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29 Ago 2017

CHARLOTTESVILLE: STALIN GANHA MAIS UMA

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As ocorrências em Charlottesville, Virginia, tem raízes mais profundas e antigas do que as interpretações apressadas podem alcançar. Essas últimas se baseiam apenas nas aparências que nada mais são do que cortina de fumaça de desinformação. Ao assistir, quase ao vivo, as manifestações, deu-me uma sensação dupla: de deja vu e de uma mise en scène, algo preparado e ensaiado.

 

 

(O ministro alemão das Relações Exteriores, Joachim Von Ribbentrop (à esquerda.), o líder soviético Joseph Stalin (no meio, rindo) e seu ministro das Relações Exteriores, Vyacheslav Molotov (à direita, no canto), assinam o pacto no Kremlin em 23 de agosto de 1939.)

 

There is really one only political party of any significance in the United States…the Republicans and Democrats are in fact two branches of the same (secret) party. (Existe, na verdade, apenas um único partido político com alguma significância nos Estados Unidos… Os republicanos e os democratas são, na realidade, dois ramos do mesmo partido [secreto].) Arthur C. Miller, The Secret Constitution and the Need for Constitutional Change, 1987

As ocorrências em Charlottesville, Virginia, tem raízes mais profundas e antigas do que as interpretações apressadas podem alcançar. Essas últimas se baseiam apenas nas aparências que nada mais são do que cortina de fumaça de desinformação. Ao assistir, quase ao vivo, as manifestações, deu-me uma sensação dupla: de deja vu e de uma mise en scène, algo preparado e ensaiado. Vejamos:

1. um grupo da organização Antifa pedira a remoção de uma estátua do General Robert Lee, Comandante do Exército Confederado;

2. outro grupo de neo-nazistas e integrantes da KKK pedira autorização para uma manifestação em defesa da permanência da estátua;

3. o prefeito primeiro autoriza, depois desautoriza, volta atrás e como que magicamente surge o outro grupo, a polícia se retira, contrariando todos o cânones de controle de distúrbios;

4. fecha o tempo, inclusive com um carro providencial que criou o que todos esperavam: uma vítima;

5. o Presidente Trump condena os dois lados do conflito e desencadeia uma tempestade universal de protestos acusando-o de “defender a direita radical, por igualar moralmente os nazistas aos que protestam contra eles”. Trump cai na armadilha, meio que volta atrás e depois reafirma o que dissera. David Duke, com intenção óbvia de por lenha na fogueira, elogia a atitude de Trump.

Ora, há muito já se sabe que estes grupos agem de comum acordo, só enganando quem acredita ainda na oposição entre esquerdistas e direitistas. Alguém que se considere analista político e ainda acredita nisto só pode ser um idiota disfarçado de imbecil! O Partido secreto referido por Miller, o deep state, jamais esteve tão evidente como desde a vitória totalmente inesperada de Donald Trump. Obama foi durante oito anos o representante do deep state e Hillary seria sua natural seguidora. Trump foi um golpe nos planos tão duramente elaborados.

Para entender como se chegou a esse ponto é preciso retroceder ao fim da I Guerra Mundial.

A aliança teuto-soviética, o Pacto Molotov- Ribbentrop e o destino da Europa ([1])

No final da guerra Lloyd George já antevia:
“O maior perigo do momento consiste no fato da Alemanha unir seu destino com os Bolcheviques e colocar todos os seus recursos materiais e intelectuais, todo o seu talento organizacional, ao serviço de fanáticos revolucionários cujo sonho é a conquista do mundo pela força das armas. Esta ameaça não é apenas uma fantasia”.

Realmente, já em 1919, os dois países – chamados “párias de Versalhes” – iniciaram diálogos secretos de uma aliança para tornar letra morta o Tratado de Versalhes com vistas ao reerguimento da Alemanha e, simultaneamente, a reconstrução do Exército russo, levando em maio de 1933 – portanto já em pleno regime nazista – o General Mikhail Nicolayevitch Tukhachevsky, vice-comissário e Chefe do Estado-Maior do Exército Vermelho, a afirmar: “(…) vocês e nós, Alemanha e URSS, podemos ditar nossos termos ao mundo todo se permanecermos juntos”.

Era a época em que comunistas e nazistas se esmeravam em destruir todas as manifestações uns dos outros (Antifa x Neo-Nazis?), porém, juntos, rebentavam as manifestações de outros partidos, principalmente no maior inimigo de ambos, o Partido Socialista Alemão.

