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20 Jun 2017

CAMINHO TORTUOSO

Escrito por 

Às pessoas que seguidamente me questionam sobre a possibilidade de uma intervenção das Forças Armadas na política nacional, diante do que consideram, e com toda a razão, um Brasil sem rumo, sem comando e sem perspectivas, procuro dar a minha modesta opinião, estabelecendo um paralelo do momento atual com 1964. 

 

Por Gen GILBERTO PIMENTEL, Presidente do Clube Militar

Às pessoas que seguidamente me questionam sobre a possibilidade de uma intervenção das Forças Armadas na política nacional, diante do que consideram, e com toda a razão, um Brasil sem rumo, sem comando e sem perspectivas, procuro dar a minha modesta opinião, estabelecendo um paralelo do momento atual com 1964. 

Essa visão que tenho vem da convicção sincera que adquiri e que me acompanhou por toda a vida, quando testemunhei e participei, como jovem oficial, das inúmeras ações de garantia da lei e da ordem que antecederam o 31 de Março, sempre com o objetivo de manter e até mesmo, em determinadas ocasiões, restabelecer a paz social. O Brasil havia parado. Chegara-se a um impasse. Naquela ocasião, embora o final conhecido, aprendi que a instituição a que com orgulho pertenço, jamais poderá ser taxada de intervencionista. O País foi atirado em seus braços, isso sim!

Falar do tempo que ela permaneceu no Poder, depois de a ele ser levada pelas forças vivas da Nação, perde sentido quando se conhecem as motivações para que tal ocorresse e os danos definitivos que foram evitados nos vinte anos de reconstrução que se seguiram. Devemos ser racionais e não esquecer o que é real. E aprender.

Tudo teve como pano de fundo a sobrevivência do próprio regime democrático ameaçado. Ameaçado por inúmeros fatores, e o mais grave deles extrapolando os limites do País, produto da guerra ideológica que se travava no mundo, aqui estimulado por maus brasileiros, incluído o próprio governo.

Claro que as FFAA acompanhavam tudo de perto, pois tratava-se não apenas de disputa política, mas de assunto da plena esfera da segurança nacional. O momento era de tal gravidade que a própria instituição armada foi atingida na sua alma por seguidos atos de insubordinação de uma minoria ativa de seus integrantes, também seduzidos pela expansão comunista no mundo e, em particular na América Latina.

Mas não se trata aqui de analisar causas e consequências de episódio já tão conhecido e que deveria servir somente às lições da História. Meu propósito é expor minha convicção declarada acima de que a instituição armada brasileira não é intervencionista. Procurem lembrar como e por quem conduzido saiu às ruas o Exército. 

Pouco antes de março de 64 chegamos a um impasse no País. O medo tomara conta de todos. Da sociedade em geral, da mídia (sim, da mídia, que era quem mais nos provocava a deixar a caserna), da Igreja, dos políticos, de todos. E o MEDO numa sociedade é insuportável, insuperável, conduz ao desespero, faz com que ela clame pela sua “última ratio” que significa, literalmente, apelar ao recurso extremo do Estado para resolver seus problemas.

Não adianta ecoarem raivosos, como o fazem, em geral, os mesmos que nos incitaram, nos provocaram, nos arrastaram em 64 a deixar os quartéis, que “aquilo” “nunca mais” se repetirá. Devem é ter juízo, aprender a lição, cumprir suas obrigações com patriotismo e honestidade. É o que se espera, também, dos homens públicos. Do primeiro mandatário da Nação ao último dos seus servidores.

O impasse numa sociedade conduz ao medo, repito, o medo à perda da racionalidade e do controle. Espero que o caminho tortuoso que uma vez mais percorremos ainda tenha volta.

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