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21 Jul 2018

SEGURANÇA PÚBLICA - PARTE 16 - ÁREAS DE VULNERABILIDADE EM UM MUNICÍPIO

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Políticos aventureiros, incompetentes, desinformados, despreparados, para o exercício dos cargos que ocupam, parcela significativa deles desonestos, legislação inadequada, ultrapassada, anacrônica explicam o porquê do Poder Público Municipal não atuar de forma a enfrentar e superar os desafios mais urgentes de sua coletividade.

Ler SEGURANÇA PÚBLICA - PARTE 15

Nos dias atuais, é possível se representar graficamente, por meio de variações de cores, como se manifesta em determinado espaço a ocorrência de uma determinada circunstância.

A aplicação dessa técnica gera um mapa colorido em que se pode ter uma noção bastante fiel de como a circunstância analisada se manifestou em termos de intensidade no espaço físico considerado.

Essa metodologia tem sido intensamente utilizada por emissoras de televisão e seus analistas, para, por exemplo, registrar os espaços de um campo de futebol, nos quais determinado atleta desenvolveu sua atuação durante uma partida.

Com certeza, o prezado leitor, se adepto de partidas de futebol, já terá assistido comentários nos quais se procura mostrar em que áreas do campo determinado jogador atuou e, por consequência, o que essa circunstância influiu no seu desempenho e, até mesmo, no resultado da partida.

Recursos semelhantes são utilizados no voleibol e no tênis, para registrar a direção de saques, cortadas ou outras ações realizadas pelos jogadores.

Na verdade, o que se vê nesses exemplos citados é a aplicação de uma tecnologia que pode ser aplicada a qualquer fenômeno social, por exemplo, caso se pretenda identificar detalhes da realidade de uma determinada coletividade que ocupa específico espaço.

Assim, se pode, no contexto do espaço físico de um município, extrair informações de como, por exemplo, se dão as ações criminosas. Roubos, furtos, roubos e furtos de automóveis, ou residências, assim como assassinatos, ou qualquer outro tipo de delito.

Da mesma forma, é possível levantar-se, os espaços físicos do município nos quais a relação entre crianças e adolescentes e os estabelecimentos de ensino que deveriam estar disponíveis para seu desenvolvimento educacional guardem proporção desigual, consideradas outras áreas do município.

Que áreas do município, proporcionalmente, possuem rede viária de má qualidade a ponto de dificultar acesso por transporte público e mesmo privado, como, igualmente, dos meios que levarão a esses espaços serviço público de responsabilidade dos órgãos da prefeitura, também podem ser identificadas por essa mesma tecnologia.

Se houvesse seriedade dos gestores municipais, toda a realidade do município poderia estar disponível e se constituindo em ferramenta essencial a balizar as iniciativas que visassem aprimorar a qualidade da vida de seus munícipes.

A confrontação dessas informações possibilitaria, de forma muito clara, identificar o que se resolve batizar de áreas de vulnerabilidade do município.

Com absoluta certeza, trabalho realizado com esse propósito permitiria concluir-se, o que, na verdade, é de extrema lógica: que as áreas municipais, nas quais o crime se manifesta de forma mais intensa, são aquelas nas quais faltam escolas, faltam postos de saúde, nas quais os acessos são de pior qualidade, nas quais, a iluminação é precária, nas quais há falta de equipamentos públicos de lazer e por aí vai.

A gestão da administração do município ganharia lógica simples.

Há que se aplicar recursos em educação básica? Onde? Ora, nos espaços nos quais está claramente identificada a falta de escolas, quando comparado o universo de potenciais alunos e o número de vagas existentes. Locais esses nos quais, naturalmente, se constataria a ocorrência de crianças e adolescentes envolvidos com, por exemplo, tráfico de drogas.

O mesmo se aplicaria à saúde e a qualquer outra área da realidade municipal que, função de como seja administrada defina, de forma clara, a qualidade de vida disponibilizada a seus munícipes.

Ora, se o problema é tão simples, por que isso não é feito? Que outros critérios servem de balizamento para a tomada de decisões que poderia se apoiar na lógica aqui descrita?

Prezado leitor, o problema de certa forma já foi definido nos diversos outros artigos que constituem essa série de reflexões que tem sido submetida à sua consideração.

Políticos aventureiros, incompetentes, desinformados, despreparados, para o exercício dos cargos que ocupam, parcela significativa deles desonestos, legislação inadequada, ultrapassada, anacrônica explicam o porquê do Poder Público Municipal não atuar de forma a enfrentar e superar os desafios mais urgentes de sua coletividade.

Na prática, então, o que ocorre?

Ah! É preciso construir novas escolas e há recursos para isso? Ótimo. Isso será feito.

Onde? No bairro que se constitui em reduto eleitoral daquele vereador que é da base política do Prefeito e que, com isso, aumentará seu prestígio na região, o que contribuirá para a sua reeleição e a do Prefeito.

Postos de Saúde? Far-se-á da mesma forma, assim como o asfaltamento de ruas, a iluminação dos espaços públicos, a instalação de novos Postos da Guarda Municipal, a criação de novos espaços de lazer, etc.

Nossa, mas e as áreas desassistidas, mais necessitadas, carentes de equipamentos públicos, nas quais essas inciativas contribuiriam para a reversão do estado de abandono em que se encontram? Ora, essas áreas são nicho eleitoral de vereadores da oposição, que precisam ser desacreditados para não se reelegerem, para parar de atrapalhar a ação administrativa do Prefeito, até mesmo para, quem sabe, poderem ser chantageados e, de repente, decidirem se bandear para a “patota” do Prefeito, em troca de alguma ação na sua área de influência.

O prezado leitor estará pensando: mas desse jeito, naquelas áreas do município abandonadas, o crime organizado vai substituir o poder público e a criminalidade só tende a crescer.

Ah! Que bom que o prezado leitor entendeu o problema na sua integralidade.

Pior. É claro que a criminalidade que graça nesses espaços abandonados, função da incompetência e visão distorcida dos políticos locais de como se administra um município, não vai se manifestar nessas áreas miseráveis da cidade.

A visão do criminoso é a de que se se deseja roubar, traficar, é preciso estar fisicamente nos locais aonde há recursos (patrimônio, dinheiro) para serem roubados e/ou para alavancar a venda de drogas.

Assim, a criminalidade acaba se espalhando por todo o espaço municipal, particularmente naqueles mais “privilegiados”.

Agora, se o prezado leitor expandir o mesmo raciocínio, concluirá que o que ocorre no município, pelas mesmas razões, é replicado no estado e no país.

Tudo decorre de incompetência, despreparo e descompromisso com interesse público.

Políticos, invariavelmente, só têm um compromisso. Tudo o que fazem só tem a ver com seu empenho em sobreviver politicamente.

O povo? Ora o povo........

No próximo artigo, que encerrará essa série de reflexões, se procurará defender que Segurança Pública não se conquista com polícia.

A polícia, quando muito, serve para preservar.

 

 

 

Última modificação em Terça, 24 Julho 2018 21:33
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

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