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23 Fev 2017

A AUSÊNCIA DE "ARTEFATOS PERIGOSOS' NO SÍTIO DE ATIBAIA

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Confesso que examinei as fotografias movido por uma espécie de voyeurismo político. De que objetos se cercariam, o presidente e a esposa, quando recolhidos àquele isolado reduto? Afinal, é fato sabido: o que acumulamos no nosso entorno ao longo dos anos falam muito de nós mesmos. E o ex-presidente era um assíduo frequentador do Santa Bárbara, tendo ali estado, segundo matéria da IstoÉ, em 111 oportunidades.

 

Recebi de leitor uma cópia do relatório da perícia feita no famoso sítio Santa Bárbara, em Atibaia, por seis peritos criminais federais, a pedido da delegada Renata da Silva Rodrigues, da PF do Paraná. A inspeção do local ocorreu em março do ano passado, ocasião em que esse relatório deu origem a várias matérias na imprensa nacional.

Constato agora, lendo-o, que se trata de documento efetivamente minucioso, com 67 páginas e 88 imagens, cobrindo várias edificações, seus interiores e objetos. A totalidade destes últimos sugere que o uso das dependências era privativo da família do ex-presidente. Nada foi encontrado no local que pudesse ser identificado como de uso pessoal de Jonas Suassuna e Fernando Bittar.  Segundo a defesa de Lula, ambos são os proprietários do sítio.

Confesso que examinei as fotografias movido por uma espécie de voyeurismo político. De que objetos se cercariam, o presidente e a esposa, quando recolhidos àquele isolado reduto? Afinal, é fato sabido: o que acumulamos no nosso entorno ao longo dos anos falam muito de nós mesmos. E o ex-presidente era um assíduo frequentador do Santa Bárbara, tendo ali estado, segundo matéria da IstoÉ, em 111 oportunidades.

Dessa inspeção nas fotografias pode-se concluir que os frequentadores apreciavam a boa mesa, daí ser a cozinha o melhor lugar da casa; a boa bebida, motivo do admirável suprimento da adega; distrações audiovisuais, razão de uma recheada videoteca; e eram pessoas de alguma religiosidade, fato que se deduz da presença de objetos de devoção no dormitório do casal.

Chamou-me a atenção, por fim, um fato tão inédito quanto revelador. Não é possível vislumbrar, em qualquer das fotos tomadas nos diversos imóveis, a existência de um único livro. Nenhum! Nem frei Betto, nem Leonardo Boff, nem Emir Sader. Nem o Pequeno Príncipe ou outro livro velho para uma tarde de chuva. Pelo jeito era proibido o ingresso no local portando "artefatos perigosos". Será que esse surpreendente "não achado"  contribui para identificar o proprietário? 

 

 

 

Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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