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27 Fev 2005

Sabedoria e Justiça

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A riqueza é produto da capacidade do homem de pensar, dizia a escritora Ayn Rand. Para alcançar o saber, o exercício de pensar, raciocinar, questionar em incessante busca, é fundamental.

A riqueza é produto da capacidade do homem de pensar, dizia a escritora Ayn Rand. Para alcançar o saber, o exercício de pensar, raciocinar, questionar em incessante busca, é fundamental. Atingir a sabedoria é descobrir. O sábio, por sua vez, é prudente e sensato. Assim, o saber se opõe a ignorância.
Entretanto, o mais interessante é verificar o encontro entre sabedoria e justiça.

É na Dikelogia platônica que encontramos a Teoria da Justiça, considerada uma espécie de virtude central que coordena todas as demais. Assim, possuir um senso de justiça apurado, aliado a sabedoria, representa algo singular, aquilo que todo ser humano deveria buscar, em especial aqueles que optam por ser operadores do Direito. Lidar com as leis é algo nobre, movimentar a justiça algo distinto, que deve ser exercido com o máximo de dignidade.

Assim, desde o início me chamou a atenção o nome com o qual foi batizada a turma de formandos do Direito noturno turma "A" do UniCEUB, "Sabedoria e Justiça". Para nós, professores, é gratificante perceber que um grupo deixa os dias de faculdade para trás com a certeza dos rumos que deve seguir, com a confiança nos valores que deve trilhar. Dessa turma sairão juízes,
advogados, promotores, dentre as várias carreiras que o Direito pode proporcionar. Esses operadores serão responsáveis por conduzir processos, realizar defesas, orientar clientes, redigir novas doutrinas, adotar novos posicionamentos, ou seja, farão parte da comunidade jurídica brasileira.

O Brasil precisa de mais sabedoria e justiça, disso temos certeza. Contudo, apesar das dificuldades, o País tem avançado, continuamente, em direção aos valores democráticos. Enxergamos progressos. Vivemos em um país com liberdade de expressão onde as idéias podem circular livremente, onde é possível adquirir sabedoria, onde é possível buscar a justiça, onde é possível, enfim, realizar este grande encontro, proposto por alunos universitários que encerram um ciclo de vitórias.

Atingir a sabedoria e a justiça não é tarefa fácil. Os juízes são aqueles que possuem em suas mãos o poder final, portanto, aqueles que mais necessitam desta brilhante composição. Talvez por isso, os mesmos formandos que deram nome a turma, escolheram como seu patrono e paraninfo, respectivamente, dois reconhecidos e respeitados juízes, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello e o Desembargador Federal Carlos Fernando Mathias. Juízes, homens que sempre devem ser sábios, aqueles que dentro do Estado Democrático de Direito brasileiro, são responsáveis por promover a justiça, o que segundo os gregos, pressupõe um apurado senso ético.

Para nós, professores, que tivemos o privilégio de conviver com alunos tão brilhantes, futuros profissionais de sucesso, temos a certeza que apesar dos afazeres do dia-a-dia, o exercício da docência, para qualquer profissional é gratificante, em especial neste caso, de onde sabemos que nascerão profissionais pautados pelo senso ético, sábios, sensatos, certos de que o caminho está apenas começando. A sabedoria, soma de conhecimentos humanos, é responsável por ajudar na busca incessante da justiça. Como homenageado desta turma, retribuo o imenso carinho reafirmando que certamente sou mais sábio em decorrência de nossa convivência. Hoje, a homenagem é para estes bravos vencedores, ao trazer uma frase lembrada pelos mesmos: "Jus est ars boni, sapiens et aequi" - O Direito é a arte do bom e do justo.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:17
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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