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05 Out 2016

CHEGOU A PRIMAVERA?

Escrito por 

Está nas nossas mãos, particularmente dos que têm consciência de que estão sintonizados com as verdades mais puras da nacionalidade, não permitir retrocessos, novos descaminhos.

 

“O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha” (Cecília Meireles)

Meus amigos, estamos entrando na primavera.

Nesses últimos dias, o vento típico do início da estação que nos visita todo o final de tarde enche de folhas o meu quintal.

No jardim, já se começa a ver, nas árvores, o colorido das flores que nos encantam com sua beleza, enchendo de alegria nosso dia-a-dia, como se quisesse nos dizer que a vida se renova e a esperança de novos tempos deve ser experimentada por todos e que, por isso mesmo, todos devemos nos encher de energia renovada para construirmos uma nova realidade, melhor, em nossas vidas.

Refletindo sobre o texto de nossa celebrada escritora, penso que se possa estabelecer alguma comparação entre a imagem sugerida por ela e a realidade experimentada pela sociedade, ao longo de sua caminhada.

Consideremos que o vento, mais ou menos forte, a cada tempo, poderia ser visto como os diversos momentos experimentados pela coletividade, em função das realidades que se consolidam como decorrência da ação político-econômica dos responsáveis pela condução da sua história.

A árvore sólida, firme, enraizada no solo ao longo do tempo, representaria os valores, as verdades, a cultura, as crenças da sociedade, balizadores do comportamento de cada um dos seus integrantes.

As folhas poderiam ser vistas como sendo cada um dos integrantes dessa sociedade, nascidos nela, impregnados, em maior ou menor intensidade, desses valores, de sua cultura, das verdades que a matizam.

Como podemos transportar para a realidade de uma coletividade o que nos propõe a autora?

No contexto de uma determinada conjuntura (o vento), dadas as suas características (vento mais ou menos forte, nessa ou naquela direção), nós, cidadãos dessa sociedade (as folhas das árvores), nos comportaremos de forma distinta.

Observando as árvores do meu quintal e aquelas nas calçadas no entorno de minha casa, constato que, a despeito dos ventos que as atingem a cada tarde, mais ou menos intensos, dirigidos nessa ou naquela direção, que levam parcela considerável das suas folhas, uma quantidade significativa de outras tantas permanecem firmes, fixas a seus galhos, balançando alegres em ritmo que lembra um balé harmônico, com uma coreografia que parece ter sido perfeitamente ensaiada.

Olhando o chão, percebo que as folhas que foram arrancadas das árvores estão secas, feias, sem vida. Foram levadas, cada uma, para onde os ventos quiseram, sem resistência.

Sou levado a crer que não mais estavam verdadeiramente presas a seus galhos. Haviam permitido que se esgarçassem as forças que as prendiam a eles e, por isso, deles foram arrancadas e ficaram reféns da direção e força dos ventos.

Retomando a comparação proposta em parágrafos anteriores, sou levado a imaginar no contexto da sociedade dois universos distintos de cidadãos que a integram.

Aqueles cujas convicções, princípios, valores estão clara e solidamente vinculados aos que a formação da nacionalidade a qual estão integrados construíram. Com isso, independentemente das conjunturas que a história imponha à sua coletividade, permanecem sólida e firmemente ligados a eles e agindo, se comportando, de forma coerente, com o propósito de assegurar sua perenidade.

Outros tantos cujas convicções, princípios, valores, ou são frágeis, ou não sintonizados com aqueles que a história da coletividade construiu para si. Esses, tendem a se tornar reféns das circunstâncias pelas quais passa a sua coletividade, sendo manipulados por elas, joguetes da volatilidade dos momentos.

Caberia que se questionasse, então, aceita a comparação como pertinente, o que determinaria que essa parcela dos integrantes da coletividade passíveis de serem “vítimas” das circunstâncias sejam em maior ou menor número, tendo em mente que, quanto maior, percentualmente, for esse contingente, mais provavelmente essa coletividade estará correndo o risco de ficar à deriva no curso da história.

A esse respeito, visando evitar que esse texto se estenda além do razoável, proponho ao caro leitor que compulse, quando possível, o conjunto de onze artigos que deixei registrados nesse site no transcurso de 2011 (cujo título é Liberdade!???), que têm como propósito provocar reflexão sobre as circunstâncias que possibilitam a um integrante de uma determinada coletividade se sentir verdadeiramente experimentando “liberdade”.

Nesses artigos se buscou discutir como se pode, efetivamente, ser livre para construir convicções, valores, verdades, que permitirão balizar comportamentos e decisões no contexto de uma coletividade, a despeito das circunstâncias que, a cada momento, matizem essa coletividade e, por via de consequência, se evite ser um mero joguete nas mãos daqueles que, por força de suas posições relativas no contexto da coletividade, pretendam usar seus demais integrantes subjugando-os aos seus interesses.

Deixando a dimensão quase literária das reflexões anteriores e retornando à realidade material a qual sempre se está permanentemente preso, mas ainda amparado pela imagem comparativa proposta, reflitamos sobre o que nos reservam os próximos tempos.

Inquestionavelmente, estamos saindo de um inverno rigoroso, impiedoso, verdadeira tempestade, que levou a sociedade brasileira a uma penúria histórica.

Estamos entrando numa nova primavera?
Os novos tempos, os novos ventos, vão proporcionar um florir de árvores bonitas?
Ou vamos permitir sermos arrancados dos nossos valores, dos nossos princípios, das nossas verdades e estaremos à deriva, manipulados pelos que construíram o inverno frio, triste, feio, do qual estamos buscando fugir?

Com angústia, temo que o universo dos brasileiros que estão infensos às cantilenas dos mais diferentes matizes e que parecem não pretenderem outra coisa que não seja a busca de seus interesses grupais é, ainda, muito pequeno.

Não podemos esquecer que, nas últimas décadas, no meio acadêmico, se criou um impressionante universo de profissionais nos quais se incutiu valores, princípios, verdades dissonantes daqueles que a formação da nacionalidade brasileira construiu ao longo de nossa história.

Particularmente, os profissionais das áreas sociais foram covardemente inoculados com conceitos, valores, princípios, verdades que confrontam os historicamente sedimentados.

A mídia se encarregou de disseminar essa realidade para aqueles que não participavam da ambiência acadêmica.

Isso foi feito exatamente com a intensão de ampliar sensivelmente o universo daqueles que, mercê das circunstâncias seriam levados pelos ventos na direção que aumentasse a possibilidade do esfacelamento do tecido social, e que, com isso, se torna muito mais fácil de ser manipulado.

Está nas nossas mãos, particularmente dos que têm consciência de que estão sintonizados com as verdades mais puras da nacionalidade, não permitir retrocessos, novos descaminhos.

Que venha a primavera!

Última modificação em Sexta, 21 Outubro 2016 14:33
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

Website.: www.rplib.com.br/

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