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29 Mar 2018

O PROBLEMA ÓBVIO DE NOSSAS PERIFERIAS

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Enquanto as esquerdas e militantes sensibilizados com a parcela empobrecida de nossa sociedade continuar buscando soluções meramente paliativas em esquemas de “valorização da raça” ou outras bobagens, princípios básicos que moldaram nossa civilização como o direito de ir e vir são sabotados.

 

(Ruas desertas, população acuada dentro de casa, por conta de um toque de recolher silencioso e o medo de novos tiroteios em Barra do Ceará, o mais antigo bairro de Fortaleza, mas poderia ser em qualquer metrópole brasileira. Por quê? Fonte: cearanews7.com/)

“Toda luta é válida, quando é em favor da Educação.” Sônia Guajajara.

“Sabia que preto pobre não pode ser só sambista, já que vivia cercado pelas torpes estruturas do Estigma, da Exclusão e da Marginalidade, que terminam em uma luta fratricida pelo poder e pelos privilégios. E sua luta continuou pela volta daquela Portela de outrora, quando a Alegria vencia o Consumo, e pela valorização da raça… Quilombo é seu legado de emancipação na trilha educativa, que forma a Pessoa Digna e resgata o valor cultural da Escola de Samba!” Naves Ferraz.

Diga-me o que tem de “educação” quando se resume um processo e longa tarefa individual à obra de uma raça? Só se fala em “valorização da raça”, o que é uma mistificação, pois o que se relaciona à ideia de Educação é a Cultura e não um agregado de genes a guisa de capital cultural que possa servir de esteio para educação. Sabe… De tanto falar em raça vocês esquecem o mais importante, que a educação não é um dado adquirido por uma categoria coletiva, mas um processo eminentemente individual, fruto do esforço da pessoa e não de um grupo. Coitado do grupo que é levado pelo canto da sereia de que seu apego a uma ideia de raça ou classe ou categoria coletiva que seja que possa lhe ser útil de alguma forma. Vocês estão… Sim!Vocês mesmos estão amaldiçoando sua própria raça com esta conversa inócua para o resultado e benefício das próprias pessoas. Triste.

Eu trabalhei com crianças de periferia na escola com piores índices da região metropolitana de Florianópolis, o município de Biguaçu. Vi o que tu mencionas, é real. Mas vi também que há fatores que são extraclasse, muitos, como a violência local. Certa vez propus uma atividade, que participassem de uma gincana proposta pela National Geographic e creia-me, havia muitos com capacidade. Após os testes dois foram qualificados para a fase seguinte, um garoto e uma garota de origens e etnias diversas, o rapaz negro, imigrante baiano de culto afrodescendente e a menina branca, nativa e evangélica. Histórias e percursos distintos. Mas uma barreira comum os impediu de seguir. Ingenuamente eu combinei horário e data para seguirem para a próxima fase, mas eles não foram e não me falaram por que não iam: tinham receio de sair das cercanias de onde moravam. Suas vidas fora do bairro eram tolhidas porque tinham restrições por onde andar sem acompanhamento e dependendo do horário, toque de recolher. Agora pense em como crianças assim poderão buscar oportunidades fora de seu círculo de vida limitado? Triste.

Enquanto as esquerdas e militantes sensibilizados com a parcela empobrecida de nossa sociedade continuar buscando soluções meramente paliativas em esquemas de “valorização da raça” ou outras bobagens, princípios básicos que moldaram nossa civilização como o direito de ir e vir são sabotados. E aí não vai ter cota nem abraço nem choro nem reza que resolva nada. Acordem! Os problemas são muito mais óbvios e as soluções mais simples, não há mágica nem mistério, apenas a coragem de admitir que via a realidade de modo distorcido.

 

 

 

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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