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10 Dez 2016

NOTÍCIAS FALSAS

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Isso é rotina. Novidade é a incorporação instantânea, geral e uniforme do termo infamante “notícia falsa” ao vocabulário esquerdista da grande mídia. Ela prenuncia, nada mais, nada menos, a mais vasta e temível operação de controle ditatorial da opinião pública que já se viu neste mundo.

 

Desde que a expressão "notícia falsa", novo nome da "teoria da conspiração", se incorporou ao vocabulário politicamente correto de rótulos infamantes, a mendacidade crônica da grande mídia nacional e internacional recebeu o mais poderoso dos estímulos, perdendo o último resquício de inibição que ainda pudesse ter.

Repetindo o New York Times, o repórter Felipe Santana (foto), da Globonews, informou à multidão de patetas que Michael Flynn Jr., filho do general Michael T. Flynn, este cotado para assessor de Donald Trump no Departamento de Defesa e aquele integrante ele próprio da equipe de Trump como ajudante do pai, espalhou "sem base nenhuma" a notícia de que muitos imigrantes ilegais haviam votado, de maneira portanto igualmente ilegal, na última eleição.

Que história é essa de "sem base nenhuma"? Depois que o próprio presidente da República, Barack Hussein Obama, estimulou abertamente os imigrantes ilegais a votarem, infringindo na cara dura a legislação eleitoral americana, "sem base nenhuma" é dar por pressuposto, como coisa líquida e certa, que nenhum dos onze milhões de imigrantes ilegais atualmente residindo nos EUA aceitou a sugestão e a pôs em prática. Isso é apostar na mais rebuscada improbabilidade de todos os tempos, principalmente porque, na mesma declaração, Obama, mentindo com aquela cara-de-pau que é nele uma espécie de segunda natureza, inoculou nesses imigrantes a ilusão de que, votando ilegalmente, eles se tornavam "ipso facto" cidadãos americanos e não poderiam mais ser expulsos do país. Quantos deles relutariam em votar, diante dessa promessa áurea? Um em mil? Um em cem? Um em dez?

Para piorar as coisas, a Globonews associou a história a um outro fato do dia, os tiros disparados  numa pizzaria de Washington. O atirador teria dito que fôra armado até o local por ter lido que ali funcionava uma rede de pedofilia associada, de algum modo, a John Podesta e Hillary Clinton. Segundo Felipe Santana, isso era a prova viva de como "teorias da conspiração" e "notícias falsas" -- vindas, naturalmente, da maldita direita -- podem provocar uma onda de violência assassina.

O único fator que vincula uma notícia à outra é que Michael Flynn Jr., além de falar sobre os votos ilegais, também afirmou, de passagem, acreditar na veracidade do chamado “pizzagate”. Associar as duas notícias é dar a entender que crimes hediondos podem decorrer de “notícias falsas” espalhadas por gente da própria assessoria do presidente eleito Donald Trump.

Mas a história da pizzaria é, em si mesma, muitíssimo suspeita, porque o alegado “tiroteio” não matou nem feriu ninguém, e porque o atirador, como se preparado antecipadamente para isso, já se apressou a lançar a culpa do seu ato no “pizzagate” tão logo detido pela polícia.

A velocidade com que a expressão “notícia falsa” se espalhou uniformemente por toda a grande mídia revela o óbvio: o propósito claro de toda a operação é lançar sobre a direita em geral e sobre o governo Trump em particular a suspeita de provocar uma epidemia de violências e assassinatos por meio de “notícias falsas”, embora até o momento só os eleitores de Trump tenham sofrido violências e o total de vítimas dos efeitos letais de “notícias falsas” vindas da direita seja exatamente zero.

Já a notícia, esta sim falsa na sua totalidade, mas repetidamente alardeada pela grande mídia, de que a polícia americana é racista e adora prender negros seletivamente já provocou algumas centenas de mortes de policiais brancos e negros, mas o New York Times e a Globo se recusam a enxergar, nesse fato consumado, a mesma relação de estímulo-resposta que juram haver na onda hipotética e inexistente de crimes derivados da divulgação do “pizzagate”.

Como sempre, a esquerda se limpa na sua própria sujeira, lançando-a sobre seus desafetos na base do “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Isso é rotina. Novidade é a incorporação instantânea, geral e uniforme do termo infamante “notícia falsa” ao vocabulário esquerdista da grande mídia. Ela prenuncia, nada mais, nada menos, a mais vasta e temível operação de controle ditatorial da opinião pública que já se viu neste mundo.

 

Publicado no Diário do Comércio.

 

 

 

Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, estado de São Paulo, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros. A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo este que se perde de vista quando o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica.

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