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09 Nov 2016

OS PÚTRIDOS FRUTOS DA UTOPIA

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Já a tigrada ilustra, cheia de salamaleques intelectuais e certificados de não-me-toque, ouve a mesma carapeta e, contrariando a sabedoria matuta, passa a ponderar absurdamente sobre o disparato ouvido e conclui que seria um desatino não labutarmos pela porca utopia que lhes parece ser tão bonitinha quanto ordinária.

 

Qualquer pessoa simples diferencia-se pra caramba das simplórias almas supostamente esclarecidas porque elas são capazes de espontaneamente reconhecer a qualidade de algo apenas pela despretensiosa observação dos frutos produzidos pelo lavoro daqueles que dizem ser o suprassumo da bondade humana. E assim o são porque eles, os saquaremas, absorvam muito bem a velha lição dos evangelhos que diz que pelo fruto podemos conhecer muitíssimo bem os atributos de uma árvore.

Por essas e outras que as almas simples, de um modo geral, desconfiam sempre das tais utopias. Aliás, somente almas sebosas e pueris acreditam no quadrado redondo anunciado pelas profecias marxistas. “Profetas” que não se cansam de dizer que o melhor ainda está por vir e que as tragédias paridas pelas suas ações ideologicamente desorientadas não são responsabilidade deles, a vanguarda do amanhã, porque o sonho rubro ainda não foi plenamente realizado e, por isso, eles dizem que a culpa toda seria da sociedade, do sistema, do raio que o parta, mas nunca, nunquinha, deles.

O curioso nisso tudo é que um caipira quando ouve alguém com uma lorota dessas, instintivamente desconfia do dito feito um velho cão perdigueiro.

Já a tigrada ilustra, cheia de salamaleques intelectuais e certificados de não-me-toque, ouve a mesma carapeta e, contrariando a sabedoria matuta, passa a ponderar absurdamente sobre o disparato ouvido e conclui que seria um desatino não labutarmos pela porca utopia que lhes parece ser tão bonitinha quanto ordinária.

Enfim, por essas e outras que o escritor argentino Ernesto Sabato dizia que as revoluções, no início, são anunciadas com letras maiúsculas e, com o tempo, são contadas com caracteres minúsculos para, por fim, acabarem sendo dissimuladamente apresentadas entre aspas. E, assim o é, porque é preciso ter um mínimo de maturidade e dignidade para se reconhecer como autor de seus erros e retratar-se por eles. Dignidade essa que falta, como falta, para toda a intelectuaria de mentalidade revolucionária. Dignidade essa que qualquer roceiro tem e sobra.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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