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25 Fev 2005

Sofisma Esquerdista

Escrito por 

Não se iluda, meu caro leitor: atraso e engano são a forma mais definitiva de ser de esquerda, progressimo é ser de direita, especialmente se esta tiver a coloração liberal-conservadora. O resto é discurso insosso para que os patrimonialistas de sempre possam se eternizar no poder.

O pior cego é aquele que não quer ver, dia o velho brocardo. Um militante político e com mandato eletivo seria a última pessoa de quem se esperaria o auto-engano em matéria ideológica. Acho até que não é auto-engano, será talvez o velho hábito de distorcer os fatos e a ciência política, em prol da exaltação da causa esquerdista. Porque ser esquerdista é partilhar de uma fé política mentirosa, cúmplice dos maiores crimes contra a humanidade, partilhar do despudor de justificar o uso de quaisquer meios para tingir o fim almejado de alcançar o poder. Na sua forma mais light, esquerdismo à social-democracia é uma espécie de vanguarda à espera dos verdadeiros revolucionários, seus companheiros de viagem, seu agente entorpecedor a preparar a população para a sangria mais cruenta.

O que é ser de esquerda? É uma multiplicidade de coisas, sendo as suas principais marcas a supremacia do coletivo sobre a individualidade, o desrespeito e a negação da propriedade privada,  a transformação do Estado, via política tributária, no algoz de quem trabalha, roubando-lhe renda e propriedade para dar à sua clientela, em prol do vício da vagabundagem. Ser de esquerda é também partilhar da liberação geral dos costumes, da exaltação das aberrações comportamentais, como aborto, homossexualidade, uso descriminalizado de drogas, a negação de toda a carga de nossa herança judaico-cristã. É sinistro, na dupla acepção do termo. O que melhor distingue o esquerdista é a sua defesa do Estado grande, seja na tributação, seja nos poderes para invadir a privacidade das pessoas. Por definição esquerdismo é patrimonialismo. O lema principal é a igualdade ainda que em prejuízo da liberdade, embora falem dessa última como se dela tivessem o monopólio.

Ser de direita é o inverso de tudo isso. É exaltar a liberdade e denunciar a utopia paralisante da igualdade. É ser a favor do Estado mínimo, seja na esfera Fiscal, seja na esfera da regulamentação da vida privada. É ser conservador, no sentido de defender os valores virtuosos que são parte de tradição. É defender, como fez Ortega y Gasset, o direito à continuidade, a se ter a tradição e fazer dela o centro da vida social.

Lendo o artigo do deputado Jefferson Pérez publicado na Folha de São Paulo (“Ser de esquerda é ser republicano”) é possível ver a empulhação de definições que não se sustentam nem na realidade e nem na História. Qual a sua visão?

“Na minha visão, ser de esquerda, no Brasil contemporâneo, é ser republicano. Não no sentido estrito de partidário da república como forma de governo, em contraposição à monarquia, mas no sentido etimológico, muito mais abrangente. Ser republicano é ter uma postura de respeito à coisa pública, encarada como instrumento de realização do bem comum. Em nosso país, teria um conteúdo revolucionário a republicanização do Estado, vítima de um processo de privatização que já dura quase 500 anos. Implicaria uma profunda mudança institucional e cultural no âmbito do Estado e da sociedade. O aparelho estatal teria de ser regido rigorosamente pelos princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e da eficiência. Nos três Poderes. O Executivo, liberto do aparelhamento partidário e tocado por um corpo profissional, recrutado e motivado pelo sistema de mérito, seria um efetivo provedor de bons serviços para toda a população”.

Ora, um homem de direita poderá ser também republicano, bastando lembrar que o grande partido de direita nos EUA autodenomina-se Republicano. Inversamente, nas monarquias modernas a confusão entre coisa pública e coisa privada do governante há muito deixou de ser feita. A definição do deputado não se sustenta.

“Se ser de esquerda é lutar ativamente pela republicanização do aparelho estatal, vale dizer, pela sua desprivatização, ser de direita será praticar o velho patrimonialismo, estudado por Octávio Paz e Raymundo Faoro, que consiste em confundir o público com o privado. Em suma, no Brasil de hoje, direita é sinônimo de patrimonialismo, e esquerda, de republicanismo”.

Vê-se aqui a tentativa solerte de vincular à direita política o atraso, o primarismo, as formas de governo superadas pelo tempo. A esquerda nacional sempre foi patrimonialista, sendo ela mesma um dinossauro político. Basta ver o governo do esquerdista Lula, que muito tem contribuído para o folclore político, confundindo deliberadamente a coisa pública com as suas coisas privadas. Do avião novo ao passeio dos amiguinhos dos seus filhos aos palácios, tudo é patrimonialismo sáurico que a Era FHC havia superado.

Não se iluda, meu caro leitor: atraso e engano são a forma mais definitiva de ser de esquerda, progressimo é ser de direita, especialmente se esta tiver a coloração liberal-conservadora. O resto é discurso insosso para que os patrimonialistas de sempre possam se eternizar no poder.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:19
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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