Qua09202017

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

21 Abr 2017

NOVA POLÍTICA

Escrito por 

 

 

 

O fazer política que emerge das ruas e da meritocracia está minando a ultrapassada elite política corrupta.

 

O Brasil vive um momento ímpar. Percebemos isso quando os políticos membros do establishment, aqueles que sempre estiveram nas esferas de poder, começam a ficar temerosos com os resultados das investigações da Justiça.

Pela primeira vez a população enxerga aqueles que outrora eram intocáveis como alvo de ações policiais. Mas como todo movimento que ataca o funcionamento do sistema, a Operação Lava Jato vem sofrendo tentativas sucessivas de golpes que visam frear, desviar ou impedir suas ações.

Proposições como o projeto que trata do abuso de autoridade, recolocado em pauta de forma casuística, foi um dos grandes exemplos dos movimentos contra as investigações.

Desfigurar na calada da noite a proposta popular das "Dez Medidas Contra Corrupção" também descortinou mais uma manobra para conter os avanços da Lava Jato. Assim como a apresentação de proposta de emenda constitucional com o intuito de blindar políticos, que impede a responsabilização de ocupantes da linha sucessória da Presidência por atos estranhos ao exercício de suas funções durante o mandato.

Nos três casos, entretanto, a pressão da opinião pública foi fundamental para evitar que as manobras se tornassem efetivas e criassem freios contra as investigações que desnudam os esquemas de corrupção no Brasil.

Ao invés de enfraquecer os órgãos de investigação e controle, precisamos dotá-los de instrumentos efetivos para que exerçam seu trabalho de forma eficiente.

Como já lembrado neste espaço anteriormente, ponto fundamental para acabar com a impunidade no Brasil passa pelo fim do foro privilegiado. Hoje, esse mecanismo tornou-se apenas uma forma de retardar as condenações, tornando os políticos praticamente inimputáveis.

A proposta do senador Álvaro Dias (PV-PR), que extingue o foro, está pronta para ser votada. Se isso não ocorrer, nada impede que o Supremo Tribunal Federal limite o alcance desse instrumento, como já lembrado pelo ministro Roberto Barroso.

É preciso também deixar claro que o modelo de financiamento de campanhas realizado pela Odebrecht e outras empreiteiras constitui-se em crime.

O Brasil não pode deixar-se enganar por argumentos maleáveis que servirão somente para justificar o financiamento de campanhas com dinheiro público desviado de estatais.

Políticos desonestos não são apenas aqueles que desviam o dinheiro de nossos impostos diretamente para seus bolsos, mas também aqueles que desviam recursos públicos para financiar sua perpetuação no poder por meio de campanhas eleitorais.

O Brasil vive um embate entre duas visões de país. A nova política, que emana das ruas e da meritocracia, com o vigor dos empreendedores e de políticos retos. A velha política, apegada aos mecanismos ultrapassados de benesses, acomodações e mordomias.

Enxergo esta realidade longe de colorações partidárias ou ideológicas. Uma geração nova, que deseja passar o Brasil a limpo, está diante dos mecanismos sujos de uma elite ultrapassada que, entretanto, ainda acumula poder.

O destino do Brasil depende de quem sairá vitorioso. Com a palavra, o eleitor em 2018.

 

 

 

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.