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23 Mar 2017

BEM LONGE DA CIDADE DAS ESMERALDAS

Escrito por 

 

 

 

 Uma das frases mais sonsas ditas pelas pessoas pretensiosamente sabidas é de que a filosofia de forma particular, e a educação de um modo geral, têm por meta “ensinar as pessoas a pensarem”. Vejam só: ensinar a pensar.

 

 Uma das frases mais sonsas ditas pelas pessoas pretensiosamente sabidas é de que a filosofia de forma particular, e a educação de um modo geral, têm por meta “ensinar as pessoas a pensarem”. Vejam só: ensinar a pensar.

Tal afirmação, com toda sua pompa, simplesmente diz nada com coisa nenhuma. E, assim o é, porque todo mundo, qualquer um, sabe pensar sem que ninguém os ensine a fazer isso, da mesma forma que respiramos, enxergamos e comemos.

O que todos nós, dum jeito ou doutro, aprendemos com o tempo, é a pensar sobre novos temas e a abordá-los duma outra perspectiva e/ou através de novas referências, mas não a pensar. Não mesmo.

Aliás, quando alguém afirma que aprender isso seria “aprender a pensar” é porque essa alminha está querendo que os indivíduos pensem exclusivamente a partir de sua concepção ideológica do mundo e que passem a tê-lo na conta de um guru venerável duma patacoada ideológica.

Trocando por miúdos: para esse tipo de gente, aqueles que não pensam a partir de suas referências não pensam e por isso, seriam alienados, como eles mesmos dizem.

A afirmação de tal absurdidade seria similar, por exemplo, a pretendermos ensinar uma pessoa a comer. Todos sabem mandar ver junto à mesa. Aliás, um bebê, no colo de sua mãe, vorazmente procura o ceio materno para encher sua pancinha de leite sem que ninguém necessariamente o ensine a fazer isso.

Com o tempo, ensinam-lhe a apreciar outros manjares mais apetitosos que o leite da mamãe e modos mais refinados para se portar à mesa nas ocasiões mais diversas e, isso tudo, obviamente, não é ensinar a comer, mas sim, a diversificar e refinar o paladar e instruir o sujeito sobre os tais bons modos e, penso eu, que ninguém em sã consciência confundiria o aprendizado disso com o ato de ensinar alguém a comer.

Porém, todavia e, entretanto, no primeiro caso, por uma profunda presunção e prepotência, não são poucos os que arrogam para si a missão de ensinar as pessoas a “pensar” sem ter parado - por um momento que seja - pra pensar no que isso realmente significa, não é mesmo?

 

 

 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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