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20 Dez 2016

POLITICADA

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Diferentemente dos cães, não adotam qualquer comportamento, que, como fazem os animais, sugira estarem envergonhados, cientes dos erros cometidos e dispostos a reconquistar o respeito daqueles que os guindaram às posições ocupadas.

 

Meus amigos, se vocês tiveram um cachorro, ou puderam conviver com um na casa de parentes ou amigos, com certeza, terão assistido a seguinte cena: após ter feito alguma traquinagem e produzido algum problema para seu dono, ao ser repreendido, assumiu uma postura que sugeria constrangimento, como se tentasse dizer que tinha consciência do malfeito (é chique usar o termo atualmente), que estava arrependido e desejava reconquistar uma relação afetuosa com seu dono.

Para isso se deitava de barriga no chão, cabeça apoiada no piso, o olhar para baixo e, de quando em vez, arriscava levantar a vista na direção daquele que o repreendia com o olhar triste de quem se sabia em dívida.

Não à toa, a sabedoria popular cunhou o ditado: “Ficou com cara de cachorro que virou panela”.

Você deve estar se perguntando do porquê da reminiscência aqui e agora.

É que tenho ficado indignado com uma repetição quase diária de afirmações de amigos que, ao referirem aos crimes dos quais se tem tido notícia, cometidos por políticos e/ou ocupantes de cargos públicos em todos os níveis e espaços públicos, identificam seus atos (dos políticos) com a expressão: “Que cachorrada”!

É que não se pode ofender nossos animais, estabelecendo qualquer tipo de comparação com a corja que envergonha nossa nação, nos legislativos, executivos e (que tristeza ter que admitir) em alguns espaços do judiciário.

Esses indivíduos, além de cometerem toda sorte de ilícitos, vilipendiando os cargos que ocupam e desrespeitando de forma grosseira seus eleitores e/ou aqueles que representam, longe de demonstrarem qualquer constrangimento, quando flagrados por terem cometido irregularidades, reagem de forma agressiva, dentro da lógica de que a melhor defesa é o ataque, tentando denegrir os que o acusam.

Nos casos mais recentes de corrupção em fraudes eleitorais denunciados, a postura é sempre a mesma: “repudio com veemência e a mais profunda indignação as denúncias a mim endereçadas e asseguro que todas as contribuições recebidas foram legais, declaradas à justiça eleitoral que as aprovou integralmente”.

Não coram sequer. Fazem suas afirmações com as caras mais deslavadas, como que a nos dizer: “Não estou nem um pouco preocupado, porque vocês são todos uns idiotas, amorfos, desfibrados, desinformados e, por isso, não vão fazer nada, a não ser nos reeleger no futuro, como já têm feito sempre que foi o caso”.

Nem a circunstância de assistirem alguns de seus companheiros de pilantragem sendo encarcerados os amedronta.

Diferentemente dos cães, não adotam qualquer comportamento, que, como fazem os animais, sugira estarem envergonhados, cientes dos erros cometidos e dispostos a reconquistar o respeito daqueles que os guindaram às posições ocupadas.

Por tudo isso, convoco a todos que, a partir de agora, revertamos o raciocínio.

Quando seu cachorro fizer uma arte, quebrar um vaso de valor para a família, comer os cordões do seu tênis, roer o pé da cadeira, ou coisas semelhantes, ao ralhar com ele, bem irritado, diga: “Que politicada, hein”!

 

 

 

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

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