Muito antes do início da Segunda Guerra Mundial, Stalin genialmente elaborou o plano de fazer de Hitler a ponta de lança da contra as democracias ocidentais, culminando no Pacto Molotov-Ribbentrop de agosto de 1939. Antes disto, nos conhecidos “processos de Moscou”, eliminou Tukhachevsky e todos os demais que estabeleceram a cooperação anterior, para manter o segredo.

Ribbentrop e Stalin dão risadas juntos, enquanto Molotov assina o pacto macabro.

O pacto foi rompido por Hitler em junho de 1941 e então Stalin marcou mais um ponto, denunciando os nazi-fascistas como tendo sempre sido “inimigos do povo”, apagou a história ([2]) e enviou a todos os partidos comunistas do mundo a diretiva de incessantemente afirmar falsamente que o nazi-fascismo era a direita reacionária agindo contra o processo histórico, e o comunismo revolucionário a esquerda dos povos “amigos da paz”. Para isso foi fundado, em 1943, o Kominform, responsável pela desinformação durante a guerra e o pós-guerra.([3])

A súbita mudança que levou à aliança da URSS com os Aliados, que Richard G. Powers denominou “Dançando com o Diabo” ([4]) além de conseguir a anuência de Roosevelt (à vontade) e Churchill (contrariado) para dominar metade da Europa sem cumprir nenhum dos acordos assinados em Yalta, Teheran e Potsdam (já com Truman), permitiu a Stalin infiltrar agentes comunistas nos órgãos políticos e de inteligência do Ocidente, como na CIA, no MI6 e principalmente no Departamento de Estado dos EUA, onde colocou Alger Hiss, que foi o Secretário de fundação das Nações Unidas, e Harry Dexter White, primeiro presidente do FMI e um dos fundadores do Banco Mundial, entre centenas de outros.

O pós-guerra e a Guerra Fria
Até a Guerra do Vietnã, devido ao conhecimento das atrocidades soviéticas, imperou nos Estados Unidos a tendência anticomunista. Mas não apenas os abertamente infiltrados, como também “toupeiras” e sleeper agents – remanescentes dos grupos de Wili Müzenberg – continuaram seu trabalho, através principalmente da infiltração nas entidades de trabalhadores, estudantis e de professores. A penetração no Partido Democrata se deu através da formação de líderes como Tom Hayden, autor do Port Huron Statement e a fundação da organização Students for a Democratic Society em 1962 que veio a ter atuação de frente contra a Guerra do Vietnam, quando se juntaram a ela John Kerry, Jane Fonda e muitos outros.

É preciso ressaltar que o Partido Democrata tinha raízes muito fortes no sul ainda ressabiado com o fim da escravidão. A Ku Klux Klan era uma das mais fortes propagadoras dos ideais do Partido Democrata. Imagina-se que no princípio dos contatos entre os grupos dos dois lados, podem ter havido choques, mas se deram conta de que tinham uma agenda comum: a destruição dos Estados Unidos como líder no mundo livre.

A dominação pelo “establishment” bipartidário e multinacional
Em 1971 foi publicado por Gary Allen e Larry Abraham None Dare Call it Conspiracy, um livro de grande importância, tendo perturbado o establishment político ocidental dominante ao expor grande parte de sua história secreta e as agendas que controlam os processos políticos dos Estados Unidos e grande parte do resto do mundo. Contêm explicações das agendas da elite global pouco conhecida. Surpreendentemente para muitos, o livro mostra como este grupo de integrantes do establishment foi historicamente responsável por estabelecer secretamente e, em seguida apoiar, os regimes comunistas totalitários na Rússia, na China e em grande parte do mundo, e é explicado como as filosofias globalistas que são atualmente implementadas, pede que um sistema uniforme de governo similar seja eventualmente imposto a toda a população do planeta em uma “Nova Ordem Mundial” totalitária.

