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12 Set 2016

A CULPA NÃO É DA MAMÃE, NEM DO PAPAI

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Uma diabólica e amarelada palhaçada, diga-se de passagem, onde a bajulação tornou-se sinônimo de educação e o intento de corrigir e educar passou a ser visto como um atendo contra a infância.

 

Em regra, todos os pais e todas as mães que se esquivam do dever moral de educar os próprios filhos são justamente  os primeiros a apedrejar os professores pelo estrago que eles mesmos, com sua desídia e falta de caráter, causaram aos seus rebentos.

Dum modo geral, tais alminhas, que são pessoas crescidas, bem crescidinhas, insistem em viverem feito adolescentes fúteis curtindo a vida com suas “ocupações”. Ocupações como ficar estrebuchado num sofá, com seu celular, em frente à televisão ou; nalguns casos, fervendo numa baladinha qualquer de maneira inconsequente e, tudo isso, ao mesmo tempo em que desdenham vilmente suas obrigações morais para com seus guris. Para com seus amados guris.

Esse tipo de gente literalmente deixa os seus filhos ao deus-dará, pouco importando a classe social a que pertençam. Ignoram o que eles estão fazendo no Colégio, não se importam com o que os abençoadinhos realizam nas ruas, nas horas vagas e,  inclusive, desprezam o que eles fazem debaixo do próprio teto.

Na real, genitores desse naipe não sabem nem quais são os programas de televisão que a piazada assiste e/ou sites que acessam. Resumindo: são ilustres desconhecidos que vivem na mesma casa, mas que, perante a sociedade, apresentam-se fingidamente como sendo zelosos pais e amorosas mães que preocupam-se muito com o bem dos seus filhos (como todos sabem, nesses casos a hipocrisia não tem limites).

Doravante, quando o mancebo apresenta um péssimo rendimento escolar é a hora que a porca torce o rabo. Aí a figura lembra-se que o pequeno que vive em sua casa é seu filho e, sem o menor pingo de vergonha nas ventas, procura disfarçar a sua irresponsabilidade congênita tentando ocultar de todos, e principalmente de si, o atentado que cometeu contra o seu próprio rebento.

Esse tipo de figura, que todos nós conhecemos muito bem, nessas horas de aperto, faz aquele teatrinho furibundo de genitor(a) responsável e diz, bufando, que vai à luta pelos direitos de seu filhinho e, inclusive, jura de pés juntos que irá até as últimas instâncias e consequências para defendê-lo. Defender aquele cuja existência até então não a preocupava.

No frigir dos ovos, o que essa vil alma está tentando fazer é tão só e simplesmente varrer para debaixo do tapete os frutos pútridos de sua (ir)responsabilidade. É mais fácil, e bem mais cômodo, colocar a culpa de tudo na escola e, principalmente, nas costas dos professores do que, pela primeira vez na vida, agir de maneira verdadeiramente madura e responsável.

O cinismo desse tipo de gente só não é maior que a sua gélida capacidade de dissimulação. Capacidade essa que, junto com outras pendengas que se acumulam em nossa sociedade, colabora significativamente para a educação brasileira encontrar-se no estado em que está. Ou seja: de ser a palhaçada é.

Uma diabólica e amarelada palhaçada, diga-se de passagem, onde a bajulação tornou-se sinônimo de educação e o intento de corrigir e educar passou a ser visto como um atendo contra a infância.

 

 

 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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