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20 Jul 2017

A LUTA ESSENCIAL DO NOSSO TEMPO

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Isso quer dizer que todo o debate político contemporâneo, na medida em que se resuma a um confronto de ideologias, já está decidido de antemão, só restando aos liberais e conservadores tentar desacelerar uma queda que não podem deter e para a qual eles mesmos contribuem com fervor quase religioso.

 

TODA a política contemporânea no Ocidente baseia-se na premissa de que o processo histórico mundial caminha inevitavelmente no sentido da maior liberdade, da eliminação de todas as desigualdades e de toda forma de exclusão.

Só há portanto duas correntes políticas possíveis: a legítima, que vai na direção do inevitável, e a ilegítima, que opõe a ele uma resistência obstinada e vã.

A total eliminação desta segunda corrente é tão inevitável quanto o sucesso universal da primeira.

Essa premissa e suas conseqüências não foram inventadas em maio de 1968. Elas apenas cristalizam numa fórmula simples uma teologia da História que veio se desenvolvendo desde o século XVII pelo menos.

Não conheço um só liberal ou conservador que não as aceite como verdades óbvias e inegáveis, tanto quanto as aceitam os socialistas e comunistas, contra os quais os liberais e conservadores, tentando deter a marcha em direção a um futuro que antevêem catastrófico, não fazem senão brandir os mesmos princípios que a puseram em movimento.

Isso quer dizer que todo o debate político contemporâneo, na medida em que se resuma a um confronto de ideologias, já está decidido de antemão, só restando aos liberais e conservadores tentar desacelerar uma queda que não podem deter e para a qual eles mesmos contribuem com fervor quase religioso.

Só é possível sair desse impasse mediante o reconhecimento (para a maioria, a descoberta) de que o curso real das coisas não depende de uma luta ideológica, mas da ampliação dos MEIOS DE AÇÃO, determinada, por sua vez, pelo progresso tecnológico que evolui independentemente e à margem da luta ideológica.

Quando se leva esse fator em consideração, torna-se claro que a sociedade, em vez de evoluir no sentido pretensamente inevitável acima mencionado, corre velozmente na direção do maior controle social e da consolidação de diferenças hierárquicas cada vez mais firmes e indestrutíveis.

***

A luta essencial do nosso tempo NÃO É IDEOLÓGICA. É uma luta pelo controle dos MEIO DE AÇÃO. OU nós os democratizamos, ou eles nos estrangulam a pretexto de nos dar “mais direitos”.

 

 

 

Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, estado de São Paulo, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros. A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo este que se perde de vista quando o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica.

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