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29 Mar 2018

O MECANISMO

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A série do Padilha é boa, mas podia ser melhor. Ocorre que talvez o Padilha nem perceba o absurdo da nossa situação. O Brasil é uma sociedade de parasitas cujos beneficiários comportam-se como se não fossem, como se não dependessem do sangue da gente. Abre os olhos, Padilha!

 

Vi todos os capítulos da série O Mecanismo que estão disponíveis. Só elogios.

Padilha conseguiu fazer um filme sem favelados. Peca por ser politicamente correto, “nem direita e nem esquerda”, mas acerta no conjunto. Muito bem dirigido. Apresentou o Brasil em prisma belo. Fotografia de tirar o fôlego. Todo mundo é de esquerda. Sérgio Moro é de esquerda. Todos bradam por igualdade, mas não largam auxílio-paletó e nem auxílio-moradia. Esquerdista pensa que ganha de impostos que caem do céu. No Roda-Viva de ontem vi o raciocínio barnabé varguista.

O mecanismo real é esse: todo mundo levando vantagem em tudo e professando um purismo que não quer lhe dizer respeito e lutando de araque por uma igualdade abstrata. O sistema socialista impõe a pobreza, o desemprego e a baixa produtividade. Nem direita e nem esquerda uma ova. O mecanismo explícito é esse, todos vivem à custa do Estado, ninguém que está fora do Estado se dá bem e fazem esse discurso hipócrita.

O mecanismo é a construção de privilégios, um em cima do outro, inclusive e sobretudo a Previdência. É claro que o sistema exige o financiamento das caras campanhas eleitorais, que permitem que alguns cheguem ao centro de poder, como as empreiteiras. Mas vejam o depois: puseram Pedro Parente na Petrobras, um legítimo filho da burocracia, cheio de privilégios por todos os lados. O povo não pode melhorar de vida enquanto essa casta se locupletar. Qual? Funcionários públicos, políticos, fornecedores do Estado e aposentados. Os banqueiros são fornecedores do Estados, os que mais se dão bem construindo a maior dívida do planeta.

Dizer que todos vivem à custa do Estado é uma imprecisão, vivem à custa dos impostos. O Estado é apenas o repassador de impostos para a aristocracia privilegiada. Esse é o mecanismo retro-alimentador.

Por isso Meirelles quer sempre aumentar impostos, pois deles dependem os juros. Nesse sentido mais profundo Padilha não foi honesto, não mostrou o mecanismo excludente por natureza. O Jacu-Higino é a abstrusa figura que aprendeu a mexer o sistema à custa do coitadismo que lhe tornou milionário, pois chegou ao centro do poder. Jacu-Higino tornou-se parasita-chefe porque soube conquistar votos com seu pieguismo, suas mentiras e seu cinismo. Está na estrada hoje tentando ter mais votos. Não chega nunca, pois é a única coisa que tem para permanecer no clube dos parasitas dominantes.

A série do Padilha é boa, mas podia ser melhor. Ocorre que talvez o Padilha nem perceba o absurdo da nossa situação. O Brasil é uma sociedade de parasitas cujos beneficiários comportam-se como se não fossem, como se não dependessem do sangue da gente. Abre os olhos, Padilha!

 

 

 

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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