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03 Set 2017

APLICATIVOS DO TERROR

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O emprego esporádico de tropas federais em apoio às polícias estaduais não resolve o problema, implica grandes despesas e contribui para o desencanto dos moradores quanto à eficácia dessa solução.

 

Meu amigo reside em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, e trabalha em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Diariamente, na ida e no regresso do trabalho, tem que enfrentar um percurso onde costumeiramente ocorrem tiroteios, assaltos e arrastões. As opções são apenas duas, a Avenida Brasil ou a Linha Vermelha.

Perguntei-lhe como decidia qual o itinerário a seguir e ele respondeu que, além de ouvir as estações de rádio que dão constantemente informações sobre o trânsito, recorre a dois aplicativos de smartfone: o Fogo Cruzado e o OTT (Onde Tem Tiroteio?).

O Fogo Cruzado é uma plataforma digital colaborativa, iniciativa da Anistia Internacional do Brasil, que registra a incidência de tiroteios e outras ocorrências de violência armada nas ruas do Grande Rio. As informações são em tempo real, fornecidas pelos próprios usuários, e podem ser vistas em pequenos relatórios escritos padronizados ou num mapa das vias de circulação da área.

O OTT registra em um mapa semelhante ao do Google – não sei se há ligação entre as empresas – os locais de ocorrências violentas, inclusive arrastões, além de descrever sumariamente o incidente. Também registra as informações dos usuários, que vão informando o que está acontecendo em seu trajeto.

Além disso, meu amigo, preocupado com o que tem visto ocorrer, está providenciando a aquisição de um carro blindado, que lhe dê mais segurança e aumente as chances de chegar vivo no trabalho ou em casa.

Que país é este, onde os moradores têm que viver em fortalezas gradeadas, com portas reforçadas por chapas metálicas, e apelar para aplicativos comuns em países em guerra civil ou em luta contra guerrilheiros terroristas, como Síria ou Iraque, para monitorar os caminhos por onde terão que passar com seus veículos blindados?

Já há, no Rio de Janeiro, áreas completamente controladas pelo tráfico ou pelas milícias, zonas “liberadas” conhecidas pelos estudiosos do assunto como áreas vermelhas, onde as autoridades não entram, ou só o fazem com permissão dos senhores da guerra locais.

O emprego esporádico de tropas federais em apoio às polícias estaduais não resolve o problema, implica grandes despesas e contribui para o desencanto dos moradores quanto à eficácia dessa solução.

Tais tropas somente deveriam ser empregadas em situações muito específicas, com a adoção de medidas especiais e excepcionais previstas na Constituição, diferentes das vigentes nas condições normais de temperatura e pressão da vida urbana comum.

Situações anormais exigem soluções de exceção.

 

 

 

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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