Seg10212019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

19 Jul 2016

PEDRO PARENTE DESCARTA PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS: "SOCIEDADE NÃO ESTÁ MADURA"

Escrito por 

Vamos debater! Vamos quebrar esse tabu! Vamos derrubar esse dogma! Por que a Petrobras deve continuar como estatal? Quais são os reais benefícios disso para a população? Quem ganha? São perguntas necessárias para amadurecer nossa sociedade…

 

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirma que não haverá “dogmas” na venda de ativos da estatal e admite estudar o controle compartilhado com o setor privado de algumas subsidiárias, como a BR Distribuidora ou a Transpetro. “Na hipótese de a gente abrir a maior parte do controle, é com cocontrole.”

Dogma, para Parente, é apenas a privatização da estatal, que está descartada. “Não acho que a sociedade brasileira esteja madura para sequer discutir, isso sim é dogma, a privatização da Petrobras”, afirma.

Em entrevista à Folha, Parente diz que a Petrobras só abrirá mão de parte do controle de algumas áreas de atuação se forem respeitadas três condições: maximizar o valor dos ativos, preservar a empresa verticalizada e manter os seus interesses estratégicos.

Para o executivo, os diretores envolvidos no esquema do petrolão “foram escolhidos com a intencionalidade” de praticar crimes e que uma das razões da crise foi “fazer deliberadamente a escolha desses desonestos para liderar a empresa”. Parente afirma que a estatal conseguiu resolver “uma hemorragia”. “Mas ainda há problemas complicados, e a síntese deles é o nível de endividamento.”

Pedro Parente é um bom quadro técnico, tido como profissional sério, ao contrário dos presidentes escolhidos pelo PT. Toca em pontos importantes, como o modelo de partilha, a roubalheira deliberada na estatal, a necessidade de venda de ativos. Mas foge, infelizmente, da questão principal: o certo mesmo era privatizar a empresa.

De forma sutil, Parente dá a entender que o problema não é ele, mas a sociedade, que não estaria “madura” para sequer discutir isso. A estatização da Petrobras seria um dogma. Em outras palavras: condenar a privatização é imaturidade. Nisso, eu concordo!

É preconceito ideológico, é fetiche, é atraso, como Roberto Campos já sabia. Mas se não vamos nunca sequer debater o assunto, adotando a posição confortável de assumir que é um tabu e ponto final, então como vamos reverter esse quadro, quando vamos… amadurecer?

Já tivemos um candidato à presidência, o pastor Everaldo, do PSC, tocando no assunto pela primeira vez de forma aberta numa campanha. Mas ele tinha pouca exposição e não foi possível avaliar a reação à proposta. Será que o brasileiro ainda acredita tanto assim nesse dogma, mesmo depois do PT e do petrolão?

Talvez. Mas só há uma maneira de mudar isso: cada vez mais gente defender abertamente as vantagens da privatização, justamente para que ela deixe de ser esse tabu todo. Como já disse outras vezes, alguém que defenda a privatização da Petrobras em praça pública corre o risco de atrair hoje mais hostilidade do que se pregar a orgia generalizada no local.

Mas isso precisa mudar. Manter a Petrobras como estatal só beneficia uma patota organizada, e eventualmente as quadrilhas como o PT, quando chegam ao poder. Não há motivo racional para o estado ser explorador de petróleo. Isso é coisa de país atrasado, corrupto, nacionalista.

Vamos debater! Vamos quebrar esse tabu! Vamos derrubar esse dogma! Por que a Petrobras deve continuar como estatal? Quais são os reais benefícios disso para a população? Quem ganha? São perguntas necessárias para amadurecer nossa sociedade…

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.