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17 Ago 2016

POR QUE O IMPEACHMENT SE TORNOU UM CIRCO ENTEDIANTE?

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Os parlamentares não são obrigados a se basear em normas legais, tal como juízes. Mas, de modo diverso, seu julgamento se assemelha ao de um tribunal do júri. Espera-se deles que enunciem seus veredictos com base na sua “íntima convicção”, ou seja: na sua consciência moral.

 

A frase nominal do título deste artigo parece até mesmo uma contradictio in adjectio, (contradição em termos), uma vez que todo circo é um lugar de gargalhadas, com palhaços no picadeiro; um lugar de frio na espinha quando um trapezista dá um salto triplo sem rede; um lugar de descontração e encantamento quando bailarinas dançam graciosamente. O circo produz essas diferentes reações na platéia, mas raramente é entediante.

Como se justifica, então, a expressão circo entediante? Quem assistiu a algumas oitivas do processo de impeachment de Dilmandona sabe do que estou falando…

Quanta falação, que exagero de 40 testemunhas, que repetecos enfastiantes, principalmente os da Bancada da Chupeta, com Lindinho e as duas louras:Vanessa Grazziotin e Gleise Hoffmann.

No meu humilde entendimento, bastaria que fossem apresentados relatórios da acusação, da defesa e abrir a votação a favor ou contra. Afinal de contas, o impeachment é um processo político em que os representantes do povo têm que manifestar seu voto e nada mais. Por suposição, eles expressam as vontades de seus eleitores…

Os parlamentares não são obrigados a se basear em normas legais, tal como juízes. Mas, de modo diverso, seu julgamento se assemelha ao de um tribunal do júri.

Espera-se deles que enunciem seus veredictos com base na sua “íntima convicção”, ou seja: na sua consciência moral.

Acho que o culpado desse tédio mortal é o STF, que por receio de replesárias ou narrativas futuras, resolveu meter o “bico” onde não era chamado e produziu um rito enfadonho e desnecessário. Por que raios não seguiram o precedente impeachment de Fernando Collor?! Este foi muito mais ágil e rápido, sem que tivesse sido menos acabado em termos de regras processuais.

A coisa fica pior ainda quando o país atravessa sua maior crise econômica e precisa resolver esta questão do impeachment o mais rápido possível, para que o Presidente interino seja Presidente tout court ou Dilmandona volte e o Brasil também volte a ser desgovernado.

A absolvição de Dilmandona, se ocorrer, será uma desgraça anunciada! Acho que até mesmo Lula e o PT já estão pensando assim.

 

 

 

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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