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25 Fev 2005

Da Opulência Criminosa

Escrito por 

Como o governo poderá aumentar a poupança para ampliar de maneira real o crédito sendo que esse vem apenas ampliando os gastos governamentais?

Há segredo para o desenvolvimento? Creio que não. O que existe e de modo peremptório é cegueira e má vontade de nossa parte juntamente com o atrapalho de alguns, no caso, de nossa classe dirigente, para que possamos atiçar a centelha do progresso econômico e, conseqüentemente, social.

Um dos pontos nevrálgicos que apontamos para o estado em que se encontra a nossa sociedade, apesar da intensa propaganda governamental na forma de "noticiário", foi-nos apontado de maneira bastante enfática pelo finado Roberto O. Campos, onde o mesmo afirma que dispomos de uma forte "tendência a imitar padrões sociais estrangeiros luxuosos, sem imitação correspondente do coeficiente de esforço e reserva de capitalização, mas como consumo ostentatório e exibição de nível de vida em grande disparidade com a realidade geral de miséria, provocando assim injustiças sociais que criam escândalos".(Meira Penna. Opção preferencial pela riqueza. p. 108).

A primeira imagem que vem a minha mente é a de trabalhadores de construção civil envolvidos nas empreitadas das usinas hidrelétricas e demais obras públicas desencadeadas pelo Governo Federal entre as décadas de 60 e 70 onde muitos destes afirmavam que o barrageiro era o tipo de pessoa que ganhava 1.000 e gastava 2.000. Não se cultivava a necessidade cultural de se poupar e investir de maneira produtiva, mas sim, uma outra necessidade cultural apontada pelo finado economista: a de investi (entenda-se gastar) de maneira meramente ostentativa.

Recuando mais no devir histórico de nossa experiência civilizacional enquanto Nação, veremos casos similares como a baixa produtividade dos engenhos de cana-de-açúcar brasileiros em comparação com a produção dos holandeses do mesmo produto nas Antilhas. O grande gasto em ostentação nas cidades mineiras durante o ciclo do ouro e o parco investimento em infra-estrutura, como também, o exemplo do ciclo da borracha no norte do país onde, os únicos investimentos em infra-estrutura forma realizados por capital estrangeiro, como é o caso do porto flutuante de Manaus.

Mas e quanto a hoje? Ora meu amigo, lhe pergunto: como poderemos ter um maior investimento a longo prazo no setor produtivo sendo que o Estado fica com a maior fatia do PIB? Como o governo poderá aumentar a poupança para ampliar de maneira real o crédito sendo que esse vem apenas ampliando os gastos governamentais?

Gastos os quais não fogem a regra viciosa de nossa história como as negociatas no Congresso Nacional nos assim chamados "balcões de negócios" que, José Genuíno prefere chamar de pragmáticas "negociações pontuais", segundo entrevista dada no Roda Viva em 2002.Ou então, exemplo crasso, o da compra do tão badalado aerolula, o avião importado que custou mais de US$ 56.700.000,00 e que terá a documentação referente a compra como "secreta". Detalhe: esse quinhão gasto é simplesmente mais que o dobro do que fora destinado ao saneamento básico em 2004.

E, para ser apenas mais um pouquinho chato com os petistas, pergunto-lhes o que ninguém quer saber, mas eu quero: como essa governança de meia-pataca pretende ampliar a poupança para criar investimento e crescimento em longo prazo e assim, o que costuma ser nominado de desenvolvimento sustentável, sendo que o mesmo em comparação com a governança passada, a do tucanato, aumentou em 60% os gastos governamentais?

E não foi aumento com assistência aos desvalidos não. Foi para com o fofo do Presidente. As despesas em 2002, durante o governo FHC, eram de R$ 154,2 milhões. Já em 2003, quando o PT chegou ao poder, as despesas foram de R$ 282,7 milhões, e fecharam 2004 em R$ 252 milhões. É mole ou quer mais? Então lá vai: o governo Lula-la criou mais um ministério que necessitará a contratação de mais 333 funcionários. Via concurso? Não! São cargos de "confiança", indicados pelo afeto ideológico, não pela competência!

Cá estamos nós nestas terras cabralinas a repetir os erros cometidos a gerações sem ao menos termos a capacidade de aprendermos com eles. Até os dias de hoje, para a infelicidade geral da nação, continua a valer a afirmação de Jean Bastiat que dizia-nos que: "O Estado é a grande ficção através da qual cada um procura ganhar a sua vida às expensas dos outros".

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:18
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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