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28 Jun 2017

O 19º PAÍS

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Pensemos nisso, amigos: um dos países mais populosos da terra é composto por nômades involuntários, está espalhado por todo o globo, fala os mais diversos idiomas, não tem território, governo, história, futuro. Segue em movimento tangido por dois sentimentos contraditórios: o desespero e a esperança.

 

A ONU acaba de divulgar o número de refugiados, expulsos de seus países pela violência política e pelo fanatismo religioso. Observe-se que a ONU (através do ACNUR) só considera refugiados as pessoas que deixaram seus países em razão de guerras e perseguições. Nesse número não estão incluídos os milhões de pessoas que foram obrigadas a deixar sua terra sem sair do país de origem, que são considerados pela ONU deslocados, e não refugiados.

Vagando pelo mundo, em geral não aceitos ou mal aceitos pelos hospedeiros contrariados, mais de 65 milhões de pessoas procuram por um porto seguro onde possam lançar suas âncoras e dar a suas famílias a esperança de abrigo, trabalho, paz, saúde e educação.

Naturalmente, os países mais procurados são os mais desenvolvidos, que já equacionaram esses problemas para a maioria de seus nacionais e têm condições de acolher refugiados. Isso, no entanto, tem um custo bem elevado, pois não há aumento de receitas públicas para fazer frente a essa avalanche de novos moradores, o que põe em cheque as instituições que atendiam de modo satisfatório a população local e que, de repente, recebem milhares ou milhões de novos usuários de seus serviços.

Considerem-se, ainda, as diferenças culturais, as sequelas das guerras e da fuga desesperada mundo afora, a mais que provável infiltração de terroristas em meio à grande massa migrante, a exploração dos sofridos fugitivos por pessoas de má índole, que as há em toda parte, os extraviados que chegam separados de seus familiares, as crianças sem companhia dos pais, as condições precárias dos abrigos improvisados construídos apressadamente para alojar a todos, a resistência de parte da população aos hóspedes não convidados, as quadrilhas que exploram os desvalidos, e teremos uma pálida ideia do tamanho do problema mundial.

Tudo isso ocorre num momento difícil, com altas taxas de desemprego, com o edifício da União Europeia, tão dificilmente erigido, sendo contestado e desafiado de dentro para fora e com a maior potência mundial retraindo de seu papel de principal ator e financiador das ações e organismos internacionais.

São mais de 65 milhões de pessoas. Se fossem todos naturais de um só país, este seria o 19º mais populoso do mundo, à frente, entre outros, da França, Reino Unido, Itália, África do Sul, Colômbia, Espanha…

Há algo fundamentalmente errado em nosso mundo. Como é possível que tão expressivo contingente humano vague perdido, sem destino, dependendo da generosidade de outras pessoas, que já têm seus problemas? Como aceitar que tantas pessoas só tenham como solução para suas vidas a fuga e a vida miserável de refugiado?

Pensemos nisso, amigos: um dos países mais populosos da terra é composto por nômades involuntários, está espalhado por todo o globo, fala os mais diversos idiomas, não tem território, governo, história, futuro. Segue em movimento tangido por dois sentimentos contraditórios: o desespero e a esperança.

 

 

 

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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