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26 Mar 2018

DIREITO HUMANOS VS. DIREITOS DOS MANOS

Escrito por 

 

 

 

Resumindo o entrevero: não sermos capazes de perceber a diferença substancial que há entre os Direitos Humanos e os tais direitos dos manos é uma deformidade cognitiva fruto de uma grande desatenção para o cerne da questão ou apenas um pútrido fruto da mais pura malícia ideológica engajada.

 

SOU UM CARA MUITO SOSSEGADO. Sou mesmo. Na verdade sou cínico pra caramba. Isso mesmo. Um petulante bem desavergonhado.

Poucas coisas me tiram do sério. Praticamente ignoro tudo que considero irrelevante e, só pra constar, sou condescendente com pouquíssimas coisas nessa vida.

Dentre as coisas que me causam asco e, por isso, me tiram do sério, está a imagem das pessoas supostamente descentes que usam politicamente a morte de alguém e, por participarem duma patifaria dessa monta, julgam-se ou, ao menos, imaginam-se acima do bem e do mal.

Bem, pra falar a verdade, sim, esse tipo de gente me causa asco, mas não as levo a sério não. Gente que age assim, desse modo vil, não merece um segundo da seriedade dum sem vergonha como eu. Não mesmo.

(ii)

TODO AQUELE QUE FAZ CARREIRA defendendo criminosos como se esses fossem vítimas inermes da sociedade, do Estado e do caramba à quatro, deve lembrar-se do dito popular que, sabiamente, adverte-nos que, muitas vezes, nós acabamos por criar a cobra que, um dia, irá nos morder e, cedo ou tarde, morderá.

(iii)

QUER, REALMENTE, DIMINUIR A CRIMINALIDADE em nosso triste país? Então, ao invés de encarcerar uma vítima da sociedade, acolha-a e entregue em suas mãos um exemplar do livro "Pedagogia do oprimido" do famigerado Paulo Freire. Isso mesmo! Ao ler esse troço medonho ele, o meliante, irá desenvolver a sua criticidade a tal ponto que, num ato mágico, digo, num ato de tomada de consciência, deixará de ser a vítima da sociedade que ele nunca foi para se tornar a vítima que os intelectuais canhotos e tortos dizem que ele supostamente é.

(iv)

UMA COISA SÃO OS DIREITOS HUMANOS enquanto um patamar civilizacional conquistado através dos séculos; outra, bem diferente, é a instrumentalização da ideia de direitos humanos (nesse caso, direito dos manos, se preferirem) transformando-a, em alguns casos, em uma arma retórica para atacar inimigos políticos/ideológicos e, noutras situações, usando-a como um cavalo de Troia para destruir, de dentro para fora, os alicerces civilizacionais da sociedade Cristã ocidental.

Reparem - aliás, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso já reparou - que toda vez que os direitos humanos são usados como uma espécie de borduna para desqualificar as forças policiais; ou como um tipo de tacape para desumanizar adversários políticos, que são rotulados de modo infame e injusto; ou como um escudo ideológico para dar guarida a criminosos violentos, cruéis e impiedosos, tratando-os como se fossem uma espécie de vítima inerme da sociedade afirmando, entre outras coisas, que eles fizeram o que fizeram, e que fazem o que fazem, porque supostamente não tiveram escolha nem oportunidade; ou para defender ditadores sanguinários e diabólicos, fazendo uso dos mais variados subterfúgios retóricos para dizer que eles são, como dizem, símbolos de resistência ao tal do imperialismo; enfim, nesses casos, e em todos os outros que sejam similares, o que está em pauta não é a validade dos Direitos Humanos. Não. Não. E, mais uma vez, não.

O que está em xeque nesses casos todos é a legitimidade da instrumentalização vil dos direitos humanos que é feita pelos mais variados matizes políticos, advindos do marxismo cultural, que subvertem o sentido originário dos direitos fundamentais para melhor defender uma agenda ideológica totalitária que avilta sorrateiramente tudo e todos; não, obviamente, para proteger e resguardar a integridade daqueles valores que nos caracteriza como humanos.

Resumindo o entrevero: não sermos capazes de perceber a diferença substancial que há entre os Direitos Humanos e os tais direitos dos manos é uma deformidade cognitiva fruto de uma grande desatenção para o cerne da questão ou apenas um pútrido fruto da mais pura malícia ideológica engajada.

Por fim, creio eu que não há meio termo para essa questão não. Não mesmo.

 

 

 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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