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25 Jul 2018

VELHA POLÍTICA

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A opção de Geraldo Alckmin (PSDB) pelo caminho da velha política pode, mais do que ser uma jogada de mestre, tornar-se o prenúncio de sua derrota. Diante de um eleitorado cético com a política tradicional, a opção pela aliança com o consórcio de partidos fisiológicos que orbitam o poder desde os primórdios do petismo até os estertores do emedebismo, pode ferir fatalmente a campanha do tucano.

 

A opção de Geraldo Alckmin (PSDB) pelo caminho da velha política pode, mais do que ser uma jogada de mestre, tornar-se o prenúncio de sua derrota. Diante de um eleitorado cético com a política tradicional, a opção pela aliança com o consórcio de partidos fisiológicos que orbitam o poder desde os primórdios do petismo até os estertores do emedebismo, pode ferir fatalmente a campanha do tucano.

Fernando Haddad e seus companheiros de partido saudaram a aliança. O provável nome petista na corrida presidencial fala com convicção que será uma disputa entre o projeto de Temer contra o projeto de Lula. Era tudo que o PT queria. Freguês do petismo desde 2002, os tucanos são os adversários dos sonhos de Haddad.

O prenúncio da estratégia petista faz sentido por muitos lados. O primeiro deles é que os aliados de Alckmin, somados ao tucano, sintetizam de forma clara o governo mais impopular que conhecemos, conduzido por Michel Temer. A esplanada, sob o comando do MDB, é um loteamento dividido entre PSDB, PSD, PTB, PP, PR, PRB, DEM, PPS e SD. Portanto, Geraldo Alckmin vestiu a roupa do sistema e com ela irá desfilar em um pleito em que o eleitor clama pela renovação. O PT se aproveitará disso, repisando que Alckmin é na verdade o candidato de Michel Temer.

Por outro lado, é melhor os petistas disputarem o segundo turno contra seu sparring habitual, os tucanos, do que enfrentar o novo e o desconhecido. Jair Bolsonaro é um adversário muito mais difícil de ser batido no cenário atual, pois encarna o antipetismo e a antipolítica, dois sentimentos presentes no eleitor.

Além de agradar os petistas, o movimento de Alckmin também agradou Bolsonaro. Longe dos políticos tradicionais e com pouco tempo de propaganda, pode seguir com sua estratégia atual, agora carregando a credencial de antissistema, assim como fez Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Lembro que nos outros pleitos presidenciais marcados pela rejeição aos políticos e a luta contra a corrupção, foram eleitos candidatos de partidos pequenos. É o caso de Collor em 1989, pelo inexpressivo PRN e Jânio em 1960 pelo minúsculo PTN.

Cauteloso, Alckmin fez a opção conservadora pelo caminho da política tradicional, uma característica que pode ser letal em momentos de transição política. A aliança com o centrão pode gerar efeitos reversos, tanto nos palanques estaduais, com dissidências trabalhando contra o tucano, como no plano moral, pois a presença de caciques que respondem a 13 inquéritos da Lava Jato sequestra o discurso ético de Alckmin.

Além do mais, o tucano precisará mostrar uma reação rápida, sob pena de ser abandonado pelos novos sócios. Conta com o tempo de rádio e TV para sacudir seus números, mas diante de tantos desafios, não será tarefa fácil. O fato novo, portanto, é uma reedição do velho, da política de compadrio, dos arranjos de bastidor e do jogo político que o eleitor se mostra cansado. Em uma eleição de práticas novas, Alckmin tenta vencer o jogo com a velhas armas da política.

 

 

Fonte: INSTITUTO MILLENIUM

 

 

 

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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