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27 Fev 2005

A Caminho da Servidão

Escrito por 

Presidente, entenda que nosso povo jamais quis e não quer saber de socialismo e de servidão!

<P>Em 1944, o economista austríaco Friedrich Hayek publicou a primeira edição do
mais famoso de seus livros, O Caminho da servidão. Sua tese era que os regimes
totalitários, como o coletivismo socialista, tornavam os cidadãos servos do
Estado, que deles acabava se servindo como melhor lhe aprouvesse.</P>
<P>Seis décadas depois, o mundo teve oportunidade de aprender, ao custo de
genocídios, de prisões políticas e de muito sofrimento, que a tese de Hayek
estava correta, inclusive a sua previsão de que o comunismo implodiria, 
por ser insustentável, já que, ao abolir a propriedade privada, estava
decretando o fim dos mercados e, portanto, estava acabando com o sistema de
preços, o que o tornava um sistema que se guiava às cegas, em que era impossível
calcular custos e benefícios corretamente, o que, cedo ou tarde, o faria ruir,
como ocorreu com a União Soviética e seus satélites.</P>
<P>Mas sempre houve, há e continuará havendo os que, por boa fé, ignorância ou
sectarismo, recusam-se a aprender as lições da História, tanto a que demonstrou
ser o socialismo real uma coletivização da pobreza, quanto a que comprovou que
ele cerceia as liberdades individuais. Onde há presos políticos no mundo atual,
a não ser na ilha-prisão de Fidel - de onde os cubanos não  podem sair e
onde padecem nas prisões, após julgamentos públicos que não passam de farsas, os
que não pensam como o ditador genocida -, na Coréia do Norte, na China, no
Vietnã do Norte e em países em que atuam organizações terroristas como as Farc e
as do mundo muçulmano?</P>
<P>É triste ter que escrever esses fatos - sabidos e comprovados, embora ocultos
por uma mídia sectária - em pleno ano de 2005. É triste, mas é necessário,
porque aqui mesmo no Brasil, sob as barbas de todos, tem-se assistido a uma
série articulada de medidas para nos colocar no caminho da servidão. Começou com
as tentativas frustradas de criação do Conselho Federal de Jornalismo, depois da
Ancinav, com as de controle do Judiciário e de cooptação do Legislativo por
parte do Executivo, vem prosseguindo com o chamado "direito alternativo" e com a
leniência para com as invasões de propriedades privadas por parte do MST,
manifesta-se abertamente por meio de uma carga tributária insuportável e pela
negação do federalismo e tenta agora prosseguir com a proposta de "reforma"
universitária, que confunde "democratização" da educação com populismo e
institui o demérito como valor moralmente correto.</P>
<P>Para os ideólogos que formularam a proposta, parece não apenas justo, mas
necessário que os proprietários de uma instituição privada de ensino passem a
deter apenas 20% do controle das mantenedoras, cabendo 10% aos empregados
(professores e funcionários) e - pasmem! - 70% para um "conselho" formado por
"movimentos populares" (quem sabe, a torcida do Corinthians) e representantes da
"sociedade civil organizada" (certamente, sindicalistas, ONGs e, talvez,
pagodeiros e ambulantes, entre outros).</P>
<P>E a Constituição, que garante a autonomia das universidades? E o mérito? E o
respeito à propriedade alheia? E a liberdade de pensamento e, por conseguinte,
de ensino? E o papel dos que cometeram o "pecado" burguês de estudar em boas
escolas, tornaram-se professores e entendem que o socialismo é um conto do
vigário? Não alimento dúvidas de que, para algumas cabeças coroadas de Brasília,
o governo precisa controlar a informação, a educação e a cultura, o que nos
permite supor que o passo seguinte seria controlar a economia. Tudo isto é uma
traição para quem elegeu o Presidente Lula, pois o seu partido teve menos do que
um terço do total de votos em 2002, dos quais apenas cerca de 10% de eleitores
"xiitas" (e 90% de  "chatos")...</P>
<P>Presidente, entenda que nosso povo jamais quis e não quer saber de socialismo
e de servidão!</P>

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:18
Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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