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17 Mar 2017

ABRE OS OLHOS, PADILHA!

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Para resolver os problemas éticos do Brasil, Padilha, é preciso primeiro reconhecer a sua dimensão. Refaça seu artigo com os subsídios que aqui lhe envio. Será o começo de uma fecunda discussão. A dureza da realidade é o ponto de partida para se chegar à verdade dos fatos.

 

O cineasta José Padilha escreveu no jornal O Globo artigo que está dando o que falar (A importância da Lava Jato) mas, infelizmente, olhou a realidade nacional com olhos míopes, sem enxergar em profundidade os traços psicológicos e sociológicos da nossa gente. No primeiro dos seus 27 parágrafos enumerados ele escreveu:

“Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “o mecanismo”.)”

Não, Padilha, há muito mais sócios e quadrilhas que exploram a nossa gente. Você se esqueceu da corporação dos funcionários públicos, inclusive do Judiciário, que muitos fingem que trabalham (uma forma de roubo), vivem fazendo graves abusivas, tiram férias, licenças e aposentadorias precoces, recebem salários muito acima dos pagadores de impostos, em suma , roubam caminhões de dinheiro da gente pobre. São os mesmo que servem de braços e pernas para a elite política se locupletar manejando o poder político. Há também os aposentados, os do setor público e do privado, que vivem sem trabalhar por décadas explorando naturalmente os que trabalham. Até mesmo os bolsistas do Lula são uma turma de exploradores, vez que recebem sem dar nada em troca.

Todo o sistema político está comprometido porque na base há esse conjunto de imoralidades que nasce da ruptura entre a renda e o trabalho, a ética do ócio sobrepondo-se à ética da responsabilidade laboral. A classe política é podre porque nossa gente está apodrecida, só escuta discurso político distributivista, o mesmo que você, Padilha, chama de socialista e o apoia. Sem erradicar a ética falsificada do socialismo não faremos nenhuma reforma moral no Brasil.

O mecanismo destruidor da moralidade está em todos os recantos do setor público, pois o mesmo está dominado pelo discurso esquerdista desde pelo menos 1985. Sem uma reforma liberal-conservadora profunda, que reduza o Estado, reduza os impostos e as regulações, que reduza o poder da burocracia estatal sobre o povo não se resolve nada. Acusar meramente os políticos do topo é escapar da verdadeira discussão. Teríamos que refundar o Estado.

No item 19 você escreveu: “Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre”. Padilha, o Brasil quebrou. Não pode mais administrar sua dívida pública, gerida toda vida pelo consórcio entre banqueiros e rentistas, que fizeram do Brasil o paraíso da agiotagem. Esse mecanismo esquecido por você está também na base do sistema político. Entra governo e sai governo e os juros continuam nas alturas, engordando as fortunas amealhadas mais das vezes de forma duvidosa. Padilha, clamar por moralidade e não falar dos banqueiros é esconder fatos relevantes.

A Previdência quebrou. Os estados federados quebram, a começar pelo Rio de Janeiro. ELES DEIXARAM O ESTADO FALIR, pois em contrapartida enriqueceram, viraram nababos, todos. Políticos, empresários, funcionários públicos e aposentados formam o time dos ladrões do Tesouro. Excluir um desses grupos do problema é ser seletivo e incompleto na análise.

O Brasil quebrou porque tem 14 milhões de desempregados que não arranjarão empregos. Os socialistas, a pretexto de proteger os pobres, tomaram-lhes os meios de sobrevivência, pois ninguém quer dar emprego. A Justiça do Trabalho tem sido o flagelo jurídico fabricante de injustiças, agora estendeu suas mãos de tesoura sobre os serviços domésticos, impedindo que legiões de semiletrados e sem treinamento possam ser aproveitados no trabalho honesto. No Brasil todos querem levar vantagem em tudo, mas se esquecem de que os trouxas só caem na armadilha uma vez. Não haverá segundo turno para legiões de empregados espertos, protegidos supostamente pela gangue dos socialistas que nos governam. Ninguém lhes devolverá empregos.

Para resolver os problemas éticos do Brasil, Padilha, é preciso primeiro reconhecer a sua dimensão. Refaça seu artigo com os subsídios que aqui lhe envio. Será o começo de uma fecunda discussão. A dureza da realidade é o ponto de partida para se chegar à verdade dos fatos.

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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