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01 Set 2016

CONDIÇÃO NECESSÁRIA E NÃO SUFICIENTE

Escrito por 

 

 

 

Acabar com os antagonismos artificialmente criados, discutir os reais, aí estão alguns dos grandes desafios que se apresentam em nosso futuro próximo, condições ainda necessárias para resolver nossos grandes problemas.

 

Após um inverno por demais longo e tenebroso, antevemos a primavera.

Estamos livres, cumpridas todas as formalidades legais e políticas, do malfadado reinado petista que nos infelicitou por tanto tempo.

Não nos iludamos, porém, acreditando que a nova estação nos trará dias radiosos, felicidade e lindas flores. Seguiremos amargando as consequências de nossas más escolhas por, no mínimo, mais dois ou três anos, seja qual for o governo que se seguir ao da presidenta.

Em Lógica, este é o problema das condições necessárias e das condições suficientes. Nem toda condição necessária é suficiente, e vice-versa.

Examinemos a seguinte afirmação: todo carioca é brasileiro.

Ser carioca é condição suficiente para ser brasileiro, pois basta que alguém seja carioca para que seja também brasileiro. Além disso,
ser brasileiro é condição necessária para ser carioca, pois ninguém pode ser carioca sem ser também brasileiro. Por outro lado, ser carioca não é condição necessária para ser brasileiro, tampouco ser brasileiro é condição suficiente para ser carioca.

Dessa maneira, é lógico que o afastamento definitivo da quadrilha petista do poder é necessário para encetar o longo e difícil processo de retomada do desenvolvimento nacional, mas não é, definitivamente, condição suficiente para tal.

Os resultados nefastos do assalto aos cofres públicos e do aparelhamento do Estado ainda se farão sentir por longo tempo.

Nada nos garante, também, que o filme tenha acabado. Todos os armários têm que ser abertos cuidadosamente, pois não sabemos quando e onde toparemos com novos esqueletos.

Desculpe-me, caro leitor, por ter apelado a um pequeno passeio pelos caminhos da Lógica, mas julgo muito difícil fazer comentários sobre o combate de artes marciais a que assistimos nas sessões do Senado, o despreparo de quase todos os debatedores quanto ao assunto em discussão, um dos mais graves que um Estado pode enfrentar sob o presidencialismo, e o triste espetáculo de ver brasileiros de pensamentos diferentes sendo separados por grades e placas metálicas para que não se engalfinhem.

Essa, a meu ver, é a pior herança da máfia lulopetista: a divisão da sociedade brasileira em vários grupos antagônicos, todos donos da verdade absoluta, sem condições de diálogo, dispostos a partir para a violência sem tentar discutir suas discordâncias civilizadamente. Tudo isso criado, incentivado e explorado politicamente pelos bolivarianos esquerdistas, na tradição do dividir para conquistar.

Acabar com os antagonismos artificialmente criados, discutir os reais, aí estão alguns dos grandes desafios que se apresentam em nosso futuro próximo, condições ainda necessárias para resolver nossos grandes problemas.

 

 

 

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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