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09 Mai 2017

UM DIA DEPOIS DO OUTRO

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Fim de semana tem cheiro de cozinha inundada com os mais deliciosos sabores e com as flagrâncias mais saborosas que se misturam e se fundem com a presença dos amigos e da família; são dias que tem gosto de saudade daqueles que não mais estão próximos de nós com sua contagiante alegria.

 

(i)

Fim de semana tem cheiro de cozinha inundada com os mais deliciosos sabores e com as flagrâncias mais saborosas que se misturam e se fundem com a presença dos amigos e da família; são dias que tem gosto de saudade daqueles que não mais estão próximos de nós com sua contagiante alegria.

Fim de semana são dias pios para nos recolhermos e nos mantermos sob o abrigo da graça divina colocando-nos em oração e em abençoada vigília; esses são dias em que nos recolhemos longe da presença infecta do mundo para renovar nossas forças junto ao calor santificante da família que permanece unida.

(ii)

Nada é mais humilhante que fundar a personalidade - que construir o nosso caráter - sob o fundamento rasteiro e sujo de nossos desejos e paixões carnais – pouco importando quais sejam eles.

No fundo, uma pessoa que assim procede, acaba reduzindo a sua vida a uma caricatura grosseira de si mesma feita com o que há de mais degradante e vil em seu ser.

De mais a mais, como é sabido por todos, ninguém irá impedir alguém de expor-se a um vexame existencial dessa monta. Ninguém mesmo.

Porém, todavia e, entretanto, não queira ser tratado com deferência por escolher esse caminho, pois, exigir isso, apenas aumenta mais ainda o ridículo dessa desorientação.

(iii)

O respeito não se conquista com estardalhaço, nem com fervo, muito menos com escândalo. Somente crianças mimadíssimas agem assim e acham bonito ser feinho.

Numa situação que não seja de anomia, a única coisa que disparates desse gênero conseguem ganhar é umas boas palmadas na bundinha. Só isso.

Todavia, na sociedade doentia em que vivemos, dar chilique infantil, em idade adulta ou pueril, é visto pelos fantoches ideologicamente desorientados, que se apresentam como a classe bem pensante de nosso triste país, como sendo uma manifestação cristalina da tal criticidade e desse trem fuçado que eles chamam pela alcunha de cidadania.

Enfim, seja como for, pouco importa o nome que se dê a esses espetáculos de fingimento e futilidade que vez por outra tomam as primeiras páginas dos órgãos de nossas fake news, porque, qualquer um que tenha um mínimo de bom senso, sabe muito bem que desejo não é direito e que expressá-lo escandalosa e histericamente não é cidadania nem aqui, nem na casa do chapéu.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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