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30 Jan 2005

Um País Chamado Peru

Escrito por 

Se algo o levar ao litoral desértico, ao altiplano andino ou ao leste da cordilheira, dizem que talvez não seja mera coincidência

O Peru é, sem sombra de dúvida, um país que apresenta particularidades ímpares. Desde sua história, que é permeada pela significativa presença dos Incas, com sua forte expressão espiritual, tradições e arquitetura, passando pela bela constituição geográfica e desaguando na mistura de povos e culturas que formam a rica diversidade dos peruanos. Assim, falar sobre o Peru é falar sobre suas riquezas e diversidades, fundamentais na caracterização do amadurecimento político e institucional andino nos últimos anos.

Portanto, desembarcar em Lima é como chegar a um mundo formado pela coesão de culturas, já que o país é formado por ameríndios, eurameríndios e os colonizadores ibéricos da Espanha. Isto fica claro desde a chegada. Poucos percebem também que o espanhol não é a única língua oficial, exatamente em decorrência da miscigenação cultural. Ali, mesmo com todos falando o castelhano, convivem, além deste, o quíchua e o aimará. Não menos importante é se lembrar do povo, sempre cordial e amigo, disposto a ajudar e conversar, seja em San Isidro, Mirafolres, San Borja ou Surquillo.

O interior, entretanto, guarda os segredos mais preciosos do Peru. A cidade de Cusco, antiga capital do Império Inca conserva em sua arquitetura, os traços da imigração espanhola em conjunto com os vestígios da antiga civilização. A altitude é um pequeno desafio para qualquer um dos turistas que passam pela cidade, entretanto, a cordialidade do povo mais uma vez impressiona, e aliado as belezas do lugar, torna a estada na cidade algo inesquecível, tornando, em certos momentos, mesmo com a insistência das crianças na Praça de Armas para que se compre souveniers “compra, señor, compra!!”, algo, no mínimo peculiar.

Machu Picchu, localizada a 112km de Cusco, ou seja, quatro horas de trem, é mais do que especial, tornando-se parada obrigatória para qualquer um que visite a região. As ruínas, encontradas somente em 1911, mais do que encantam, seja pela arquitetura, seja pela modernidade apresentada pelos Incas que dali sumiram há mais de 400 anos. O encantamento espiritual é intenso e talvez por isso várias pessoas são encontradas meditando ou mesmo refletindo perante os vales e montanhas que cercam a região. Não há dúvida de que uma intensa energia circula pelas ruínas e solo de Machu Picchu. Esta mesma energia é encontrada em outras ruínas, como no Vale Sagrado, localizado em uma região mais perto de Cusco.

No aspecto político, o Peru tem passado por grandes transformações. Lá existem quatro grandes partidos: Peru Possível (PP), Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), Partido Unidade Nacional e Cambio 90. A Apra é o partido do antigo presidente Alan Garcia, que decretou moratória da dívida externa e tentou estatizar o sistema bancário, ainda na década de 80. A inflação disparou a 7.600% e Alberto Fujimori foi eleito presidente, levando o Cambio 90 ao poder. Depois de uma década, Fujimori deixou o Peru, exilando-se no Japão. Chegou ao poder o PP de Alejandro Toledo, eleito presidente em 2002, depois de uma acirrada disputa com Alan Garcia. A eleição de Toledo é significativa, pois simbolizou a chegada dos indígenas e das tradições peruanas ao poder – após sua posse, Toledo foi a Machu Picchu agradecer sua vitória aos deuses Incas. O pleito de 2006 evidencia talvez o mesmo embate, entre PP e Apra – Toledo acaba de confirmar a renovação de seu gabinete e Lima já começa a respirar os primeiros ares da sucessão presidencial.

O Peru possui algo de especial, uma energia intensa, uma espiritualidade pujante. Assim, vários livros já usaram sua geografia e encanto para descrever situações especiais. As nove profecias, descritas no livro de James Redfield representam um bom exemplo. Coincidências não ocorrem por acaso, diz, assim devemos estar centrados em nossa energia interior para que as do universo trabalhem ao nosso favor. Perceber, estar atento a essas coincidências talvez seja o primeiro passo, lembra. Portanto, se algo o levar ao litoral desértico, ao altiplano andino ou ao leste da cordilheira, dizem as antigas escrituras do local, talvez não seja mera coincidência.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:24
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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