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21 Dez 2016

UM SORRATEIRO ARDIL CONTRA A BARCA DE PEDRO

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Certa feita o poeta Bruno Tolentino havia definido, com aquele jeitão inconfundível dele, que o ecumenismo nada mais era do que a união de todas as religiões para destruir o Cristianismo. Pra destruir a Igreja Católica em particular e o Cristianismo dum modo geral.

 

Certa feita o poeta Bruno Tolentino havia definido, com aquele jeitão inconfundível dele, que o ecumenismo nada mais era do que a união de todas as religiões para destruir o Cristianismo. Pra destruir a Igreja Católica em particular e o Cristianismo dum modo geral.

Ora, o poeta aparentemente carregou demais nas tintas quando afirmou isso? De jeito maneira. E vou um pouco mais adiante. Os Cristãos Católicos, mais entusiasmados com o tal ecumenismo, na real, como diz René Girard, desejam no fundo que a Igreja não mais exista. Desejam isso não tão conscientemente e de maneira inconfessável, é claro.

Repare num detalhe: quando, através do Concílio Vaticano II se declarou que a Igreja pretendia abrir-se ao mundo, essa declaração sinalizava para o desejo apostólico de que ela, Santa Madre Igreja, ampliaria os seus esforços para converter o mundo.

Porém, devido à malícia de muitos, que ao invés de interpretar essa afirmação à luz da tradição da Igreja, procuraram distorcê-la às sombras das ideologias materialistas da moda, em especial a partir do espectro do marxismo cultural fantasiado de teologia da libertação.

Bem, o resultado não poderia ser diferente: uma contínua e irrefreável mundanização da catolicidade e de seus membros.

Trocando por miúdos: ao invés de vermos homens santos brilhando por esmerar-se em refletir a luz de Cristo sobre o mundo, temos uma multidão de pop stars vaidosos esmerando-se pra caramba para projetar sua sombra mundana sobre a Igreja e, consequentemente, sobre o Cristo. E fazem isso com toda aquela velha e conhecida boa intenção.

Não é à toa que o santo sacrifício vivido de maneira incruenta em toda Santa Missa, hoje, parece-se muitas vezes mais com um bailão sertanejo cafona; outras vezes, com uma festa rave e, em alguns casos, com um tosco show de auditório com um ou mais animadores onde, geralmente, se esquece por completo da realidade que se faz presente misteriosamente numa Santa Missa.

Também, não é por menos que o Sacrário, que antes ocupava o centro do templo junto ao altar - fosse esse templo uma modesta capela ou uma magistral Basílica – hoje se encontra à margem do altar, colocado ao lado [ou de lado] para dar lugar a todos àqueles que, cada qual ao do seu modo, querem celebrar a sua envaidecida fé, esquecendo-se que a Missa e a santa liturgia são um patrimônio da Igreja de todos os tempos e não algo que possamos mutilar ao nosso bel prazer para satisfazer a nossa vaidade fantasiada de fé.

Nós deveríamos, penso eu, concentrar nossos esforços e empenhos para procurar nos integrar vivamente ao corpo místico de Cristo e não querer, soberbamente, fazer valer o inverso e lavorar para que Cristo seja do nosso jeitinho.

Na verdade, deveríamos nos esforçar e clamar à Providência para sermos imitadores do Senhor e não ficarmos querendo que o senhor se curve diante das frivolidades do tempo presente.

Mas não. Não são poucos os que abraçam e se rejubilam com a mundanização da Igreja e com a avacalhação geral dos sacramentos e da tradição.

Aviltamento esse que é capitaneado por esse soberbo espírito ecumênico que, sorrateiramente, não mede esforços para destruir tudo aquilo que foi edificado pelos sacrifícios – muitos deles silenciosos - duma legião de santos que, através dos séculos, recusaram-se a fazer o que hoje tão alegremente se faz com a barca de São Pedro.

 

 

 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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