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22 Mar 2017

O DECÁLOGO DE LÊNIN E O PETISMO - PARTE II

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O objetivo nada mais é do que fragmentar a opinião pública, de tal modo que nenhuma facção desta mesma prevaleça sobre as demais. A divisão da opinião pública estilhaça a  mesma em pequenos grupos e nenhum deles terá representatividade política de peso.

 

Terceiro Mandamento _ “Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais”.

Incitar a população a discutir assuntos sociais, à primeira vista parece ser uma boa medida, mas, para Lenin, ela só deve ser tomada após a divisão da população em “grupos antagônicos”.

O objetivo nada mais é do que fragmentar a opinião pública, de tal modo que nenhuma facção desta mesma prevaleça sobre as demais. A divisão da opinião pública estilhaça a  mesma em pequenos grupos e nenhum deles terá representatividade política de peso.

No caso de Lenin, ele não tinha em mente a proliferação de partidos políticos, porque após a Revolução Comunista de 1917, havia somente um partido: PCUS (Partido Comunista da União Soviética). Ele tinha em mente a base de apoio político.

Com a grande multiplicidade de facções antagônicas da opinião pública, forma-se o caos e este é o estado de coisas que favorece o PCUS, em sua unidade e coesão monolítica, como poder hegemônico. Não só imposto pela força como também legitimado pelas massas.

Com a chegada do PT ao poder, não pela força, mas sim pelo instrumento democrático do voto, teve continuidade um processo muito antes iniciado por ele.

Mediante o emprego da estratégia gramsciana de hegemonia, o PT já havia conquistado a adesão de universitários (professores, alunos, funcionários, etc), de profissionais da mídia (escrita, falada, televisiva), de padrecos (principalmente, os de baixo clero), de sindicalistas (principalmente de pelegos dos grandes sindicatos), de bancários, etc.

Quando ele se sentiu bem assentado no “puder”, passou a dividir  a sociedade brasileira em “eles” e “nós”, ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres, etc. Incentivou as discussões sociais  e promoveu  a pulverização da opinião pública e, juntamente com ela, a grande multiplicidade de partidecos políticos, chegando mesmo ao espantoso número de mais de 30, quando uns 6 ou 5 seriam suficientes para garantir a representatividade da pluralidade de ideologias.

Com que finalidade? Ora, para manobrar esses partidecos mediante a compra de votos e distribuição de cargos no não menos espantoso número de ministérios, tendo chegado a mais de 30. Não passavam de grandes cabidões de empregos.

Quarto Mandamento _ “Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo”.

O PT aderiu à “democracia burguesa” – tão detestada por Lenin quanto por Marilena Chauí – mas não se tornou um partido democrático. Seus líderes sabiam que não poderiam chegar o poder mediante uma revolução.

Tinham como antecedentes dessa impossibilidade o fracasso de Che Guevara na Bolívia e, no Brasil, os de Marighella, Lamarca, as guerrilhas no Araguaia, etc, só restava mesmo a alternativa do voto do povo.

Para isto, duas coisas eram necessárias: denegrir as Forças Armadas e a Polícia, e embelezar a imagem das esquerdas como forças “progressistas”, “humanitárias”, etc. Aos olhos ignorantes e desmemoriados do povo, os dois primeiros deviam aparecer como grandes vilões, contrastando com o grande “mocinho”, o PT.

Isto, juntamente com a massificação no ensino, era necessário para a tomada  do poder pelo voto. Mas uma vez estando lá, tinha início a segunda parte da estratégia: manter-se no poder a qualquer custo à espera do momento oportuno para dar um golpe acabando com a democracia e o estado de direito.

Quando Lenin diz: “Tão logo haja a oportunidade, assuma o poder sem nenhum escrúpulo”, ele quer dizer: assuma o poder absoluto, i.e. a “ditadura do proletariado”, que segundo um dissidente russo, transformou-se na ditadura sobre o proletariado.

E não há porque falar em escrúpulos, uma vez que os fins justificam os meios.

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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