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05 Set 2016

POBRE BRASIL

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Esse argumento foi usado e aceito cinicamente, por parcela significativa dos senadores brasileiros, com o endosso do Presidente do Supremo Tribunal Federal, como justificativa para que se rasgasse, desrespeitasse, descumprisse a Constituição Federal.

 

Meus amigos, a prudência sugere que, quanto mais indignado se fique com atos e fatos que, de alguma forma, nos envolvam, mais se deve dar tempo ao tempo, na expectativa de que nossa reação não desconsidere o equilíbrio e a serenidade que nos assegure comportamento decorrente maduro, sensato.

Ocorre que, por vezes, essa busca pelo distanciamento que tende a evitar o destempero se constitui em desafio de difícil superação.

A cantilena dos defensores da ex-presidente, entoada a exaustão, sugeria todo o tempo, que a plateia a que se destinava, em última instância, o povo brasileiro, se constitui, na sua esmagadora maioria, de indivíduos desinformados, incapazes de estabelecer relação de causa e efeito entre suas convicções, seus valores e as reflexões que lhes eram submetidas, particularmente porque não foram educados a construir para si essas convicções, esses valores.

Assim, se tornam mais susceptíveis de virem a ser conduzidos como rebanho, ainda que imaginem que têm consciência das posições que adotem, como resposta às provocações intelectuais que aquelas reflexões suscitem.

Ora, conscientes de que o impedimento era inevitável, os defensores da ex-presidente passaram a se valer de argumentação quase pueril, mas que repetida por todos, pretendia sensibilizar senadores votantes e a todos que acompanhavam o desenrolar do processo, no sentido de assegurar algum prêmio de consolação à ré.

Invariavelmente, todos exaltaram-na como cidadã honesta, que em hipótese alguma, jamais, se locupletara de qualquer recurso financeiro, em seu favor ou de parentes.

Nunca se beneficiara, de qualquer forma, do cargo que ocupara, etc, etc, etc.

Surpreendentemente, se observou analistas que se debruçavam em comentar os diversos trâmites do processo uma clara adesão a tese. “É, realmente, isso não se pode dizer dela”, afirmavam.

O ambiente político brasileiro está tão corrompido, tão desvirtuado, tão vazio de princípios, valores, que passou a ser motivo de surpresa e enaltecimento, que se seja honesto e que essa circunstância seja justificativa para a concessão de alguma forma de prêmio de consolação, quando da aplicação de pena por crime cometido.

Ora, meus amigos, ser honesto deveria ser visto como atributo indispensável, indissociável de um homem público em qualquer esfera do poder.

Se o fulano, ocupante de cargo público não é honesto, usa o cargo em benefício próprio, ninguém se espanta. Afinal, isso é normal. É o que se assiste acontecer a todo tempo, em todo lugar.

Ah! Mas se o beltrano, também ocupante de cargo público é honesto, aí então isso é surpreendente e o torna merecedor de alguma benesse, ainda que no curso do julgamento pelo cometimento de algum crime administrativo.

Esse argumento foi usado e aceito cinicamente, por parcela significativa dos senadores brasileiros, com o endosso do Presidente do Supremo Tribunal Federal, como justificativa para que se rasgasse, desrespeitasse, descumprisse a Constituição Federal.

Inacreditável!

Pobre Brasil!

 

 

 

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

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