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18 Out 2016

APÓS DEIXAR TERRA ARRASADA, ESQUERDA LUTA POR INTERESSES CORPORATIVOS CONTRA INTERESSE NACIONAL

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O PT não é nem nunca foi o partido dos trabalhadores, muito menos o partido dos pobres. É o partido dos corporativistas, dos servidores públicos que querem privilégios à custa dos trabalhadores. Isso ficou muito claro não só durante a gestão petista, como principalmente depois.

 

O PT não é nem nunca foi o partido dos trabalhadores, muito menos o partido dos pobres. É o partido dos corporativistas, dos servidores públicos que querem privilégios à custa dos trabalhadores. Isso ficou muito claro não só durante a gestão petista, como principalmente depois. No cenário de terra arrasada deixado pelo lulopetismo, eis que o partido se coloca contra as reformas necessárias, insistindo numa narrativa falsa de “golpe” e de “perda de direitos”. Para quem?

Dois bons artigos e uma boa entrevista nos jornais hoje mostram justamente que o governo Temer vai na direção certa, das reformas “impopulares”, enquanto os grupos organizados, aqueles defendidos pelo PT, gritam e esperneiam para preservar privilégios, mesmo quando mais de 20 milhões de brasileiros estão desempregados ou subempregados por culpa das políticas esquerdistas do partido de Lula.

O professor Denis Rosenfield, no Estadão, analisa o quadro de desgraça deixado pelo PT, sua narrativa de vítima que oculta a defesa de uma casta privilegiada, e conclui:

A PEC do Teto dos gastos públicos vai na direção correta, porém faltam medidas completares, como a reforma da Previdência, igualando, por exemplo, os funcionários públicos aos trabalhadores privados e estabelecendo a igualdade de gênero numa idade mínima para a aposentadoria, que leve em conta os avanços da longevidade dos brasileiros nas últimas décadas.

Cumpre igualmente levar a cabo uma modernização da legislação trabalhista que seja condizente com o mundo digital e profundamente transformado do século 21. Nossa legislação tem sua inspiração no final do século 19 e início do século 20, tal como foi influenciada pelo positivismo e, depois, pela concepção das corporações dos anos 30 do século passado.

Tudo isso custa muitos esforços, mudança de percepções e mentalidades, exigindo sacrifícios que devem ser compartilhados por todos. Nenhuma corporação ou grupo social pode considerar-se acima dos interesses públicos.

Já o economista Paulo Guedes, em coluna no GLOBO, expõe a necessidade de corte de privilégios do setor público e resgata o clássico de Edward Gibbon para alertar sobre o destino trágico de quem não segue essa receita:

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Ou seja, ou fazemos as reformas estruturais, a começar pela previdenciária, ou vamos afundar mesmo. E a pressão contra tais reformas “impopulares” não vem dos trabalhadores, dos pobres, daqueles que a esquerda petista supostamente defende, mas sim dos grupos de interesses que utilizam o estado para obter privilégios. É o que destaca também Raul Velloso em entrevista na Folha:

Minha proposta é diferente, pois foca na previdência do setor público, que me parece a mais grave. Envolve a União, Estados e municípios maiores, que por enquanto foram deixados de lado, mas têm um gigantesco buraco com o pagamento de inativos.

Eu iria por esse caminho, porque seria a reforma mais fácil de aprovar, além de ser muito importante também no problema fiscal dos Estados.

A previdência do setor público beneficia um grupo pequeno em relação à população. E quando se propuser reduzir benefícios ou aumentar a contribuição dos servidores, acha que a população não vai achar ótimo? É um sistema privilegiado. A resistência será maior ao mexer nas aposentadorias de valor mais baixo.

Se o que conspira contra o teto é a disputa por recursos, a reação natural é: ‘Então é só aprovar a reforma da Previdência’. Falar é fácil. Se o governo achasse fácil, já tinha feito. Eles estão preparando, e como estão pensando em tudo, acho que é o caminho mais tortuoso. Vai demorar mais e vai sofrer mais resistência. E precisamos conter ou o crescimento do número de beneficiados ou o crescimento do valor dos benefícios. E isso se faz com reforma.

Como destaquei em minha coluna na IstoÉ desta semana, vivemos uma verdadeira luta de classes, mas não como Marx previa, entre capital e trabalho, e sim entre privilegiados do setor público e população em geral, trabalhadores e capitalistas.

Esse afastamento crescente entre elite no poder e povo tem produzido como efeito uma onda antipolítica, que está por trás do Brexit, do fenômeno Trump e do “não” ao acordo de “paz” com as Farc em plebiscito na Colômbia. É o que argumenta Joel Pinheiro Fonseca em artigo na Folha, oferendo como solução a redução da politização em nossas vidas:

Uma ideia para reduzir a distância entre política e eleitorado é uma reforma política. De maneira geral, quando não é para defender interesses da classe política já instalada, essa via advoga mais democracia direta e comitês populares, como proposto por Marcelo Freixo (PSOL) no Rio. Para o cansaço da política, pregam a intensificação dela. Será uma boa ideia?

Política democrática é como reunião de condomínio. Para algumas questões ligadas ao que é comum, reuniões dos moradores são importantes. Melhor escolher o síndico do que ter um imposto contra nossa vontade.

Dito isso, para a maior parte das questões, o melhor é justamente não depender da assembleia. Ela demanda um tempo e um conhecimento que não temos e promove conflito e desunião entre as pessoas, como é da natureza de qualquer processo no qual grupos disputem o poder e no qual o projeto vencedor é imposto mesmo aos perdedores. A cor da sua sala, o vidro da sua janela, seu consumo de água; quanto menos dessas questões tiverem que passar pelo voto da assembleia ou pela caneta do síndico, melhor.

[…]

A outra saída, liberal, propõe a limitação do papel da política em nossas vidas. A rejeição da política é a reação saudável de quem percebeu as limitações dessa via para resolver seus problemas. Os grandes sonhos políticos estão em baixa, e o governo é chamado a ser algo mais modesto: um prestador de serviços eficiente. Com um Estado que, somando impostos e déficit, gasta mais ou menos de 40% do PIB e entrega os serviços que conhecemos, será um longo caminho.

O grande dilema, claro, é que para chegarmos nessa redução da politização de nossas vidas temos, antes, de investir na politização dos eleitores, para que possam compreender a importância de defender menos estado. Será, sem dúvida, um longo caminho. Que começa com essas reformas propostas pelo governo Temer, para simplesmente evitar o naufrágio total, destino traçado pela esquerda no poder.

Eis a narrativa real, como alternativa a essa totalmente falsa criada pela esquerda, responsável por nossa situação: há um grupo que tem lutado com unhas e dentes por privilégios e usado uma retórica populista em defesa dos mais pobres para esconder suas reais intenções. Essa turma é defendida pela esquerda. E do outro lado está o país todo, os trabalhadores, os jovens, os que nem nasceram, esperando as mudanças necessárias para voltar a sonhar com um futuro melhor.

 

 

 

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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