Sex11152019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

13 Mar 2005

Aprendendo Com a Bolívia

Escrito por 

Que o presidencialismo é incompetente para resolver conflitos políticos em sociedades marcadas por divergências internas é coisa mais do que provada.

Que o presidencialismo é incompetente para resolver conflitos políticos em sociedades marcadas por divergências internas é coisa mais do que provada. Sua única possibilidade de sucesso ocorre onde há amplo consenso social sobre temas essenciais e as circunstâncias históricas tenham produzido bipartidarismo.
Fora disso, é fonte de instabilidade.

O que a mim espanta é que os analistas políticos da América Latina jamais tenham estabelecido relação entre o atraso das nações do continente e as instituições políticas que homogeneamente adotaram. Elas atravessam os séculos procurando o príncipe encantado que conduzirá seus súditos à prosperidade. Enquanto ele não aparece vão elegendo caudilhos, demagogos e líderes populistas (grandes privilegiados pelo sistema) para, logo após, se exasperarem com a incompetência, a corrupção e a irresponsabilidade que os caracteriza. Incapazes de perceber onde está o erro, transferem as culpas a algum inimigo externo, ele sim, representante de seus tormentos e causador de suas desgraças.

Jamais, ao longo das décadas, qualquer povo deste continente produziu seu "mea culpa". Criticam os Estados Unidos em tudo e os responsabilizam por quase tudo. Vociferam contra os resultados dos pleitos norte-americanos tanto quanto se arrependem dos respectivos resultados nacionais. Mas copiaram (muito mal copiado, aliás) o modelo político ianque. Como conseqüência, são incapazes de distinguir chefia de governo de chefia de Estado, confundem democracia com eleição direta do príncipe encantado, se exasperam com a corrupção moral que sistematicamente contamina as práticas políticas e não percebem que o sistema adotado é o agente determinante dessa miséria moral.

Nos últimos vinte anos, após o fim da Guerra Fria e extinto o ciclo dos governos militares, apenas o Chile e o Uruguai não experimentaram gravíssimas crises institucionais. Vale dizer, mesmo sob normalidade constitucional, o continente não encontra estabilidade política e convive com periódicos colapsos da governabilidade.

A Bolívia é o mais recente exemplo. O cocaleiro Evo Morales, demagogo local, vem paralisando o país, causou a renúncia do presidente eleito e quase conseguiu derrubar seu substituto, Carlos Mesa. Este, aliás, cometeu enorme equívoco que a médio prazo vai incendiar a nação: tendo assumido após os conflitos de outubro de 2003, prometeu solenemente que não usaria de força contra as agitações locais. Ora, se há um monopólio do qual o Estado não pode abrir mão é o monopólio da força porque, se o fizer, estará abdicando de defender a sociedade. O cocaleiro Evo Morales, amigo de Chávez, Lula, Fidel e Kadafi, continuará, portanto, infernizando a Bolívia. Alguém acha que isso vai acabar bem?

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:15
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.