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27 Fev 2005

O Caminho do Meio

Escrito por 

Vinícius De Morais gravou uma música que tem tudo a ver com este tema: “Testamento”. Vale a pena prestar atenção na letra. O velho Vinícius sabia viver.

"É melhor não encher totalmente um vaso do que tentar carregá-lo se estiver cheio".
Lao-Tsé


Assim como o calor muito forte, o frio extremo também queima. Por isto, o conforto está no meio.

Tudo na natureza - inclusive na humana - é regido pelo equilíbrio, a palavra mágica do universo. No equilíbrio, os corpos celestes mantêm sua dança cósmica. A diferença entre o remédio e o veneno está na dose, até a água ingerida em demasia pode matar. O corpo humano se mantém num estado de equilíbrio das funções, chamado homeostasia, obedecendo a intervalos extremamente exíguos de temperatura, equilíbrio ácido-base, quantidade de hormônios e outros parâmetros.

Nascer, crescer, amadurecer e morrer, tudo isto transcorre de maneira muito rápida. O tempo é muito sutil, passa rápido sem ser notado. É certo que o trabalho dá sentido á vida, seja ele remunerado ou voluntário, humanitário. “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também, mas que você diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem” diz Roberto Frejat em sua música Amor pra recomeçar.

Uns trabalham por amor, outros por ambos, amor e necessidade; alguns odeiam o que fazem. Em todos os casos, corre-se o risco de trabalhar em demasia, negligenciando-se a saúde física e mental. Física, porque o corpo tem seus limites e cobra um preço alto de quem os excede com freqüência; mental, quando se percebe que o que se ganha não compensa o que se perde. Sair de casa com os filhos dormindo e voltar com eles já novamente adormecidos é um preço alto a pagar pelo sucesso, pelo acúmulo de patrimônio e prestígio.

Obviamente, nem todos têm a opção de diminuir sua carga de trabalho, muita gente tem mais de um emprego para poder pagar as contas no fim do mês. Nem sempre pode-se diminuir os gastos,  e conseqüentemente, a carga de trabalho, procurar uma ocupação menos desgastante, numa época em que ter um emprego é uma bênção.

Há casos onde existem opções de reduzir-se a sobrecarga. Profissionais liberais, empresários, podem delegar tarefas, optar por uma vida mais espartana, porém mais satisfatória, afinal, de que adianta ganhar rios de dinheiro e ir parar no hospital? O filósofo grego Sêneca, em seu pequeno e sábio livro “Da brevidade da vida”, diz, num diálogo: “trabalhar tanto, durante a vida toda, por uma inscrição numa laje?”. A vida é um filme que não tem reprise.

Trabalhadores abnegados como alguns médicos, enfermeiros e outros, idealistas, devem ter em mente que precisam respeitar os próprios limites, do contrário, não poderão, se ficarem doentes, ajudar mais ninguém.

Muitos empregados sofrem pressões enormes por resultados e não têm escolha. Se alguém gosta do que faz e não excede seus horários, não se estressará tanto, mas se trabalha sem muito entusiasmo, é melhor tentar procurar outra coisa. Para muita gente, trabalho é diversão, no bom sentido, de que nem vêem o tempo passar. Ainda assim, fazendo-se o que dá prazer, corre-se o risco de sofrer algum estresse.

Por este motivo, é preciso desligar ou mudar de estação, ler um livro, ver um filme, dormir um pouco mais, praticar qualquer atividade que conduza a um reequilíbrio, investir em si mesmo, fazendo umas sessões de análise para se conhecer; meditar, que comprovadamente traz benefícios, ver os amigos, ir a um bar, jogar conversa fora.

Estabelecer um horário para chegar em casa e ver os filhos, nem que sejam apenas duas vezes por semana, mas que seja sagrado. Jamais usar o trabalho como fuga.

Vinícius De Morais gravou uma música que tem tudo a ver com este tema: “Testamento”. Vale a pena prestar atenção na letra. O velho Vinícius sabia viver.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:18
Luiz Leitão

Luiz Leitão da Cunha é administrador e consultor de investimentos, sendo articulista e colunista internacional, especialmente para países lusófonos. É colaborador do Jornal de Brasília, Folha do Tocantisn, Jornal da Amazônia, Diário de Cuiabá, Publico (Portugal), entre outros.

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