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08 Jun 2018

CIRO GOMES, UM MODERADO?

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O problema é que o radicalismo e o destempero de Ciro já são velhos conhecidos da população, justamente porque o candidato está na política desde quando existia telégrafo, aproximadamente. Sua troca de partidos só não foi mais intensa do que sua troca de farpas e xingamentos, e bater boca exaltado na rua parece algo comum ao cotidiano do pedetista.

 

O desespero da esquerda e do establishment com a consolidação de Jair Bolsonaro na liderança das pesquisas tem levado a reações curiosas. De um lado, há a tentativa de se construir um “centrão”, com o aval do PMDB governista. Do outro, vê-se uma extrema esquerda fragmentada, basicamente porque Lula usa seu PT para interesses pessoais, recusando-se a apontar logo o verdadeiro candidato petista, o que fez com que Ciro Gomes assumisse o protagonismo entre os socialistas.

Como os candidatos de centro não decolam de jeito algum, já há gente do establishment ensaiando um passo mais ousado, que necessita de um malabarismo e tanto. Trata-se de pintar o próprio Ciro Gomes como um moderado centrista. Haja imaginação e manipulação, porém. Será uma tarefa árdua para empresários bilionários ou economistas keynesianos, mesmo com o apoio dos melhores marqueteiros.

O problema é que o radicalismo e o destempero de Ciro já são velhos conhecidos da população, justamente porque o candidato está na política desde quando existia telégrafo, aproximadamente. Sua troca de partidos só não foi mais intensa do que sua troca de farpas e xingamentos, e bater boca exaltado na rua parece algo comum ao cotidiano do pedetista.

Até mesmo senhoras humildes que foram questioná-lo sobre hospitais públicos receberam impropérios como resposta. Tudo documentado em vídeos no YouTube (malditas redes sociais, devem pensar os políticos, o que explica o afã de censurá-las com a desculpa do combate às “Fake News”). Seu machismo também é evidente: quem não lembra da resposta sobre o papel de sua então mulher, a atriz Patrícia Pillar, em sua campanha?

Ciro deu total apoio ao governo petista, inclusive ao modelo da Nova Matriz Econômica de Dilma, inspirado no nacional-desenvolvimentismo da Unicamp. Câmbio artificialmente desvalorizado, taxa de juros marretada para baixo, despreocupação com a austeridade fiscal, seleção dos “campeões nacionais”, e o resultado está aí para todo mundo ver: desemprego explodiu, inflação alta voltou, atividade econômica despencou. Reformas adotadas por Temer conseguiram reduzir parcialmente o estrago — e não contaram com o apoio de Ciro.

Sempre é possível alegar que o sujeito mudou, ainda que tanta mudança seja típica de um camaleão. Só há um detalhe: Ciro não mudou e não admitiu erros, ao contrário de Bolsonaro, que apontou o liberal Paulo Guedes como futuro ministro da Fazenda. Na entrevista no Roda Viva, Ciro demonstrou que seu extremismo segue em alta, crescente até, ao atacar a oposição venezuelana como “fascista”, protegendo assim a ditadura de Maduro. Ele nega, mas disse que receberia Sergio Moro à bala e que sequestraria Lula se preciso fosse. Boa sorte a todos que tiverem que convencer o povo da moderação de Ciro Gomes…

 

 

 

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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