Esta nova ordem, idealizada por Lenin, foi implementada por Stalin através da criação da ONU e outros organismos globalistas. Este projeto inclui a progressiva união de países sob elites não eleitas com força total para implementar suas regras e leis, como na União Europeia. Ora, o nazi-fascismo não previa exatamente o mesmo estado de coisas: o fim das democracias ocidentais e de todo e qualquer poder escolhido pelo voto? Pois, se o princípio democrático é a renovação periódica do poder através do voto popular, ele impede a continuidade eterna de uma elite burocrática e, ao final, o fim da liberdade e da distribuição da riqueza pelo trabalho. Como bem apontou C. S. Lewis em The Abolition of Man. Não é exatamente isto que se pretende com as técnicas eugênicas e de controle populacional – aborto, eutanásia, seleção dos mais capazes – e as ideias mentirosas sobre aquecimento global causado pelos seres humanos, homossexualidade e transgenerismo (infertilidade)? Conforme Lewis disse, será a abolição de grande parte da humanidade para gozo pleno das elites.

New lies for old
Tomo emprestado o título de Golitsyn para um salto no tempo diretamente para o tema inicial, já que este artigo se trata do “resumo resumido de um resumo”.

O artigo do Dr. Steve Piecznick ([5]) oportunamente enviado ao ‘Diário Filosófico’ do Mídia Sem Máscara por Olavo de Carvalho forneceu-me o elo que faltava para entender minhas sensações descritas no primeiro parágrafo acima. Realmente o que ocorreu foi uma operação de “oposição controlada” entre aliados secretos e não passaram de new lies for old, novas mentiras no lugar das antigas, pois é claro que observadores esclarecidos não se deixam mais enganar pelas antigas mentiras de Nazistas versus Comunistas. Mas encenadas desta forma ainda conseguem enganar à maior parte da população e até mesmo a políticos de alto nível, não integrados na mentira e de boa fé, como Mrs. May. Neste mesmo lado do Atlântico não enganou ao atilado Nigel Farage.

O Dr Piecznick faz um levantamento das vidas dos dois líderes que estavam aparentemente em campos opostos em Charlottesville: Richard Spencer e Michael Signer. O primeiro faz parte da entourage do grande bruxo da KKK, David Duke (supostamente a serviço do FBI). Signer trabalhou para John Podesta e fez parte da Comissão de Transição do Departamento de Estado representando Obama.

Parece não haver dúvida de que os dois trabalham para alguma agência federal (CIA, FBI) e coordenando suas atividades com seus respectivos partidos ao mesmo tempo em que mantêm agendas secretas escondidas em outros idiomas. A “confrontação” foi preparada por eles para demonstrar que todos os apoiadores de Trump são supremacistas brancos, nazistas, antissemitas e misóginos! A intenção é incrementar os movimentos anti-Trump com a finalidade de derrubá-lo do poder.

Ora, Trump é um outsider, não pertence nem é controlado pelo establishment, o deep state bipartidário ([6]) ligado à elite mundial que controla a União Europeia, a ONU, os acordos do clima e tenta levar seus tentáculos à Europa do Leste, até o momento refratária às suas pressões.

Trump é o contrário de tudo isto e põe em risco a estratégia bem urdida desde o fim do governo Reagan. “Take the Country back”, “Make America great again”, “America first”, são slogans que contrariam em tudo a estratégia globalista.

Stalin, de sua tumba, comemora!


Notas:
[1] Sugiro a leitura do Capítulo VI do livro “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, 2ª Edição, Observatório Latino, 2015

[2] Estas mudanças da história foram magistralmente descritas por George Orwell no livro “1984”.

[3] Dinesh D’Souza (http://midiasemmascara.org/artigos/destaques/o-grande-mentiroso-como-theodor-adorno-redefiniu-o-fascismo/) equivoca-se ao atribuir esta clivagem a Theodor Adorno. Este apenas deu forma filosófica e ideológica à genial criação de Stalin.

[4] Not Without Honor: the History of American Anticommunism, Yale Univ., Press, 1995

[5] Controlled Opposition Behind Charlottesville Rally: Deep state rally designed to paint all Trump supporters as “white nationalists”-  https://www.infowars.com/pieczenik-controlled-opposition-behind-charlottesville-rally/

[6] Note-se as ácidas críticas de McCain, os dois Bush, Mitt Romney e outros caciques republicanos.

Última modificação em Terça, 29 Agosto 2017 15:02
Heitor de Paola

Médico, escritor e analista político. Membro do International Board of Directors da Drug Watch International, Diretor Cultural da BRAHA (Brasileiros Humanitários em Ação), autor do livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial. Articulista do site Midia Sem Máscara, dos Jornais Inconfidência e Visão Judaica.

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