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26 Fev 2005

Correção do Erro

Escrito por 

Lembro-me como se fosse hoje, que pensei: “Então, esse cara (o Sr. Luis Inácio), não deve continuar sua campanha. Afinal ele não tem sequer segundo grau. Sua eventual vitória significaria um desprestígio ao cargo de Presidente”.

Durante a última campanha presidencial, o Sr. Luis Inácio, então eterno candidato à presidência da República, em entrevista ao repórter Roberto Cabrini, na Rede Bandeirantes, declarou ser frontalmente contrário a possível mudança no processo de admissão aos quadros da Polícia Federal. Àquela oportunidade, discutia-se reduzir a exigência de nível superior para nível médio aos candidatos a cargos na PF. Dizia o “candidato” que tal alteração significaria, entre outros aspectos, um desprestígio à função.

Lembro-me como se fosse hoje, que pensei: “Então, esse cara (o Sr. Luis Inácio), não deve continuar sua campanha. Afinal ele não tem sequer segundo grau. Sua eventual vitória significaria um desprestígio ao cargo de Presidente”.

No entanto, eis que o atual governo, através do Ministério das Relações Exteriores, contradizendo seu chefe máximo, através da Portaria 467/04, resolve tornar a prova de inglês, no concurso de admissão ao Instituto Rio Branco, apenas classificatória.

O Instituto Rio Branco foi fundado em 1946 e é responsável pela seleção e treinamento dos diplomatas brasileiros, em processo contínuo de formação. Desde 1976, o Instituto já formou, também, 132 diplomatas estrangeiros. O IRBr oferece ainda, para diplomatas, cursos de técnicas de negociação e diplomacia pública e, para os demais funcionários do Ministério, de prática consular, cerimonial e idiomas. Assim, toda a representação diplomática do Brasil é selecionada e formada por este nobilíssimo Instituto, que está sediado na cidade de Brasília.

Ademais, o Instituto Rio Branco, honrosamente recebe o nome do Barão do Rio Branco. Esta singular figura nacional nasceu em 20 de abril de 1845. Foi deputado (1868/1872), Secretário Particular na missão de negociação de paz com o Paraguai (1870/1871) e Cônsul-Geral em Liverpool (1876). No período que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores (1902-1912), o Barão do Rio Branco foi responsável pela consolidação das atuais fronteiras do país, e por importante modernização das ações da Chancelaria brasileira. O Barão do Rio Branco personaliza a tradição de excelência dos serviços prestados ao país pelo Ministério das Relações Exteriores.

Vê-se desta maneira que, àquela “decisão” do governo federal, no que tange a admissão ao IRBr, além de agredir a memória de um ilustre brasileiro, que muito contribuiu para o estabelecimento e incremento de nossa atividade de relações exteriores, agrediu um Instituto público extremamente importante e sensível aos interesses do país.

Porém referida pretensão não nos deveria surpreender. Afinal, é da praxe totalitária (de direita ou esquerda), minar, acabar, destruir, com todas as formas de identidade cultural. De arrasar, extinguir com a história de uma nação. Afinal, um povo desprovido de cultura é facilmente manipulável. Um povo sem história, jamais irá se constituir em uma nação. Mao e Fidel que o digam!

No entanto, o Deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), trouxe uma luz no fim do túnel. Seu projeto de decreto legislativo 1551/05 retoma o fiel respeito a uma das mais nobres carreiras de Estado. Sua proposta torna a prova de inglês eliminatória. Segundo Eduardo Paes, é inadmissível que o Itamaraty deixe de exigir pleno domínio da língua inglesa para ingresso no Instituto Rio Branco. O objetivo de sua proposta é preservar a qualidade do corpo diplomático brasileiro e a própria imagem do País no exterior. Nas palavras do próprio Deputado, "(...) a globalização e a conseqüente internacionalização dos mercados levou as nações a adotarem o inglês como o idioma oficial nos negócios e nas relações internacionais". Complementa, ressaltando que o idioma inglês é a língua oficial de cerca de 45 países, como Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Austrália, Bahamas e Reino Unido; a segunda língua de aproximadamente 150 milhões de pessoas em todo o globo; e também o principal idioma da comunicação mundial, usado na diplomacia, na economia e no turismo. "Na área de informática, o inglês já é considerado para muitos como a língua oficial da Internet”.

O projeto está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, depois, deverá ser votado pelo Plenário.

Particularmente, acredito que o Deputado esteja absolutamente correto. Parabéns. E que o plenário da Câmara, agora sem a batuta totalitária do PT, seja sensível e inteligente para aprovar o referido conserto. Em nome da memória do Barão do Rio Branco. Em nome ao respeito à nação brasileira.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:18
Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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