiva de poder mudar de lado, os novos aliados estarão prontos para desertar. Cabe ao tucano, reagir, sob pena de se tornar a mais nova versão de Cristiano Machado.

 

 

Fonte: “O Tempo”

 

 

 

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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